Após se recusar a responder às perguntas de uma comissão do Congresso dos Estados Unidos, amparando-se na Quinta Emenda — que garante o direito de não produzir prova contra si mesma —, Ghislaine Maxwell passou a ser alvo dos primeiros rumores de que estaria negociando “limpar” o nome de Donald Trump das acusações de pedofilia, abuso sexual, estupro e até assassinato nas quais o atual presidente estaria envolvido.

Seu advogado, no entanto, já havia deixado claro que Maxwell estaria disposta a cooperar plenamente — inclusive para “demonstrar a inocência” de Trump e Clinton — desde que lhe fosse garantida imunidade ou clemência presidencial.

Ou seja: em vez de colaborar espontaneamente com a busca pela verdade, Maxwell propõe um acordo transacional — uma troca de informações por perdão ou imunidade — no episódio mais imundo da história política e do sistema de justiça norte-americano.

de direita à esquerda: D. Trump, Melania Trump, Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell

Maxwell pode estar apenas jogando seu último trunfo jurídico, numa tentativa desesperada de reduzir sua sentença ou evitar a negativa de um recurso. Oferecer cooperação em troca de imunidade é, em termos técnicos, uma estratégia conhecida no mundo jurídico.

Trump foi citado milhares de vezes — algumas fontes apontam para mais de mil menções, outras para um número ainda maior, em um conjunto massivo de documentos — no contexto da lista compilada pelo FBI sobre a rede de Epstein, que incluiria crimes como pedofilia, canibalismo, estupro, tráfico de pessoas, assassinato e até a produção de vídeos snuff (registros audiovisuais de crimes reais).

Os arquivos documentam interações entre Trump, Jeffrey Epstein e a socialite Ghislaine Maxwell, incluindo visitas à residência do magnata.

de direita à esquerda: D. Trump e Ghislaine Maxwell, numa das dezenas de fotos que existem deles juntos

Há também anotações do FBI sobre uma mulher que acusou Trump, em um processo judicial, de tê-la estuprado quando tinha 13 anos, além do registro de um interrogatório com uma das vítimas de Epstein, que afirmou que a cúmplice do magnata, Ghislaine Maxwell, certa vez a “apresentou” a Trump durante uma festa.

Aparentemente, os agentes mascarados do ICE, a invasão à Venezuela, as bravatas contra a Groenlândia, as ameaças ao Irã e as palhaçadas diárias ao melhor estilo Bolsonaro não estão conseguindo desviar a atenção da opinião pública do caso Epstein. Trump terá de enfrentar a humilhação pública de negociar com uma pedófila condenada, com uma criminosa que fraudou o fisco dos Estados Unidos, com uma agressora sexual e aliciadora de menores a serviço de Jeffrey Epstein, o mais notório predador sexual de crianças da história recente do país ao norte do continente americano.