Que a extrema direita, no Brasil e no mundo, não passa de uma gangue de assassinos, burros e ladrões, que usam falsos discursos moralistas para acaparar o poder, já é notícia velha. Além da destruição dos direitos civis, trabalhistas, da perseguição contra comunidades minoritárias, dos saques às economias regionais e soberanas de cada país, a extrema direita, sempre que pode, perpetrou os piores massacres contra os povos originários. Historicamente foi assim, e assim continuará, sempre que tenham um mínimo de poder institucional em qualquer país do mundo. E o governo de Jair Bolsonaro, nos quatro anos que durou, foi mais um episódio nesse histórico nefasto de governos conservadores que odeiam os setores populares.

O relatório anual do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), divulgado na quinta-feira (27), comprova que, nos últimos quatro anos, a violência se multiplicou exponencialmente: 795 indígenas foram mortos, 180 deles em 2022.

O relatório anual do Conselho Indigenista Missionário vincula o aumento da violência ao desmantelamento das políticas indigenistas e à retórica do ex-presidente de extrema direita. Com quase 300 páginas, esse é o documento mais completo publicado anualmente no Brasil sobre a violência contra os povos indígenas.

O lançamento do relatório foi realizado na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e contou com a presença de lideranças indígenas e representantes da CNBB e do Cimi, como Ricardo Hoepers, secretário geral da CNBB, Roque Paloschi, presidente do Cimi e arcebispo de Porto Velho, entre outros participantes.

Segundo o texto, em primeiro lugar estão os estados de Roraima e Amazonas, áreas da Terra Indígena Yanomami (TIY), onde ocorreram 208 e 163 casos de homicídios, respectivamente. Mato Grosso do Sul aparece em terceiro lugar com 146 notificações. As três unidades federativas foram responsáveis ​​por 65% de todas as mortes violentas.

Da mesma forma, o Cimi aponta que os maiores índices de suicídio também se localizaram nesses três estados, já que entre 2019 e 2022 um total de 535 pessoas tiraram a vida, 74% delas residindo em Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul.

O aumento dos conflitos por direitos territoriais também foi registrado, especialmente em 2022, quando foram registrados 158 atos violentos e 309 casos de exploração ilegal de recursos naturais, invasões e danos a propriedades indígenas em 218 territórios indígenas de 25 estados do gigante Sul Americano.

Os registros disponibilizados pela Lei de Acesso à Informação revelaram ainda a morte de 835 menores indígenas somente no ano de 2022. Uma das coordenadoras da publicação, Lucía Helena Rangel, revelou que “crianças são as maiores vítimas desse cenário de violência”.

Segundo o relatório, sob a presidência de Bolsonaro, a média de casos registrados de violência contra a pessoa foi de 373,8 por ano, um aumento de 54% em relação aos quatro anos anteriores (nos governos de Michel Temer e Dilma Rousseff), cuja média era de 242,5 casos por ano.

A metodologia do relatório define como casos “violência contra a pessoa”, além de homicídio, abuso de poder, ameaça de morte, outras ameaças, homicídio culposo, lesão corporal, racismo e discriminação étnico-cultural, tentativa de homicídio e violência sexual.

A falta de medidas efetivas para combater esses ataques e proteger os povos indígenas é uma clara violação dos direitos humanos. As comunidades indígenas sofreram não apenas a perda de vidas, mas também a destruição de sua cultura e a exploração de suas terras.

É importante destacar a importância de preservar e respeitar a diversidade cultural e os direitos dos povos indígenas. Essas comunidades têm profundo conhecimento e relacionamento com a natureza e o meio ambiente, e sua preservação é vital para o equilíbrio e sustentabilidade do planeta. É responsabilidade de todos lutar contra a intolerância e a violência contra os povos indígenas e trabalhar juntos para garantir sua proteção e bem-estar.

Jair Bolsonaro, e todos aqueles que participaram dos massacres e saques cometidos contra os povos originários do Brasil devem ser responsabilizados e punidos.

Sempre é bom lembrar que os chamados “indígenas” são os guardiões naturais dessas terras que habitamos, sendo detentores naturais. Sempre foi assim até que o processo de apriopriação ilegal de territórios, chamado de “colonização”, aconteceu em toda América, criando esse contexto hostil e desumanizante para os povos que habitam esse território há milênios.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

FODA

Qual a relação entre a expressão de gênero e a violência no Carnaval?

Márcio Santilli

Guerras e polarização política bloqueiam avanços na conferência do clima

Colunista NINJA

Vitória de Milei: é preciso compor uma nova canção

Márcio Santilli

Ponto de não retorno

Márcio Santilli

‘Caminho do meio’ para a demarcação de Terras Indígenas

Dríade Aguiar

Não existe 'Duna B'

SOM.VC

Gatunas: o poder da resistência e da representatividade na cena musical Paraibana

Jade Beatriz

CONAE: Um Marco na Revogação do Novo Ensino Médio

Ediane Maria

O racismo também te dá gatilho?

Bancada Feminista do PSOL

Transição energética justa ou colapso socioambiental: o momento de decidir qual rumo seguir é agora

Jandira Feghali

O Rio que ri

Márcio Santilli

Bolsonaro lança campanha pela própria anistia

Estudantes NINJA

A luta pela educação em São Paulo: contra os cortes e os inimigos da educação!

William Filho

Legalização da maconha na Alemanha: o início de uma nova onda?

André Menezes

Os sons dos vinis: um papo com Dj Nyack, diretamente da Discopédia