Por Isaac Urano

Em O Homem e Seus Símbolos, Jung parte de uma distinção fundamental dentro do estudo do inconsciente: o símbolo não é signo. O signo, como mencionado em outros textos, aponta para algo conhecido, mas o símbolo aponta para algo que “implica alguma coisa vaga, desconhecida ou oculta para nós” e que, quando o nosso inconsciente o explora, “é conduzido a ideias que estão fora do alcance da nossa razão”. Essa distinção importa porque o inconsciente não se comunica por conceitos; ele se comunica por imagens, e essas imagens chegam antes que a consciência as processe. É onde realmente o simbólico, que tanto lemos hoje nas adjetivações, é estabelecido, fora do pensamento racional. O símbolo vivo é sempre o que excede a leitura, o que não se fecha, e o que nos torna e retorna.

Aniela Jaffé, no mesmo livro, estende esse argumento para as artes visuais. Ela escreve que “com sua propensão a criar símbolos, o homem transforma inconscientemente objetos ou formas em símbolos”. A pedra bruta, o animal, o círculo, esses motivos que percorrem a história da arte desde as cavernas paleolíticas até a escultura moderna em um contexto traumático, são reflexos estéticos. Jaffé observa que os artistas modernos, ao promoverem o objeto ordinário e a matéria bruta ao estatuto de arte, estavam “projetando suas próprias trevas, sua sombra terrestre” sobre essas coisas, muitas vezes sem saber. A matéria densa, o entulho, o fragmento, carregam o que Kandinsky chamou de “alma secreta das coisas”.

Divulgação / Jorge Silvestre

Em Oração Radical a Tudo Aquilo que é Torto, instalação apresentada no Salão de Abril de 2026, fui levado a encarar minha relação comigo mesmo por muitos minutos, o que, tanto textualmente quanto no plástico, me despertou um estado que misturava euforia e autopercepção. Insiranomeaqui ergue um totem composto de materiais que podemos entender e reconhecer como esses símbolos naturais, aqueles que “desde as mais primitivas expressões da consciência” carregam importância — entendendo “primitivo” aqui muito distante do bárbaro, mais próximo do inconsciente. Mas o que Jaffé lê como uma projeção desse inconsciente do artista sobre a matéria, Insiranomeaqui desenterra para a superfície e opera como escolha epistemológica mais deliberada: cada elemento pertence a um sistema de conhecimento que essa dominação simbólica colonial tentou apagar, nossas percepções aterradas e cosmológicas. O símbolo estava ali, a matéria excedendo a razão, a imagem que chegava antes do conceito, mas o turbilhão que eu sentia era constantemente potencializado por questionamentos. Era “eu”, mas o inconsciente coletivo que o totem convoca não é universal; na verdade, essa questão retornava paradoxalmente à minha relação. Oração Radical a Tudo Aquilo que é Torto não me deixaria esquecer.

É dos corpos que os mapas coloniais nomearam monstros. Monstros que são “ideias que estão fora do alcance da nossa razão”. Insiranomeaqui endereça o mistério; segundo ele, “o monstro é sempre o outro, e o outro é geralmente gente como eu”.

U: Primeiro eu queria deixar um espaço aberto para você se apresentar. Quem é Yvy? E por que Insiranomeaqui?

Y: Bom, acho que, para falar de mim, vou voltar um pouco e falar de “Yvy”, essa palavra bonita com a qual me encontrei na exposição Terra de Gigantes, no MAC Dragão. Foi ali, em meio a tanto a ser dito, que encontrei meu nome em um texto que li, parte de uma instalação que era uma projeção bem bonita de muitas copas de árvores bem frondosas, enquanto no chão havia uma esteira em que a gente poderia se deitar. Enfim, “Yvy” pode ser traduzido como “terra” e, curiosamente, é até uma palavra derivada de um nome que um dia já foi o meu.

Gosto que meu nome se traduza em terra, pois me sinto muitíssimo ligado a essa energia. Gosto também de ter escolhido meu próprio nome, pois essa escolha diz também de um resgate do que não deveria ser esquecido; não só a terra, mas a palavra em si e as diversas possibilidades de se nomear uma mesma matéria. Eu falo de resgate num sentido de honrar minha própria família, meus parentes, pessoas que se traduzem no mundo pela falta de uma parte muito importante de suas histórias, costumes e credos. Ser uma pessoa de origem indígena e negra no Brasil é uma constante lida com a sensação de estar perdido na tradução.

