O feriado de Páscoa é um dos mais importantes dentro da tradição cristã por representar a agonia, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A data simboliza a Semana Santa, quando a cristandade mundial celebra e reflete sobre a passagem do seu salvador pela Terra, renovando votos de solidariedade e obediência aos ensinamentos do Cristo. Independentemente da fé confessada por cada um e cada uma, a mensagem da Páscoa é universal e fala sobre amor, compaixão e renascimento, recado compreensível por qualquer pessoa.

Este é o segundo ano consecutivo – e esperamos que o último – em que celebraremos a data de forma diferente da costumeira. Afinal, a devastação causada pelo novo coronavírus no Brasil segue assustadora, obrigando-nos a reforçar as medidas de isolamento social e evitar aglomerações. O tradicional almoço de família ficará para outra ocasião. E por diferentes razões.

Não somente o problema de saúde pública nos impede de celebramos juntos aos nossos familiares a data. Muitos se foram na pandemia, vítimas da falta de uma ação coordenada de enfrentamento à Covid-19. Outros seguem internados em hospitais lotados, à beira do colapso, sobrevivendo graças à sobre-humana dedicação dos profissionais de saúde. E ainda existem aqueles que não têm o que comer devido a brutal crise econômica associada à pandemia.

A via crucis submetida ao povo brasileiro, resultado direto da negligência do governo federal em assumir suas responsabilidades para com a saúde pública neste grave momento de emergência sanitária, não é mais severa graças a firme atuação do Congresso Nacional em garantir dignidade à população. Do auxílio emergencial às vacinas, diferentes leis buscaram adequar o ordenamento jurídico e impedir que as consequências da pandemia sejam ainda mais devastadoras.

O parlamento é formado por múltiplas forças políticas e todas elas convergiram para assegurar rápida tramitação dos projetos, tendo como objetivo único e imediato a assistência ao povo brasileiro subitamente marginalizado de sua vida cotidiana em função da distopia causada pelo coronavírus. O Congresso Nacional entendeu que este é um momento de união e esforço coletivo para salvarmos vidas. Assim tem trabalhado e assim continuará trabalhando.

Nosso objetivo é assegurar as bases para um recomeço pós-pandemia. O Brasil tem imensos desafios pela frente, a começar pelo controle das contaminações. A economia foi praticamente destruída, a renda do trabalhador despencou, centenas de milhares de empreendedores fecharam suas portas. E apenas juntos reconstruiremos o país.

Neste sentido, a mensagem do feriado de Páscoa é especialmente importante. O coronavírus não faz distinção e as UTI’s lotadas no sistema público e privado de saúde aproximam todos os brasileiros do medo da contaminação e da falta de atendimento nos hospitais. Precisamos, mais do que nunca, uns dos outros para sobrevivermos. O paradoxo destes tempos, em que isolados nos protegemos, não deixa de ser uma ironia com os ensinamentos cristãos celebrados.

A humanidade passa por um ponto de inflexão com a pandemia do novo coronavírus. Uma oportunidade de rever práticas, superar preconceitos e modernizar as relações, de reinventar a experiência humana. A agonia, morte e ressurreição de Jesus, ocorrida há dois mil anos e celebrada desde o início do século II da cristandade, em tempos de Covid-19, é um potente recado da capacidade humana de ultrapassar as dificuldades e recomeçar.

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