Montes Claros é uma cidade-pólo do norte de Minas Gerais, com mais de 400 mil habitantes. Situada na bacia do Rio São Francisco, é tida como centro comercial e de serviços pelas cidades do alto curso do Rio Jequitinhonha.

A região de Montes Claros tem um relevo ondulado, pouco propício à mecanização agrícola. Mantém uma população rural numerosa, distribuída por vários distritos. A vegetação é um mosaico de formações de cerrado e de caatinga. Apesar do clima seco, há uma farta variedade de formas nativas de vida, que combina com uma cultura popular exuberante.

É neste ambiente que a Articulação Rosalino Gomes promove uma campanha para a criação do Museu Vivo dos Povos Tradicionais de Minas Gerais. A proposta é reunir e dar visibilidade aos saberes tradicionais dos índios Tuxá e Xakriabá, dos quilombolas e das comunidades extrativistas da região, como geraizeiros, caatingueiros, vazanteiros, veredeiros e apanhadores de flores “sempre vivas”. Essa articulação formou-se a partir de 2011 para ações e projetos de interesse comum desses povos e o seu nome homenageia Rosalino Gomes, líder Xakriabá assassinado por fazendeiros da região.

O projeto do Museu Vivo é da Articulação, que reúne os povos tradicionais, grupos de pesquisa, pastorais e organizações locais, e é formalmente acolhido pelo Centro de Agriculturas Alternativas do Norte de Minas (CAA NM). Será instalado no Solar dos Sertões, um casarão colonial tombado pelo patrimônio histórico e que integra o conjunto arquitetônico da Praça Doutor Chaves, no centro de Montes Claros.

Braulino Caetano Santos, diretor do CAA NM, explica que o casarão foi adquirido com a intenção de ser um lugar para “dar visibilidade aos povos que sempre viveram escanteados e que vai abrigar o centro de documentação e história oral, biblioteca regional, auditório e o Empório Sertão”, gerido pela Cooperativa Grande Sertão, que será um espaço permanente de exposição e comercialização de pratos típicos, artesanatos, lanches, sucos de frutas nativas e de promoção de valores da gastronomia sertaneja, patrimônio cultural dos povos e comunidades da região.

A metodologia proposta para dar vida ao Museu Vivo é promover um encontro geracional entre jovens comunicadores populares das comunidades e os guardiões e as guardiãs dos saberes tradicionais, para a produção de conteúdos, a gestão do acervo e dos seus espaços virtual e físico do Museu Vivo. Assim, as comunidades poderão fazer uso on-line desses recursos e participar do processo contínuo de auto registro dos bens culturais, contribuindo com o mapeamento dessa rede de governança e gestão do território. Apoiador do projeto, Luciano Dayrell explica que “se pretende que esse processo estabeleça o engajamento da juventude e de lideranças tradicionais de notório saber, tornando-se de extrema relevância para criação futura de novas oportunidades em território rural, fortalecendo a indústria criativa onde ela está, mitigando a migração forçada para as cidades e, em consequência, a pobreza”.

Sonho antigo, o Museu Vivo está sendo viabilizado agora com o edital do Programa Matchfunding BNDES – Patrimônio Cultural (Ano 2020 – EDITAL SITAWI No 01/2020), lançado em 2020, que contemplou a proposta para a etapa da campanha de financiamento coletivo, de forma que para cada R$ 1 doado, o BNDES investe mais R$ 2, de modo que o projeto receba R$ 3 ao final, com valor triplicado. Caso a meta não for atingida, as doações serão  devolvidas.

Você pode ajudar a dar vida ao Museu Vivo, compartilhando o vídeo da campanha e fazendo uma doação até 25 de fevereiro, por meio do link: benfeitoria.com/museudospovosdemg.

O projeto do Museu Vivo dos Povos Tradicionais de Minas Gerais enche de esperança os corações dos brasileiros que desejam um futuro fraterno, de respeito e promoção da diversidade, nossa maior riqueza.

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