Conheça a proposta organizativa do MPA para enfrentar a crise social e sanitária causada pela Covid-19

Por Bruna Távora e Victória dos Santos, pela Brigada de Comunicação Popular do MPA-RJ

Na época da Covid-19, um conjunto diversificado de organizações da sociedade civil iniciou campanhas de arrecadação de alimentos. Até mesmo empresas que têm práticas predatórias em relação à vida humana, tem aproveitado o momento de vulnerabilidade social para projetar campanhas de caridade.

No entanto, além de reforçar uma bioprogramação alimentar das populações, doando industrializados e processados, e ajudando a acelerar as mercadorias do agronegócio nesse momento da crise, essas ações ocultam a responsabilidade do estado em realizar um Plano Safra Emergencial que possa, de fato, mitigar nacionalmente o problema da fome no Brasil.

Em oposição a esse tipo de iniciativa, o MPA tem somado esforços para fomentar nacionalmente os Comitês Territoriais de Solidariedade, que organizam o povo para operacionalizar a campanha Mutirão contra a Fome . Assim, articulam o enfrentamento da carestia, com o estímulo aos valores de solidariedade de classe e organização popular.

Deste modo, espera-se que, “além de garantir a distribuição de alimentos agroecológicos, criemos espaços de diálogo e debates políticos fortalecendo os processos organizativos entre os movimentos sociais e territoriais do campo e da cidade. Afinal, o sentido da nossa solidariedade não é doar o que sobra, e sim doar aquilo que também necessitaríamos. É tempo de refletir sobre o que é solidariedade! Nossa principal tarefa é a luta pela vida” destaca a coordenadora nacional do MPA, Rafaela Alves

O comitê é formado pelo conjunto de militantes e ativistas que operacionalizam a distribuição da comida em territórios determinados e busca consolidar o vínculo e a unidade entre as organizações, possibilitando a construção de ações permanentes ao longo da época do isolamento social.

Nesse sentido, mais do que uma ação pontual de doação de comida, as iniciativas fortalecem uma instância de encontros, debates e aproximações. De acordo com a coordenadora estadual do MPA pelo Rio de Janeiro, Leile Teixeira, os Comitês de Solidariedade podem assumir formas diversas e ser organizados nos mais diversos lugares, a depender da realidade de cada território.

“Eles podem e devem expressar a diversidade das experiências organizativas de cada território e região. Nos locais onde já existem ações de movimentos e instituições, o MPA fortalece e apoia as atividades locais. Afinal, é quem está no território, que conhece e pode indicar as famílias que estão em maior estado de vulnerabilidade social. É gente que se conhece, que sabe quais são as condições de vida, sabe quem está desempregado e precisa que esse alimento chegue até a mesa” destaca a coordenadora Estadual pelo MPA no Rio de Janeiro, Leile Teixeira.

Outra dimensão do Comitê é a dimensão da comunicação, levando em conta a importância em fazer a batalha de ideias, e apresentando, de maneira explícita,  a perspectiva e o projeto político do MPA.

Max Alvim, cineasta, reforça: “o sentido político das ações dos comitês precisa chegar aos corações e às mentes ao maior número de brasileiros e brasileiras. Precisam chegar com mensagens claras e propositivas no sentido de um país mais justo pelo qual lutamos, e essa luta precisa ser conhecida”.

Nesse sentido, mesmo onde a comunicação não chega por meio das redes sociais, o MPA busca criar estratégias para efetivar a comunicação e fazer o alimento chegar juntamente com as ideias do projeto Precisamos construir as formas máximas que pudermos, e construir isso de forma criativa. Onde não conseguimos chegar com o texto escrito, devemos produzir teatros gravados, fazer cordel, articular via comitês locais, a internet compartilhada. Se comunicando com aqueles que sabem ler, com aqueles que não sabem, criando linguagens para nos comunicar com todos aqueles que precisam receber nossas mensagens. O alimento é o elo fundamento da nossa comunicação”comenta Rafaela.

Alimentos e ideias de um projeto popular para o Brasil fazem parte do que o MPA pretende consolidar com a campanha Mutirão contra a Fome, através dos Comitês Territoriais de Abastecimento.

Sindicato dos Petroleiros, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Comissões Pastorais, Associações de Moradores, Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE,  Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia – APUB, são algumas das organizações que já se somaram em unidade com o MPA,  garantindo uma saída coletiva para o projeto da fome, que assola as periferias urbanas do Brasil.

Além disso, a construção desse Sistema de Abastecimento Popular de alimentos, tem acelerado a distribuição da comida dos agricultores – que têm sofrido com a diminuição de feiras – fortalecendo a transição agroecológica das unidades produtivas.

Nem caridade nem Vingança, é luta popular organizada!

 

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