Guia não oficial da Copa do Mundo na mesa de bar
Não vê futebol? Não sabe quem é Ibañez? Esse é seu guia para toda conversa sobre o Mundial
Por: Samuel Fernandes – Cobertura Colaborativa da Copa do Mundo 2026
“Nossa, esse ano tem Copa e eleição.”
— Você a cada quatro anos
Bem, amigos do Ninja Esporte Clube, chegou aquele momento sonhado e temido por tantos, começou a Copa do Mundo 2026, o evento esportivo que é mais assistido que o Super Bowl (peço desculpa aos americanos) e mais aguardado que Avatar 4 (peço desculpas ao James Cameron).
E para começar, este é um guia do que você precisa saber para entender tudo que está acontecendo enquanto se senta em uma mesa de bar para beber o seu litrão ou sua caipirinha (se seu drink favorito é o Moscow Mule, pode pedir também) e, principalmente: para acreditar de verdade que o hexa vem!

Começando pelos clássicos
É fácil encontrar por aí definições e análises embasadas de como funciona um VAR, de como se apita a linha de impedimento ou de como é formada uma linha tática.
Mas vamos focar no que realmente importa aqui, os termos de conversa de jogo:
“Grupo da morte”
Calma, não envolve violência (às vezes, sim). Um “Grupo da Morte” é quando no mesmo agrupamento estão envolvidos três ou quatro times considerados fortes, o que causa a volta para casa prematura de times que teriam muito potencial para ir mais à frente na competição, mas deram azar.
Nesta edição, não temos um grupo da morte clássico (com quatro times temidos juntos), mas vale a pena ficar de olho nos embates de: Holanda, Japão e Suécia (Grupo F); França, Senegal e Noruega (Grupo I); e Inglaterra, Croácia e Gana (Grupo L).
“Fazer cera”
Aqui não estamos falando apenas de uma prática, mas de uma arte que nem todos dominam. Um ato de rebeldia que testa os corações da torcida, atiça os nervos do adversário e impede uma derrota para a Croácia nos últimos 4 minutos do jogo (muito cedo?).
Fazer cera é, basicamente, gastar tempo para segurar o placar e ganhar o jogo. Isso envolve cair no chão com um cãibra repentina, sentir uma dor misteriosa ao ser atingido pelo vento do adversário, amarrar as chuteiras e por aí vai. É o equivalente a abrir uma planilha quando vê seu chefe se aproximando no escritório.
“Jogar de terno”
Uma expressão que nasceu como um elogio e que depende muito de quem está falando. Se você ouvir isso do(a) narrador(a) do jogo na televisão, ele(a) está se referindo à elegância do jogo do atleta, que joga de forma refinada e com classe. Alguns jogadores assim que já tivemos em Copas foram Didi, Sócrates, Falcão e Kaká.
Agora, se você ouvir isso de um torcedor furioso batendo o punho na mesa do bar, o que ele quer dizer é que o jogador está tão “morto” em campo (lento e sem vontade) que parece que está vestido um terno para o seu próprio enterro.
“Pipocar”
Praticamente um verbo (eu pipoco, tu pipocas, ele pipoca…), refere-se a um time ou um jogador que não aparece na competição como esperado e acaba decepcionando a torcida.
A expressão nasceu da própria comida, que estoura quando sente o calor. Aqui, o calor é a pressão do jogo e a pipoca é o jogador/time que deveria ter feito mais, porém sumiu. A seleção italiana é um exemplo recente que, pela terceira Copa do Mundo seguida, pipocou e não conseguiu a classificação.
“Secar”
Se você acompanha as Olimpíadas, já tem o costume de fazer isso. Secar é torcer para o país adversário perder. E isso é quase uma atividade de atração, onde se você torcer pela derrota com muita paixão, pode ser até que aconteça mesmo.
E pode secar sem peso na consciência. Diferente das Olimpíadas onde você pode ter torcido para crianças caírem do skate para a Rayssa Leal ganhar medalha (sem julgamentos, todos nós), aqui você está torcendo contra homens adultos. Então, está tudo certo.
“Bagre”
Um dos ápices da frustração futebolística. Um apelido dado àquele jogador que, com certeza, é muito bom, pois se não fosse, não estaria na Copa do Mundo, mas que durante alguns momentos aparenta sofrer de um lapso de memória e esquecer completamente como se pratica o esporte no qual se profissionalizou, protagonizando cenas como:
- Perder o gol sozinho sem goleiro para impedir;
- Tentar passar a bola para um companheiro e acabar passando ao adversário;
- Fazer um gol contra;
- Isolar a bola num pênalti.
Todos esses exemplos podem fazer um jogador receber o apelido de bagre.
Por sinal, o motivo para esse apelido é genial e deve ter sido criado por algum biólogo que sofria com o time. O bagre é um peixe que nada devagar, não é bom de caça, vive se arrastando na lama e não tem uma aparência agradável. Portanto, o jogador que não corre, não dribla e faz jogadas feias, é apelidado de bagre.
A questão é: para qual time será que esse biólogo torcia?

Kit de frases prontas
O período de Copa do Mundo é recheado de muitas expressões e conhecimentos ancestrais que podem confundir alguns, mas, assim como toda música do Djavan, elas têm um significado profundo.
É importante saber usá-las se você quer impressionar na fila do banheiro do open bar ou fazer inveja no churrasco em família.
Começando pela mais importante para o torcedor esperançoso: “O jogo só termina quando acaba”. Uma frase que para alguns pode soar óbvia, mas quem tem o coração mais sensível consegue ver que este é um exercício de confiança e humildade, de entender que dá para correr atrás do resultado enquanto o juíz não for embora com a bola debaixo do braço.
Falando em jogo, existe a chance de um Brasil x Argentina nessa Copa e, se isso acontecer, não perca tempo em gritar com todo o fôlego que existe em seu pulmão “clássico é clássico” antes mesmo que alguém sequer ouse dizer que a Argentina está em um momento melhor que o Brasil, afinal, não tem jogo fácil entre essas duas seleções.
Da mesma família de “complicado” e “vixi” quando não se tem o que responder para uma notícia triste, a expressão “futebol é assim mesmo” é o último conforto do torcedor que precisa lidar com a tristeza de ter tomado um gol ou até mesmo perdido a partida.
Falando em tristeza, não podemos nos esquecer da Lei de Murphy dos gramados, a frase “quem não faz, toma”, que explica o fenômeno pelo qual times que chegam muitas vezes ao ataque sem converter o gol, acabam levando um do adversário.
Por fim…
Independente de se na última vez que você torceu pelo Brasil o atacante era o Hulk ou se você descobriu mês passado que a Copa vai acontecer em três países, o que importa é viver esse clima de Copa do Mundo.
E antes de mais nada: VAI BRASIL!
*Esta é uma crônica humorística e não substitui análise jornalística. A cobertura completa da Copa do Mundo 2026 pelo Ninja Esporte Clube você encontra em midianinja.org. Para sobreviver à mesa do bar, você já tem o que precisa.