O que me leva a pensar agora em “insiranomeaqui”, que começa como uma brincadeira: as pessoas tinham muitíssima dificuldade de ler o meu nome; tanto o que me foi dado no nascimento por minha mãe quanto esse que escolhi. Percebi desde miúdo que as pessoas não sabiam como me chamar; cresci, e as pessoas seguiam errando e errando, até que em algum momento fui começando a gostar desse erro. Virou brincadeira mesmo. As pessoas começaram a me chamar, inclusive, de Insira… Elas realmente me chamam assim, e eu acho muito divertido, mas não foi por esse motivo que comecei a assinar assim. Comecei a assinar assim porque, como meu nome, às vezes sinto que minhas obras são essas coisas de difícil tradução — e eu faço para que sejam assim mesmo. É um monte de coisa ao mesmo tempo: é instalação, contação de histórias, bruxaria, memorial, experimento, tropeço.

Divulgação / Jorge Silvestre

U: Você cresceu entre o Cerrado de Goiás e os sertões nordestinos, e começou a trabalhar com artes visuais e cinema em 2022. Uma trajetória recente, mas já densa. Como foi esse percurso até chegar ao Salão de Abril?

Y: Eu sou um viandante de família tradicionalmente viandante. Os avós que conheço são de lugares diferentes do Norte e Nordeste, assim como meus pais, que também são de lugares igualmente distintos. Naturalmente, eu e meus irmãos também somos cada um de um canto. E isso nem tem nada a ver com o privilégio de poder escolher conhecer tantos lugares, mas com a falta de acesso à moradia — a ter um canto de terra para chamar de seu. Mesmo assim, levo minha experiência com esses deslocamentos enquanto algo que me trouxe uma bagagem imensa de experiências, gostos, cheiros, sotaques e rostos que ficaram impressos no meu corpo inteiro. Tenho entendido também que, quando a gente anda muito, o caminho vira a nossa casa.

Sobre arte, sinto que as coisas só foram acontecendo. E uma coisa que é verdade sobre minha trajetória até então é que ser artista foi algo que foi acontecendo devagarinho, até que eu percebi que era. Tinha até muita dificuldade de me reconhecer assim: artista. Eu só sei que as coisas do mundo me interessam muito; tenho meu coração partido e acarinhado todo dia por tudo o que está ao meu redor. O mundo me mobiliza demais, e sinto que minha criação está muito ligada a esse interesse que não abro mão e sinto que nunca abrirei.

Minha primeira obra no Salão de Abril foi uma coletiva com Francisco Izzi Vitório e Sunny Maia, no ano de 2023. Exibimos uma videoperformance em que líamos cartas enquanto apagávamos o mapa do Brasil, desenhando nossos corpos no lugar. Esse trabalho foi resultado do encontro de pesquisas individuais de cada um de nós sobre monstruosidade. No meu caso, tem alguns anos que pesquiso a presença dos monstros nos mapas coloniais e pré-coloniais e como, curiosamente, esses monstros foram desaparecendo desses mapas à medida que os europeus tomaram de assalto esses territórios. Há uma série de relatos de viagem, diários de bordo e mesmo os primeiros livros publicados em Portugal, França e Espanha sobre as colônias portuguesas e hispânicas que apresentam essas terras enquanto míticas, selvagens e cheias de criaturas assustadoras e muito perigosas, mas com recursos muitíssimo valiosos. Ou seja, valia o risco, mas os monstros precisavam ser eliminados e a terra, purificada, santificada.

E quem eram esses monstros? Esses monstros eram aqueles que escapavam de suas definições cartesianas, brancas, cis e heterossexuais. O monstro é sempre o outro; o outro é geralmente gente como eu. Eu me interesso muito por mim, pelos meus e pelos outros, então o monstro me interessa, muito. O monstro — essa criatura dita inadequada, feia e errada — está e sempre estará nos meus trabalhos, porque escolhi que o meu trabalho irá sempre traduzir a minha vida.

Enfim, desde esse trabalho coletivo apresentei outros três trabalhos individuais no Salão de Abril: Serpente-Rio (2024), Continente (2025) e Oração Radical a Tudo Aquilo que é Torto (2026). Todas instalações de dimensões variáveis e projetos em que brinco com a ecologia e a biologia para criar esses corpos que escapam das definições coloniais.

