A CPI da Pandemia completou um mês de trabalhos e já podemos enumerar alguns avanços no combate à pandemia do novo coronavírus que devasta o Brasil. Entre eles – e talvez inédito – seja a estreita relação criada entre a sociedade civil brasileira e o parlamento propiciada pelas redes sociais e plataformas de streaming na internet, o que permite acompanhar, em tempo real e via diferentes fontes, os depoimentos e debates ocorridos no âmbito da comissão.

A “Casa do Povo” parece, enfim, democratizar o acesso ao ambiente em que os rumos da nação são debatidos, ainda que dependente de mediação virtual e pequenos luxos como acesso à internet ou tv por assinatura. O importante é que a população brasileira acompanha atenta os trabalhos e interage com os personagens da CPI durante as sessões, fazendo uso intenso das ferramentas disponíveis e trocando informações sobre as temáticas em debate. Várias vezes os senadores usaram e citaram as fontes de perguntas feitas por internautas.

O grande interesse manifestado pela CPI da Pandemia é uma evidência da devastação causada pelo coronavírus entre nós. Afinal, quem não viu alguém próximo sucumbir à covid-19? Qual família não chorou a morte de ao menos um ente querido? Quantas milhões de pessoas não convivem diariamente com o temor de se contaminarem? Os efeitos devastadores da pandemia na economia, saúde pública e imaginário coletivo persistem. Castigam o Brasil e seu povo.

Ao interesse popular se junta a curiosidade com o funcionamento de uma comissão parlamentar de inquérito, fomentando a educação política cidadã e o civismo. Não aquele caricato e ufanista, artifício da política demagógica e populista, mas sim a sensação de pertencimento e protagonismo social, responsável pela autodeterminação individual e coletiva. O reconhecimento de que a nação vai mal e que estamos todos sujeitos a padecer com a sua ruína.

A simbiose entre a CPI da Pandemia e a sociedade civil traz benefícios mútuos ao abastecer a comunidade virtual – e real – com um fluxo contínuo de informações e dados sobre a pandemia do novo coronavírus no Brasil, sua cadeia de eventos e as consequências do espalhamento sem controle da covid-19 pelo país. Esta espécie de inteligência coletiva, além de contribuir com os trabalhos, é sinal da maturidade popular com o agravamento da crise sanitária.

E é neste contexto que a CPI avança em suas investigações. A negligência no enfrentamento da pandemia é flagrante. Porém, mais que isso, começa a ficar delineada a estratégia adotada pelo governo federal: a aposta na imunidade de rebanho mediante a exposição em massa da população brasileira ao novo coronavírus. A inexistência de campanhas de conscientização para o distanciamento e cuidados pessoais, o desestímulo ao uso das máscaras, a promoção de aglomerações e, principalmente, o atraso na aquisição de vacinas, demonstram claramente que essa escolha foi consciente e acabou por potencializar os casos e as mortes pela pandemia.

O drama vivido pelas populações indígenas e quilombolas também guarda indícios de negligência deliberada do governo federal, com o acréscimo do recrudescimento da violência contra estes povos oriunda da exploração ilegal dos recursos naturais por garimpeiros, madeireiros e outros criminosos ambientais. A morte ronda as reservas, seja devida ao novo coronavírus, seja à sistêmica beligerância contra os povos originários.

A CPI da Pandemia ainda possui uma extensa agenda de trabalhos. Temos ciência da urgência das investigações e o grande interesse popular demonstrado pelo acompanhamento das sessões indica que a ansiedade não é só nossa. São expectativas legítimas de um povo angustiado, desprovido de perspectivas e que deposita nos trabalhos desta comissão a esperança de reconstrução do Brasil. É responsabilidade histórica do parlamento reerguer a nação.

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