Por Frei Sérgio Görgen

O Programa de Biocombustíveis da Petrobrás iniciou ainda no ano de 2003. Tinha como objetivos, entre outros, inserir o país num novo ciclo de combustíveis, inserir a agricultura camponesa familiar como protagonista no  processo, desenvolver novas tecnologias para aproveitamento múltiplo de matéria primas, equilibrar produção de energias da biomassa com produção de alimentos e preservação ambiental, gerar empregos e combater desigualdades regionais investindo em regiões do país com necessidade de aportes de recursos e investimentos para o desenvolvimento social e econômico local.

Esta política orientou, inclusive, as primeiras plantas de produção de biodiesel da Petrobrás no Ceará, norte de Minas e Bahia.

Posteriormente a Petrobrás criou a Petrobras Biocombustíveis (Pbio), com caráter e afinidade para atuar só no ramo dos biocombustíveis.

No início da existência da Pbio a empresa fez um esforço significativo para continuar cumprindo os objetivos traçados no princípio do processo, mas aos poucos foi se voltando exclusivamente à lógica competitiva de mercado, deixando de lado o estímulo à agricultura camponesa familiar, fazendo aliança com setores poderosos do agronegócio e usando como matéria prima, quase que, unicamente, a soja.

Com a descoberta do Pré Sal, é verdade, os biocombustíveis perderam o seu encanto estratégico.

E por fim vieram os ataques ferozes da Lava Jata e da burguesia do setor petróleo internacional que a comandava, e a Petrobras passou a ser atacada em todos os terrenos, visando destruir nossa soberania sobre nossas fontes múltiplas de energia.

Porém, o mais importante e por esforço dos trabalhadores, a Pbio sobreviveu e seu papel histórico e estratégico para o futuro é fundamental. Não há como negar: o petróleo e seus derivados são energias do passado, com passivos ambientais pesados e serão cada vez mais questionados. A Petrobras precisa ter dois pés: um no passado ainda presente e outro no futuro que se deslumbra aos poucos. O Brasil é um dos poucos países do mundo com estas potencialidades.

Evidente que num novo governo democrático a Pbio terá que passar por uma reestruturação.

Mas o desafio agora é preservá-la pública para que possa cumprir seu papel no futuro próximo.

Por isto, NÃO à privatização da Pbio.

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