Charge: Jota Camelo

Em breve, o STF vai definir se mantém a farsa jurídica contra o presidente Lula ou se cumpre sua missão de zelar pela justiça no país, anulando a perseguição perpetrada por Moro e seus cúmplices.

Difícil saber o resultado dessa questão. O Brasil é um país complexo, com muitos fatores e muitos protagonistas em cena. E tudo está se movendo, em crise.

A pandemia continua matando milhares de pessoas por dia e, até hoje, sem um enfrentamento eficiente e eficaz por parte do governo Bolsonaro; o agravamento da crise econômica; a crise social, com empobrecimento e fome como perspectiva para muitos brasileiros e brasileiras; o agravamento da crise política com redução do apoio ao governo; o isolamento internacional do país etc…

Não é possível olhar a realidade como se estivéssemos mirando uma fotografia estática. O otimismo e o pessimismo se constituem em erro, exatamente porque escolhem uma possibilidade e se aferram a ela.

Além disso, não podemos em nenhuma hipótese e, mesmo se fosse impossível modificar a realidade, aceitar a manutenção da injustiça com Lula.

A farsa da condenação de Lula não passa de uma tutela sobre a nossa democracia por parte das nossas elites econômicas e do sistema que lhes serve.

Como se estivessem dizendo de antemão o que pode e o que não pode. Pode centrão, pode FHC, pode Roberto Jefferson, pode corrupção, pode o recém eleito presidente da Câmara condenado na segunda instância, pode Aécio Neves, pode Temer, Bolsonaro também, pode tudo e todos.

Só não pode mexer com os interesses das elites.

E, além da incompatibilidade com a democracia, nossas elites querem por que querem destruir o Estado nacional, vender nossas riquezas, anular os direitos sociais e outras vilanias e ainda não terminaram o serviço sujo.

Por isso Bolsonaro ainda é útil.

Lula é o projeto que eles não querem. Lula é soberania brasileira nas relações internacionais, Lula é justiça social, democracia e respeito às instituições.

Lula significa direitos de todos reconhecidos pelas instituições e relações sociais baseadas no respeito mútuo, na aceitação da diversidade, na liberdade de expressão e no acesso pleno à cultura.

Não vai ser fácil que a justiça seja feita e que as condenações de Lula sejam anuladas a tempo dele poder ser candidato à presidência do país.

Isso só acontecerá se a sociedade mostrar os dentes, se disser de mil maneiras que não aceitamos essa injustiça e que sabemos porque Lula está sendo injustiçado.

Temos que lutar para isso acontecer, fazer manifestações sabendo que não vão entregar o ouro assim facilmente.
E, se já é do conhecimento de todos que a condenação de Lula foi uma farsa, ainda não temos pressão suficiente na sociedade para obrigá-los a fazer justiça.

Quando Lula faz esse movimento de indicar Haddad, ele está dizendo isso, que ele também sabe que dificilmente vão fazer justiça sem uma pressão da sociedade e uma mobilização da cidadania, e na sua sabedoria, Lula sinaliza a necessidade de um plano B, sem no entanto admitir a possibilidade de naturalizar a injustiça.

Agora é urgente e necessário ir pra cima, mostrar que é inaceitável a farsa que montaram para tirar Lula do páreo.

Uma frente democrática terá que sinalizar a não aceitação dessa interdição ao ex-presidente e ao que essa injustiça representa para ele e para a sociedade brasileira.

É chegada a hora de se debruçar sobre as alianças e o programa. Temos um caminho a percorrer, como a Argentina, a Bolívia e agora o Equador tiveram que percorrer para vencerem os golpes semelhantes perpetrados nesses países para restabelecer a democracia e afirmar os interesses nacionais.

Brasil, não temos tempo a perder!

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