Dados atualizados de 18 de maio de 2020

Hoje (22) morreram mais 1.001 brasileiros vítimas de Covid-19, totalizando 21.048 vidas perdidas. Se considerarmos os óbitos mais recentes, a linha vermelha do gráfico acima, que representa a escalada da epidemia no Brasil, alcançou a linha azul, relativa aos Estados Unidos, assumindo a liderança mundial no número de mortes diárias. O número total de mortos nos EUA passou de 90 mil na última terça-feira, mas, com a aceleração da epidemia no Brasil, deveremos alcançar esse patamar de óbitos em breve.

Outra variável a considerar nessa contabilidade macabra é a subnotificação dos casos, que ficam excluídos dos números oficiais. Ela se apresenta de várias formas, inclusive inchando as estatísticas de outras doenças respiratórias. Nos EUA, assim como no Brasil, para citar apenas um exemplo, há omissão flagrante sobre o que ocorre nos presídios.

A subnotificação é tanto maior quanto menor tenha sido o número de testes para detecção do vírus na população. Ela distorce o conhecimento sobre a epidemia e desorienta as ações em seu combate. Nesse quesito, a situação do Brasil também é lamentável. Segundo dados oficiais de 79 países, compilados pela Universidade de Oxford no Reino Unido, o Brasil está em 60º lugar na quantidade de testes realizados em proporção à população total, atrás dos países asiáticos, europeus e dos EUA, mas também da Argentina, Paraguai, Chile e Cuba.

Em campanha reeleitoral, Donald Trump manipula ideologicamente a pandemia para atacar a China e dissimular a sua própria incompetência diante da crise. Também lhe interessa promover Bolsonaro como vilão mor planetário em seu lugar. Para humilhar o Brasil, o governo dos EUA anunciou, em 19/05, um “plano de auxílio adicional” de US$ 3 milhões, ou R$ 17 milhões, para realizar um maior número de testes no Brasil. Trump disse também que reduziria taxas caso o país queira comprar respiradores produzidos pela indústria norte-americana em vez de importá-los da China.

Trump e Bolsonaro têm em comum o desprezo pela vida. Aliás, o presidente dos EUA disse que tem tomado cloroquina preventivamente, o que nem Bolsonaro sonhou fazer. Ambos amam fustigar a China, com a diferença que ela é a maior concorrente dos norte-americanos, enquanto é para nós a maior parceira comercial. Mas Trump é menos suicida e mais dissimulado quando a morte anda por perto.

Como se sabe, a mortalidade estende-se pelas periferias e alcança as fronteiras, vitimando, principalmente, velhos, pobres e negros. Mas ninguém está ileso ao contágio e à virulência do vírus. Até os palácios de Brasília e as falanges bolsonaristas estão infectados. Testou positivo o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, parceiro ativo do presidente no boicote às medidas de isolamento social. Os 300 caminhões que engrossariam a carreata pró-Bolsonaro e contra a democracia, no último domingo, porque o seu “comandante”, um militar da reserva, foi parar numa UTI por Covid-19. Outro exemplo é o de Sargento Silvano, vereador do PSD em Belém (PA) e bolsonarista de raíz até domingo passado, quando seu pai, um aposentado de 65 anos, somou-se às vítimas da epidemia. Ele, a mulher, o filho e outras dez pessoas da família contraíram o vírus. Antes era ativo militante contra o isolamento, mas mudou completamente de posição: “isso não é uma gripinha (sic), como disse o Bolsonaro. O presidente mente para o povo brasileiro. Bolsonaro perdeu o meu respeito! Falo de tudo que tenho sofrido com minha família nesses últimos dias”.

Ao promover e comparecer a aglomerações nas ruas, Bolsonaro também promove a contaminação dos próprios seguidores e dos seus familiares. Enquanto o Brasil chorava mais de mil mortos, Bolsonaro vestiu uma camisa do Vasco da Gama para fomentar a reabertura dos estádios e a retomada dos jogos de futebol. Donald Trump e outros presidentes dão vexames no enfrentamento à pandemia, mas nenhum dirigente se equipara ao Bolsonaro na disseminação deliberada do terror.

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