Era o dia 29 de setembro de 2018. Mulheres de todo o país lideraram o que foi uma das maiores manifestações políticas dos últimos anos. Era véspera do primeiro turno das eleições que, posteriormente, confirmaram a eleição de Jair Bolsonaro à presidência da República.

A imensa mobilização – não só no dia do ato em si, mas em todo o processo posterior do “vira voto” no segundo turno – não foi suficiente para evitar a vitória do fascismo. A sensação era de que a mobilização veio tarde, após anos de letargia de boa parcela progressista e de esquerda da sociedade.

Na mesma manifestação ocorrida em São Paulo no Largo da Batata, Guilherme Boulos era ovacionado enquanto tentava caminhar em meio à multidão. Com Erundina ocorreu a mesma coisa. Era quase como um consolo antes mesmo da derrota eleitoral se consolidar. Os olhares dirigidos a Boulos e Erundina eram esperançosos. E as palavras proferidas a ele eram de admiração pela corajosa e coerente campanha eleitoral que estava realizando naquele pleito. E a ela fazia-se o pedido: “volta Erundina”. Foi no mesmo 2018 em que Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados.

Bolsonaro eleito praticou diárias barbaridades contra o povo trabalhador brasileiro, destilou ódio contra mulheres, o povo negro e a população LGBTQIA+. Uma lista imensa de retrocessos que não caberia neste texto.

Já em 2020, quando a pandemia do novo coronavírus – acompanhada do negacionismo genocida de Bolsonaro – parecia vir para completar um cenário de total tragédia humanitária e desesperança, vimos que a derrota de 2018 teve impacto, mas não derrubou aquelas e aqueles que lutam pela transformação da sociedade.

E novamente as mulheres, negras e negros, as LGBTQIA+ se levantam durante o período eleitoral. Afinal, são esses setores que sofrem os mais agudos impactos da pandemia de Covid-19, da desigualdade e da política de ódio que ocupou muito espaço no país.

Em São Paulo, a candidatura de Guilherme Boulos e de Luiza Erundina tem sido o catalizador de esperanças. Não se trata somente de um valor subjetivo, pois essa esperança está ancorada em uma plataforma política de combate à desigualdade, de inversão de prioridades para que as periferias estejam no centro das políticas públicas, de afirmação de um projeto político de esquerda que não abre mão de princípios e não se alia aos inimigos de classe.

Boulos e Erundina estão muito perto de vencer as eleições à prefeitura de São Paulo. A campanha, que se tornou um fenômeno de massas, tem resgatado os mais valiosos valores de solidariedade, igualdade, coletividade e combatividade contra as principais mazelas da nossa sociedade.

A memória das gestões de Erundina, a primeira mulher prefeita da cidade, paraibana, assistente social, junto com a afirmação da renovação da esquerda socialista forjada nas lutas concretas da classe trabalhadora que Boulos representa, já tem em si um aspecto de vitória, pois este projeto está sendo apoiado por milhões de pessoas em São Paulo e no Brasil.

A pauta reativa e necessária do #EleNão amadureceu, sob muitos ataques e derrotas, mas também com muitas lutas. E agora sua versão afirmativa é, sem dúvida, Boulos e Erundina sim!

Nós da Bancada Feminista do PSOL, que defendemos a construção dessa candidatura dentro do partido e que fizemos nossa campanha vitoriosa lado a lado de Boulos e Erundina, seguimos, agora como covereadoras eleitas, diariamente nas ruas disputando votos. E temos a certeza de que, se as mulheres que se identificaram com o #EleNão seguirem se engajando, viraremos o jogo na cidade de São Paulo. Será o nosso maior passo para derrotarmos o bolsonarismo!

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