O candidato da esquerda no Peru alcança um lugar no segundo turno graças à apuração do voto rural
Roberto Sánchez, herdeiro político de Pedro Castillo, sobe desde o sexto lugar e desloca o conservador Rafael López Aliaga
O escrutínio das eleições gerais realizadas no último domingo no Peru avança lentamente e mantém o país em suspense. Com mais de 90% das atas processadas pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), o cenário aponta para um segundo turno entre Keiko Fujimori, que lidera com cerca de 17% dos votos, e o candidato de esquerda Roberto Sánchez.
Deputado em exercício e ex-ministro do Comércio Exterior e Turismo, Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, preso desde 2022, protagonizou uma virada significativa ao saltar do sexto para o segundo lugar, alcançando aproximadamente 12% dos votos. A diferença para o terceiro colocado, Rafael López Aliaga, é de pouco mais de 30 mil votos. Analistas atribuem o crescimento à apuração tardia dos votos rurais, historicamente mais favoráveis a candidaturas populares, repetindo um padrão recorrente nas eleições peruanas.


Cenário de polarização
Durante a campanha, Sánchez reforçou sua proximidade com Castillo e prometeu conceder indulto ao ex-presidente caso vença. Castillo, inclusive, pediu votos para o candidato dias antes da eleição. O sistema de contagem, que processa as atas conforme chegam, privilegiando inicialmente áreas urbanas, tem alimentado tensões e mudanças ao longo da apuração.
O ultraconservador Rafael López Aliaga convocou manifestações alegando fraude, sem apresentar provas. Apesar disso, a Missão de Observação da União Europeia afirmou que não há indícios de irregularidades no processo. Especialistas alertam que a disseminação dessas narrativas aprofunda a baixa confiança nas instituições eleitorais. Com o segundo turno se aproximando, o Peru enfrenta um cenário de forte polarização e incerteza política.



