Cataratas do Iguaçu, em junho de 2021. Foto: Carlos Labanca

Enquanto ocorre no Rio Negro (AM) a maior cheia da história, o centro-sul do país adentra o que pode ser a maior seca – ou falta de água – da história. Os reservatórios da bacia platina estão se esvaindo, enquanto acirra-se a disputa entre os vários usuários: irrigação, geração de energia e abastecimento urbano, além da sobrevivência dos animais e demais seres vivos.

O governo faz de conta que se trata de um fenômeno natural, efeito do “La Niña”, que, no discurso oficial, é uma maldade divina. Até a mudança climática, que resulta da excessiva emissão de gases estufa na atmosfera por força da ação humana, inclusive a destruição das florestas, nascentes e cursos d’água, vira cortina de fumaça.

A mais deslumbrante exposição das entranhas das águas, as Cataratas do Iguaçu, nos expõe, nesses dias, as nossas próprias entranhas.

Agora

Enquanto isso, pode ser votado no plenário da Câmara dos Deputados o projeto de lei 984/2019, do deputado Vermelho (PSD-PR), que autoriza a reabertura de uma rodovia para atravessar o trecho mais sensível do Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as Cataratas, onde vivem espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada.

Não poderia haver um exemplo mais eloquente da cegueira assassina que machuca a alma e a obra de supostos representantes: sem água e sem noção!

Cataratas do Iguaçu em sua vazão normal. Foto: Rodrigo Soldon

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