PRF atua em bloqueio na rodovia de acesso ao aeroporto de Guarulhos (SP) | Reprodução das Redes Sociais

 

O desempenho criminoso da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no dia 30, durante a votação no segundo turno das eleições e nos dias seguintes, dão uma contundente demonstração do absurdo grau de instrumentalização política das instituições de Estado pelo presidente Jair Bolsonaro.

A PRF subverteu a sua obrigação legal de garantir a segurança do trânsito nas rodovias federais e prestou-se a bloquear o acesso dos eleitores às seções de votação, em especial na região Nordeste, onde Lula venceu o pleito. Há indícios que deveriam ser urgentemente apurados de que a operação para dificultar o exercício do direito de voto teria sido determinada pelo ministro da Justiça, Anderson Torres, por ordem de Bolsonaro.

Denúncias de obstrução ao direito de voto de eleitores supostamente de Lula não foram isoladas, mas pipocaram de vários lugares, o que supõe uma orquestração. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, teve que intervir, determinando a suspensão das operações de bloqueio. O diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, foi até o TSE para dar explicações.

Diante da informação de que os eleitores afetados, apesar dos atrasos, puderam chegar aos seus destinos a tempo de votar, Moraes evitou tomar decisões mais drásticas, como a de prorrogar o horário de votação, que pudessem atrasar a apuração dos votos, ou gerar pretexto para algum eventual questionamento do resultado.

Pode ter sido a decisão mais sábia e prudente, mas a informação de que todos os envolvidos teriam votado não é passível de comprovação imediata, pois ocorreram centenas de obstruções e milhares (ou milhões) de afetados. Assim como é difícil avaliar e comprovar a influência da ação da PRF no resultado eleitoral.

Bloqueio em rodovia pede golpe militar | Reprodução das Redes Sociais

 

Corpo mole

Uma vez proclamados os resultados do pleito, grupos radicalizados de eleitores inconformados com a derrota de Bolsonaro deram-se ao direito de interditar estradas, em vários estados, para reivindicar um golpe de Estado. Após dois dias de silêncio do presidente, ele foi pressionado por ministros e militares a dizer alguma coisa, pois os atos golpistas alimentados pelo seu silêncio, que criaram transtornos para as pessoas, passaram a dar prejuízos à produção e aos serviços, também afetando empresários que o apoiaram.

Também circularam nas redes vídeos mostrando policiais rodoviários dizendo aos golpistas que “a ordem que temos é para ficar ao lado de vocês”. Fato é que, horas depois, apenas uma pequena parte dos bloqueios foi desfeita. A PRF operou em câmera lenta, dando tempo e espaço para as obstruções permanecerem. Empresas de transportes suspenderam viagens, voos foram cancelados, doentes deixaram de ser transportados e o abastecimento de combustíveis, alimentos e outros produtos começou a afetar algumas regiões. Ironicamente, prejudicando mais a população de regiões em que Bolsonaro venceu.

Os bloqueios de estrada só recuaram após a autorização explícita do Supremo Tribunal Federal (STF) para que as Polícias Militares os reprimissem. Houve casos de bloqueios desfeitos, na porrada, pelos próprios usuários das rodovias, revoltados com os prejuízos causados e com a leniência da PRF. Certamente foi a situação mais criminosa, deplorável e vexaminosa da história da PRF. Vergonha!

É claro que Bolsonaro é o principal responsável, mas Anderson Torres também deveria ser processado. Silvinei e outros crápulas, que ora dirigem a PRF, além de exonerados, deveriam ser expulsos da corporação que, por sua vez, merece uma reestruturação para que volte a cumprir com a sua função legal de zelar pela segurança das rodovias e pelo direito de ir e vir dos usuários.

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