Corrida pelas terras raras coloca territórios indígenas sob nova ameaça
Disputa por minerais críticos intensifica pressão da mineração sobre territórios indígenas no Brasil.
A corrida global pelas chamadas terras raras e minerais críticos está intensificando a pressão sobre territórios indígenas no Brasil.
Em entrevista ao portal Mídia Indígena, o indígena Ricardo Terena afirmou que a expansão da mineração ameaça comunidades tradicionais, principalmente em regiões ricas em minerais estratégicos.
Segundo ele, o discurso da “energia limpa” vem sendo utilizado para justificar novos projetos minerários em áreas sensíveis, sem que haja garantia de proteção ambiental ou respeito aos povos originários. Terras raras são minerais usados na fabricação de baterias, carros elétricos, turbinas eólicas, armamentos, celulares e outras tecnologias de ponta. O Brasil possui uma das maiores reservas do mundo, especialmente em estados como Minas Gerais, Goiás e Bahia.
Ricardo Terena destaca que a mineração avança sobre territórios indígenas e tradicionais em nome do desenvolvimento, enquanto comunidades denunciam riscos de contaminação da água, destruição ambiental e perda de modos de vida ancestrais. Para ele, o país corre o risco de aprofundar um modelo “extrativista e colonial”, exportando matéria-prima sem garantir soberania tecnológica ou benefícios reais para a população brasileira.
O debate sobre minerais críticos ganhou força no Congresso Nacional e no cenário internacional diante da disputa geopolítica entre potências como Estados Unidos e China. Ao mesmo tempo, movimentos sociais, organizações indígenas e pesquisadores alertam que a expansão da mineração pode ampliar conflitos territoriais e impactos socioambientais nos biomas brasileiros.