Divulgação / Jorge Silvestre

U: Seu trabalho se move em muitas interseções — entre tecnologia, ecologia, arte e ancestralidade — criando espaços expositivos virtuais, sites, filmes e performances. Como esses campos se encontram dentro de um único trabalho seu?

Y: Todo trabalho que desenvolvi até então ou é sonho ou delírio materializado. Às vezes é os dois. Às vezes eu acordo e preciso contar as coisas que sonhei e dou um jeito de contar com os recursos que tenho disponíveis ou com o que não tenho, mas sei fazer ou sei que posso aprender a fazer. É muito divertido aprender a fazer as coisas enquanto desenvolvo esses trabalhos.

Por formação, sou cineasta. Sei mexer com quase toda sorte de bugiganga que filma e telinhas de LED que editam. Eu me considero bom nisso, mas nunca senti que essas coisas eram o suficiente para fazer as minhas obras. Às vezes sinto falta do cheiro de macumba e dou um jeito de pôr; às vezes o que me falta é um fruto e dou um jeito de pôr; às vezes é planta, é bicho, é um rosto. É uma voz que conta, canta ou reza. Então eu coloco, sempre dou um jeito de pôr.

Sei que parece caótico, mas meu trabalho inteiro é assim. Minha vida inteira foi assim, na verdade. Não sei fazer uma coisa só, não sei se sou capaz de entregar uma coisa só. Hoje em dia nem sei se entrego exatamente “instalações”; vejo muito meus trabalhos enquanto cenas.

Eu sou fotógrafo de cinema e cineasta, às vezes, então a cena fica sempre muito forte na minha cabeça. Acho que sou um pouco viciado em estimular vários sentidos ao mesmo tempo; acho que o cinema me viciou um pouco nisso.

U: O Salão de Abril é um dos eventos de artes visuais mais tradicionais do Ceará. E a sua obra com certeza foi a que mais me emocionou. O que essa obra diz que outras linguagens suas ainda não tinham dito?

Y: Oração Radical a Tudo Aquilo que é Torto é uma obra instalada em dimensões variáveis que se utiliza dos suportes de áudio e texto instalados aos arredores de uma escultura-tótem. Este totem é composto de uma série de materiais que representam uma conexão com as energias da natureza ligadas à torção: madeira, fruto, osso, pele-barro, ferro. Me aproximo do adinkra “Nkyinkyim” (traduz-se: torto) para elaborar sobre a tortuosidade enquanto potência de vida manifestada; como uma árvore em crescimento ou como um rio em seu caminho até o mar. Como os curumins, os pivetes, as travas, as bichas, as fanchas, os não-bípedes.

O trabalho opera como uma continuidade da minha pesquisa em artes que debate as existências errantes (tortas) e monstruosas enquanto categoria epistemológica, antropológica e existencial ao longo da história do “Brasil”. Me utilizo esteticamente de uma desorganização radical do corpo para fundamentar uma desierarquização do pensamento sobre humanidade. A “oração” vem enquanto um catalisador para manifestações contra-hegemônicas do corpo. Esse trabalho é um manifesto de bem viver para todo aquele e tudo aquilo que é torto.

No que esse trabalho difere de outras obras minhas, talvez seja essa despedida provisória do vídeo. Em minhas outras obras, o vídeo aparecia com muita força, pois ora eram projeções, ora eram multi-tela; a imagem em movimento sempre estava lá.

Nesse trabalho, o que retorna é a palavra e, especialmente, o sentido de dar a força de uma reza para essa palavra. Apesar de ser um trabalho muitíssimo visual também, sinto que não só esse, mas todos os meus trabalhos empregam um enorme interesse na contação — não porque sinto necessidade de explicar as imagens através do verbo, mas justamente porque acredito que a escrita artística não deveria ser uma legenda. Aliás, acredito que existe um poder imenso na escrita e no exercício de contar, cantar ou rezar algo. Não é à toa que só sabemos as histórias de muitos povos, comunidades e famílias através da contação. Há muito o que se resgatar sobre nossas histórias prestando atenção no que contam nossas irmãs, mães e avós e no que foi contado a elas. Às vezes é tudo o que temos.

Então, sim, sinto que a ausência do vídeo é o que há de mais diferente nessa obra em relação às outras, mas talvez o que permanece seja o seu grande diferencial: confiar na palavra, confiar tanto na palavra ao ponto de transformá-la em reza.

