A menstruação ainda é motivo de muito tabu em todo o mundo, mas deveria ser encarada como um processo natural na vida de pessoas que menstruam. A forma como cada pessoa é impactada pelo fluxo natural de seu corpo depende de suas realidades e condições socioeconômicas. Algumas crianças sequer conseguem ir à escola durante o período menstrual, o que dificulta a vida acadêmica e, futuramente, profissional.

A pobreza menstrual é classificada pela falta de acesso à educação e à higiene menstrual básica. Em casos mais graves, pessoas precisam recorrer a alternativas improvisadas para conter o fluxo, o que pode ser prejudicial à saúde física e reprodutiva.

Impacto ambiental

Além do impacto na saúde, a falta de acesso a produtos adequados também gera consequências ambientais. Os produtos tradicionais de farmácia representam um desafio ecológico. Compostos majoritariamente por polímeros plásticos derivados do petróleo (polietileno e polipropileno), esses absorventes podem levar até 500 anos para se decompor.

Se todas as brasileiras que menstruam utilizassem apenas descartáveis comuns, seriam gerados cerca de 15 bilhões de absorventes plásticos por ano no país. Além do lixo, o descarte incorreto em vasos sanitários causa entupimentos frequentes nas redes de esgoto.

Quais são as alternativas disponíveis?

A escolha da melhor alternativa depende da realidade e da necessidade de cada pessoa. Atualmente, o mercado e a ciência oferecem diferentes caminhos:

Produtos reutilizáveis: incluem o coletor menstrual (copinho de silicone), calcinhas absorventes e absorventes de pano. São indicados para quem possui acesso a saneamento para lavagem e esterilização.

Absorventes biodegradáveis: uma nova geração de startups, como a brasileira EcoCiclo e a amai, desenvolve produtos feitos de fibra de bambu, celulose, algodão orgânico e bioplásticos. Eles se decompõem em até seis meses e buscam aliar a praticidade do descarte à redução da poluição.

Inovação no descarte: no exterior, já existem marcas como a britânica Fluus, com absorventes que podem ser jogados diretamente no vaso sanitário, pois se decompõem ao contato com a água e o esgoto.

Apesar do avanço, o custo ainda é um obstáculo: absorventes biodegradáveis podem custar até cinco vezes mais do que os convencionais.

Especialistas reforçam que não existe uma solução única, mas sim a necessidade de múltiplas opções que se adaptem ao padrão de vida e à saúde de cada usuária.