A Defesa Civil de Maceió alerta para a velocidade de afundamento da mina 18, situada abaixo do antigo campo de treinamento do clube de futebol CSA, no bairro do Mutange, sendo de 2,6 centímetros por hora

Foto: Zazo

Moradores dos bairros próximos à mina de exploração de sal-gema da petroquímica Braskem, em Maceió (AL), realizaram um protesto reivindicando um acordo de compensação para a saída de áreas que correm o risco de afundamento. O bloqueio de todas as vias de acesso ao bairro de Bebedouro foi uma forma de expressar a insatisfação da comunidade com a decisão da prefeitura, que busca realocar as pessoas para escolas, e impõe barreiras para o pagamento de aluguel social ou indenização real. Os alertas sobre o afundamento são de 2019.

A Defesa Civil de Maceió alerta para a velocidade de afundamento da mina 18, situada abaixo do antigo campo de treinamento do clube de futebol CSA, no bairro do Mutange, sendo de 2,6 centímetros por hora, representando um risco iminente de colapso. A área de cratera pode ser igual a do estádio Maracanã, no Rio de Janeiro.

Desde 2019, as comunidades dos Flexais, onde cerca de 3 mil pessoas residem, encontram-se socialmente isoladas após o deslocamento de cinco bairros vizinhos.

O líder comunitário, Maurício Sarmento, denuncia a ausência de um plano para a retirada dos moradores das comunidades de Flexal de Cima e Flexal de Baixo, alegando tratamento diferenciado por parte da prefeitura e da Braskem em comparação a outras áreas afetadas, apontou a Agência Brasil. A informação foi confirmada pela NINJA, que esteve na região na última sexta-feira (1º), e acompanha de perto a escalada de afundamentos.

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“Não aceitamos esse racismo ambiental. Sem água, sem acesso. Não se pode dar tratar tratamento diferenciado para áreas afetadas. O crime precisa ser punido”, disse um líder comunitário.

Moradores, como Malbete dos Santos Correia, destacam a disparidade de tratamento em relação a outros bairros afetados. Ela expressa sua preocupação em encontrar soluções habitacionais, destacando as condições precárias atuais e rejeitando a ideia de alojamentos públicos oferecidos pela prefeitura.

Em resposta, a Prefeitura de Maceió alega ter disponibilizado abrigos emergenciais diante do risco iminente de colapso da mina, buscando apoio do governo federal para garantir moradias à população desalojada. A Braskem afirma estar implementando medidas socioeconômicas para restabelecer a dinâmica da região, mas a comunidade insiste em sair com dignidade e receber indenizações justas.

Devido às manifestações, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos de Maceió interrompeu temporariamente a operação dos trens e VLTs, causando impactos na mobilidade da região.

O afundamento do solo em Maceió, capital de Alagoas, é um desastre ambiental que vem causando danos irreparáveis à cidade. O problema, causado pela extração de sal-gema em excesso pela empresa Braskem, já afetou mais de 55 mil pessoas e desocupou mais de 14 mil imóveis.

Falta de medidas urgentes

Desde que o problema de afundamento foi denunciado em larga escala, em 2018, a NINJA tem se posicionado de forma crítica em relação ao crime ambiental, e compartilha posicionamento de moradores atingidos. Os veículos de comunicação independentes têm destacado a responsabilidade da Braskem pelo desastre e a falta de medidas urgentes por parte das autoridades para resolver a situação.

Em 2023, a Mídia NINJA denunciou que a Braskem não cumpriu as exigências do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Ministério Público Federal. O TAC previa a adoção de medidas para mitigar os efeitos do afundamento, mas a empresa não teria executado todas as obras previstas.

A reportagem também destacou a situação de vulnerabilidade dos moradores dos bairros atingidos pelo afundamento. Muitos moradores ainda não receberam indenizações da Braskem e estão vivendo em condições precárias.

Outro veículo de comunicação independente que tem se posicionado de forma crítica em relação ao afundamento de Maceió é o site The Intercept Brasil e o ICL Notícias. Em uma reportagem publicada em dezembro de 2023, o site revelou que a Braskem sabia dos riscos de afundamento do solo desde a década de 1980.

A reportagem também mostrou que a empresa tentou ocultar as informações sobre os riscos do afundamento dos órgãos públicos e da população.

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