Fotos: Midia NINJA

Quem viu o primeiro debate na Bandeirantes com os candidatos a prefeitura do Rio na sexta-feira dia 01/10? Foram 11 candidatos! Duas mulheres negras, Benedita da Silva e Renata Souza brilharam. Bené é uma mulher cuja trajetória, vida e carreira públicas são uma ode de como atravessar o mar de lama da política carioca. É o que de melhor o Brasil produziu: mulheres negras que enfrentam racismo e corrupção dentro de um ambiente tóxico. Bené é gigante por ter entrado no Palácio das Laranjeiras e não ter saído para Bangu (o presídio mesmo!). Que privilégio termos Bené candidata!

Benedita é negra, mulher, mas também evangélica, por isso fala para Crivella com toda altivez quando o bispo-prefeito colocou um aparelho de tomografia dentro de uma Igreja da Universal do Reino de Deus, onde a comunidade não tem acesso, ao invés de instalar em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) ou qualquer lugar público: “Temos que ter um estado laico, onde nós possamos agir como gestores públicos. E não confundir o púlpito com palanque político”, disse Benedita. Só as mulheres negras para falar para o atual prefeito Crivella sobre as mortes dos pobres por Covid no Rio.

O ethos fundamentalista de Crivella (“nossa candidata Benedita esqueceu os princípios bíblicos”) foi ainda mais pesado contra Renata Souza, uma extraordinária liderança das favelas que encanta e nos dá esperanças, uma mulher negra vinda das sementes plantadas por Marielle Franco e que manda o rap, fala reto, de forma firme, combativa, consistente. Renata empolga!

Crivella ressuscitou o “kit gay” (requentando a quentinha bolsonarista das eleições presidenciais) para atacar Renata e o PSOL, apelando para a defesa das crianças contra a “ideologia de gênero” nas escolas. Esse discurso ainda cola? Levou um direto de Renata Souza: “Crivella, você deixou as pessoas morrerem sem atendimento nos hospitais, como quer falar de ideologia de gênero enquanto a população está morrendo? Isso é uma vergonha!”

As candidaturas das mulheres negras é onde pulsa um Rio represado que uma hora vai explodir.

E Eduardo Paes? Ajudou a falir o Rio com os megaeventos, ciclovia bilionária desabada, etc, mas dialoga com a cultura e é “o melhor do pior”. Paes fala manso, fala devagar e tem um lado “teflon” e carioca (quase nada cola nele!). Uma característica que a candidata Martha Rocha denunciou: “esse jeito debochado e desrespeitoso, esse jeito malandro de ser, o carioca não aguenta mais”. Se tudo der muito errado tem o Paes, é isso que se conversa no Rio, quando se chega ao pragmatismo dos desenganados políticos.

Mas as candidaturas das mulheres negras é onde pulsa um Rio represado que uma hora vai explodir. Porque o Rio dos esgotos políticos a céu aberto, esse já transbordou. O que é o candidato do Partido Novo? “Fred [Luz], você vem com essa casca de partido Novo, mas na verdade você é um machista que gosta de menosprezar a história das mulheres”, lembrou a candidata Clarissa Garotinho, que fez uma fala se eximindo da culpa de ser quem é: filha das castas políticas que constroem mandatos familiares passando por mil partidos, alianças, conchavos sem qualquer coerência, tendo os sobrenomes familiares como capital. Eis uma parte do casting eleitoral no Rio. Como vamos sair desse buraco e ethos miliciano-fundamentalista?

Vote em mulheres negras em todos os níveis e instâncias possíveis e em homens que possam apoiá-las e respeitá-las, ou em todos que entenderam que hoje é antidemocrático, “antiecológico”, é tóxico, é fatal, manter os homens brancos milicianos-fundamentalistas-liberais no topo da cadeia alimentar da política.

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