Utilizando um aplicativo chamado Voxer para alterar a forma como conteúdos são compartilhados na plataforma, o movimento burlou as regras do próprio Facebook e pode ter complicações legais, levando em conta as legislações brasileiras de liberdade de expressão e de direitos do consumidor.

Na página da empresa Voxer os serviços ilícitos são anunciados abertamente, oferecidos como ferramentas de marketing sem qualquer escrúpulo:

Captura de tela do Site Voxer.online – responsável por oferecer os serviços ao MBL. Sua página ficou fora do ar minutos antes da publicação dessa reportagem, com o texto: Muitas visitas, tente mais tarde.

O esquema funcionava da seguinte maneira: O MBL enviava uma mensagem apelativa para seus seguidores, afirmando que o “Brasil Precisa de Você” e os convencendo a autorizar até duas postagens por dia em sua linha do tempo pelo movimento. Um verdadeiro cheque em branco.

Depois disso, o MBL ganhava poder de escolher postagens para compartilhar diretamente na página dos usuários, sem seu consentimento quanto ao seu conteúdo específico, e definindo inclusive o texto pessoal de cada usuário – algo inédito até o momento no jogo dos aplicativos sociais.

Entre os dias 16 e 28 de março, cerca de 400 perfis compartilharam 16 postagens de forma idêntica. Entre elas, uma com a mensagem “Lula na cadeia!” e um vídeo sobre Lula com a legenda: “Você é a favor da prisão em segunda instância?”. A resposta foi publicada pelo Voxer de forma automática no perfil dos seguidores: “SIM!!” – todas as reproduções tinham as letras maiúsculas e as duas exclamações no final.

Temeroso da gigante repercussão negativa do caso Cambridge Analytica por todo mundo, o Facebook rapidamente desativou o Voxer.  “O aplicativo Voxer foi removido por ferir nossas políticas para desenvolvedores, que visam garantir a privacidade e proteger os dados das pessoas”, afirmou o Facebook ao Globo.

A decisão de derrubada do Voxer pelo Facebook abre um importante precedente na batalha contra as fake news no Brasil, que pode desembocar na remoção completa das páginas do MBL da plataforma.

O MBL foi o maior responsável pela tentativa de destruição da reputação da vereadora Marielle Franco, assassinada em março no Rio de Janeiro, difundindo notícias falsas em seu site Ceticismo Político que a acusavam de ter envolvimento com o tráfico de drogas.

A pergunta que não quer calar: Os boatos sobre Marielle, publicados pelo MBL e posteriormente apagados, foram impulsionados pela Voxer?

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Informações da reportagem de Gabriel Cariello e Marco Grillo do Globo.