Justo quando os arquivos do caso Epstein começaram a ver a luz…
A ameaça à Venezuela serve de cortina para crimes de Trump; o medo existe, mas a América do Sul já resistiu antes.
Justo quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos avisa que irá divulgar material sobre o caso da rede de pedofilia liderada por Jeffrey Epstein — amigo de longa data de Donald Trump, com documentos que comprovam uma relação próxima e encontros frequentes desde o início da década de 1980 —, o presidente dos Estados Unidos, que seria um dos envolvidos nessa rede, decide invadir a Venezuela e chocar o mundo com o sequestro do presidente do país caribenho para ser julgado em Nova York por um suposto tráfico de drogas.
Justo quando circulam rumores de que Donald Trump poderia ser mais uma das tantas celebridades que pagaram para abusar de crianças e cometer um dos crimes mais hediondos que um ser humano pode praticar, todos nos vemos falando de como os EUA pretendem invadir o país e expropriar seu petróleo sob o argumento de estar recuperando um patrimônio que teria sido anteriormente roubado.
De repente, já não falamos da decadência da direita no mundo, da incapacidade de Trump de oferecer uma saída justa para o conflito em Gaza, da brutalidade genocida de Netanyahu, das imagens de milhares de crianças mutiladas pelo exército de Israel. De repente, já não há mais matérias sobre o teatro patético da família Bolsonaro, clamando por uma piedade e por direitos humanos que jamais quiseram garantir a ninguém fora — e, às vezes, nem mesmo dentro — de seu cerco político.
Sumiram também as reportagens sobre os estarrecedores números econômicos da gestão de Javier Milei, que afunda a Argentina em uma recessão e em um avanço da pobreza que remete aos terríveis anos 1990 e à explosão social de 2001.

Assistimos, impávidos, às redes sociais da direita ao redor do mundo explodirem em postagens que glorificam Donald Trump, alçando-o ao posto de guerreiro libertador, paladino da democracia e combatente do narcotráfico. Sim, o mesmo que, em 2002, descreveu o pedófilo Jeffrey Epstein como um “cara sensacional” que gostava de mulheres bonitas, “muitas delas bem jovens”. O mesmo Donald Trump que aparece inúmeras vezes em fotos e vídeos ao lado de Epstein, abraçando-o, sorrindo, conversando com o pedófilo mais conhecido do mundo.
O mesmo Donald Trump condenado por falsificar documentos para ocultar, durante as eleições de 2016, um encontro sexual clandestino e extraconjugal — já que era casado à época — com Stormy Daniels. Trump também foi condenado na esfera civil por abuso sexual e difamação contra a jornalista E. Jean Carroll, por cometer fraude contra a Receita dos Estados Unidos e por tentar alterar o resultado eleitoral na Geórgia.
Donald Trump foi ainda acusado de violência doméstica e abuso sexual por sua ex-esposa, Ivana Trump, em 1990. Ivana afirmou que, em um acesso de fúria após uma cirurgia plástica malsucedida no couro cabeludo, Trump a teria jogado no chão, arrancado tufos de seu cabelo e a forçado a manter relações sexuais.

E falamos da Venezuela, da possível e iminente invasão, da ameaça de que o mesmo seja feito com a Colômbia. E temos medo. Eu tenho medo. Quem sente — assim como sentiram Chávez e como pontuou Simón Bolívar — que existe uma Pátria Grande chamada América do Sul está ferido, furioso e com medo de ver, mais uma vez, a impunidade do império avançar sobre o nosso solo, espalhando terror e tentando dominar uma terra que, por direito, é livre e soberana.
O mundo está com medo. E o medo paralisa, silencia. Mas já passamos por isso antes — e os superamos. O medo precisa ser convertido em impulso de rebeldia. Não: a direita não é liderada por soldados corajosos do bem. No Brasil, a direita é liderada por uma família de milicianos corruptos e sem vergonha; na Argentina, por um psicopata delirante; e, nos Estados Unidos, por um possível pedófilo, abusador sexual, agressor de mulheres, empresário corrupto e disseminador de fake news, entre tantas outras coisas.
Donald Trump, um sujeito repulsivo, acusado dos piores crimes que um ser humano pode cometer, não pode nos fazer esquecer quem ele é por meio de um ataque covarde e desigual contra um país soberano. “Por trás de toda grande fortuna há grandes crimes ocultos”, disse um dos maiores escritores do século XIX. Por sorte, os de Donald Trump estão à plena luz do dia.
Durante quatro anos, Bolsonaro sentiu-se impune para executar um governo desumano; hoje, chora preso e afastado do poder. O destino de Trump não será diferente do de todos os déspotas que a história humana teve o desprazer de testemunhar.