Em meio à maior crise sanitária registrada no país, a nação assiste à patética escalada autoritária de Bolsonaro, acuado pela comissão parlamentar de inquérito instalada no Senado Federal que investiga as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à covid-19 – que já matou mais de quinhentos e sessenta e cinco mil brasileiros.

Até agora, além da negligência no enfrentamento à crise, a CPI da Pandemia reúne significativa quantidade de evidências e indícios de corrupção em larga escala na aquisição de vacinas contra o coronavírus para imunização da população brasileira. O esquema abarca diferentes imunizantes e têm em comum a existência de empresas intermediárias nas negociações, que seriam responsáveis pela celebração de contratos superfaturados para posterior distribuição de propina.

O volume de denúncias e a extensão do esquema atingiram em cheio a popularidade do presidente, provocando um derretimento constante e crescente, suficiente para alimentar os delírios autocratas de Bolsonaro e encorajá-lo a demonstrar toda a sua inaptidão para o cargo e incompetência para conduzir o País. Dobrou suas apostas contra a Democracia na esperança de excitar as milícias que o seguem. Conseguiu apenas se isolar ainda mais.

A reação da sociedade civil organizada foi imediata. O alto empresariado brasileiro, incluídos banqueiros, publicaram manifesto de página inteira nos principais jornais defendendo as conquistas democráticas e republicanas das últimas três décadas ao mesmo tempo em que repudiam quaisquer aventuras golpistas ensaiadas por um governo moribundo. Temem pelo ambiente futuro de negócios, já deteriorado pela administração catastrófica de Bolsonaro.

Instituições basilares da República também agiram contra as bravatas bolsonaristas: inquéritos foram abertos no Tribunal Superior Eleitoral e no Supremo Tribunal Federal para investigar os múltiplos e reiterados ataques de Bolsonaro e milícia contra a Democracia. O cruzamento com as investigações sobre a propagação de fakenews pelo presidente e apoiadores mostrará se existe coordenação entre as diferentes iniciativas contra a normalidade democrática no país.

As reações mostram o esgotamento da sociedade brasileira com o desgoverno que se abateu sobre o Brasil. O desemprego e a estagnação econômica evidenciam a difícil recuperação do país sob a batuta de Bolsonaro, que a muito custo avança na vacinação  – e segue incapaz de controlar a circulação do coronavírus e novas cepas. O país está sufocado e luta para respirar.

Essa escalada autoritária ocorre justamente quando as investigações conduzidas pela CPI da Pandemia demonstram corrupção generalizada nas negociações para compra de vacinas enquanto o Brasil diariamente contabilizava milhares de mortes causadas pelo novo coronavírus.

As tentativas de intimidação contra a CPI não são inéditas, tendo sido iniciadas antes mesmo de sua instalação no Senado Federal. Essa, a exemplo das anteriores, será inócua. Pelo contrário, tais bravatas apenas reforçam que estamos no caminho certo, elucidando a cadeia de eventos que fizeram do Brasil epicentro mundial da pandemia e destruiu milhares de famílias, além de ter jogado o país numa crise econômica e social sem precedentes.

O expediente usado pelas autoridades governamentais em seus depoimentos na CPI da Pandemia – a mentira, falsificação de fatos e distorção de dados – não engana a ninguém, somente reforça a culpa do governo federal na devastação causada pela covid-19 no Brasil e expõe a covardia de seus integrantes. Os responsáveis pelo genocídio do povo brasileiro serão conhecidos, responsabilizados e lembrados pela História como os traidores da nação que são.

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