A longa jornada até o Mundial: as histórias por trás das estreias na Copa do Mundo de 2026
Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão estreiam na Copa de 2026, realizando sonhos de gerações.
Por Rafaela Andrade – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
Por trás de cada seleção estreante existe uma trajetória construída ao longo de décadas, marcada por treinamentos, investimentos, sonhos e gerações de atletas que perseguiram o objetivo de disputar uma Copa do Mundo. Em 2026, esse sonho se torna realidade para quatro nações: Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão. A edição sediada por Canadá, Estados Unidos e México será a primeira com 48 seleções, o maior número de participantes da história do torneio.
O que para muitos é uma competição vivida há anos, para outros é um momento extremamente aguardado, uma competição sonhada desde a infância, assim como afirmou o meia da seleção de Curaçao, Na-Jir Peny: “foi fantástico. Quando você é pequeno, sonha com isso, mas sabe que é difícil. Foi uma alegria total. Pode ter mais interesse por pessoas de fora também, para saber como as coisas são aqui em Curaçao”.
Para Cabo Verde, a vaga veio depois de anos de espera. A equipe garantiu sua classificação após liderar um grupo nas eliminatórias da Confederação Africana de Futebol (CAF), passando por países como Angola e Camarões. Sendo a terceira menor nação a disputar uma Copa, Cabo Verde teve seu ponto de virada em 2013, quando estreou na Copa Africana das Nações (CAN), na África do Sul. Conhecidos como Blue Sharks, eles levarão a Cabo Verde, este ano, o sonho de muitas crianças de viver a Copa e ter seus jogadores como ídolos. Em entrevista ao Globo Esporte, o presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, declarou: “antes, nós tínhamos o Zico, o Sócrates, no Brasil, o Cristiano Ronaldo, em Portugal, o Messi. Hoje temos o nosso Ryan, o nosso Sidney e o nosso Vozinha. Então, a criança pode ver, sentir essa proximidade e dizer: eu posso ser um deles”.

Esses são os sonhos que a Copa do Mundo permite realizar. Assim como o de Curaçao, a seleção menos populosa a se classificar para os jogos. A ilha de 150 mil habitantes tem seu futebol crescendo cada vez mais, e a classificação da equipe gerou um grande orgulho para a população, que antes estava acostumada apenas a acompanhar o torneio e agora celebra sua presença nele. “Isso mostra que toda a nação realmente torceu junto, queria muito ir à Copa do Mundo e apoiar a seleção”, afirma Ruiter, jornalista de Curaçao. Após a classificação, o país ficou em festa, e os jogos da seleção passaram a lotar. “Nunca tínhamos visto o país tão unido por um resultado. Aquilo uniu o país profundamente”, contou Gilbert, presidente da Federação de Futebol de Curaçao.

A Jordânia é mais uma das estreantes, com a vaga confirmada após vitória por 3 a 0 sobre Omã, a equipe se prepara para participar do torneio. O crescimento da seleção foi notável na Copa da Ásia de 2023, disputada em 2024, quando a Jordânia chegou pela primeira vez à final. Filiada à FIFA desde 1958, a seleção alcançou, depois de anos de tentativas frustradas, o sonho de fazer parte da Copa do Mundo de 2026. Uma classificação resultado de uma evolução constante e de muito treino. “Meus sentimentos foram de alívio e felicidade, pelo fato de ter conseguido fazer com que a seleção nacional e o povo jordaniano sentissem orgulho, e por ter transformado esse sonho em realidade”, afirmou Jamal Sellami, ex-jogador e atual treinador de futebol profissional marroquino-jordaniano.

Ao se assegurar entre os dois melhores colocados de seu grupo nas eliminatórias da AFC, o Uzbequistão é mais um dos classificados. Com raízes antigas no futebol – com registros desde o início do século XX – o país tem um histórico difícil, perdeu uma geração de talentos após o desastre aéreo que atingiu o Pakhtakor, principal clube do país, em 1979. Um histórico de derrotas que se tornou pilar para um time que hoje tem o orgulho de estar na maior disputa do futebol mundial. “É muito difícil expressar em palavras o que sentimos. Não apenas nós, jogadores, mas todo o Uzbequistão realmente queria, e depois todos ficaram muito felizes com o resultado, porque entendemos o que isso significa para o nosso povo e nossos torcedores, e é por isso que é tão importante para nós”, afirmou Shomurodov, principal atacante, capitão e maior artilheiro da história da seleção do Uzbequistão, à FIFA.