U: Quando seu trabalho sai do ateliê, vai para a rua, para um espaço virtual, para um território específico, o que muda na relação entre a obra e quem a encontra?

Y: Absolutamente tudo. O encontro com o outro muda tudo, seja este outro um agente humano ou não. Aliás, esse encontro não é algo que me assusta, porque não tenho expectativas quanto ao apreço ou à total compreensão do que está ali posto. Sinto até meus trabalhos sempre muito misteriosos; é importante a sensação da não-completude, de não estar tudo posto.

Há sempre algo escondido ali e gosto que o mistério faça parte; geralmente é o que mais causa curiosidade nas pessoas quando vêm conversar comigo. Por quê? O quê? Como? A verdade é que muito disso é mistério até para mim e cria essa sensação gostosa de que, mesmo ao utilizar tantos recursos, a falta se faz presente e, a rigor, é muitíssimo importante para mim — não só para meus trabalhos, mas em todo esse emaranhado complexo que é a vida. A falta faz parte, e sinto que o encontro com o outro potencializa essa sensação.

Sobre o encontro com os agentes não humanos, os adoro infinito. Gosto de ver a ação do tempo, do vento, da gravidade e até dos micro-bichinhos-comedores-de-materiais se relacionarem com as minhas obras. Por isso também que elas têm tantos elementos tão distintos, porque é muito interessante ver como cada um desses elementos se relaciona com os fatores externos. É lindo demais. Tem muita vida acontecendo ali nas coisas pequenas, e me interesso muito pela vida, pelas diversas formas de vida.

Divulgação / Jorge Silvestre

U: Arte, tecnologia, ecologia e ancestralidade numa mesma pesquisa é uma aposta radical. E, em um ano superpolítico como esse, é algo que se faz muito presente. O que você espera que esse trabalho construa, em você e no mundo?

Y: É complexo emaranhar essas quatro especificidades juntas, mas a vida já é essa complexidade toda mesmo. Tenho uma noção um pouco mais expandida de tecnologia herdada de outras disciplinas, outros mestres e outros saberes ancestrais, em que tecnologia não tem a ver apenas com robótica, eletricidade ou microchips; isso também é tecnologia, mas não é ela inteira. Acredito na tecnologia enquanto exercício de dobrar as matérias; saber fazer uma tinta, cozer o barro, construir uma casa em um terreno, plantar um alimento e mesmo os modos de criar uma criança em uma comunidade também leio enquanto tecnologia. É que uma meia dúzia de homens muito equivocados querem ser donos de tudo; são tão viciados nesse “tudo” que querem comprar até as palavras e como nos relacionamos com elas.

Não tem um sequer ribeirinho, interiorano ou viandante deste país que não saiba dobrar a matéria: aprender o que pode ser um rio, o que pode ser um chão seco e o que pode ser o caminho é tecnologia para mim também. Meus parentes são todos cientistas e eu me considero muitíssimo um cientista também.

Aliás, a tal ecologia, que é o modo como o homem traduziu em uma palavra o ato de se relacionar com a natureza da qual ele já faz parte, também é tecnologia, é um método. Já a arte eu nem sinto muito enquanto uma coisa restrita aos humanos; os humanos a fazem a partir de uma suposta consciência autoproclamada, mas é até engraçado ver como muito do que a gente intenciona na matéria é uma repetição — uma adoração — ao que já existe nas camuflagens dos bichos, nos cantos dos pássaros, na dança das folhas e na paciência do tempo. Tá vendo? Eu sei que é um pouco esquisito, mas essas coisas todas se misturam na minha cabeça. Eu realmente penso assim sobre as coisas. Está tudo muito junto, se relacionando a todo o momento.

O que desejo com o meu trabalho talvez seja uma expansão desse sentido das coisas. O homem branco muito rapidamente se apartou de todos e de tudo e se protegeu dentro de uma redoma em que tudo o que não é seu espelho é um outro-inimigo. Estamos aqui fora dessa redoma vendo eles construírem foguetes com os recursos que roubam desses outros-inimigos para fugir de uma catástrofe orquestrada por eles mesmos. Eles são muito medrosos. Precisam de carros, armas e castelos para se esconder de suas covardias, proteger suas vergonhas.

Não sei se procuro interlocução com eles, mas sinto meu trabalho enquanto um lembrete de que os monstros não foram apagados dos mapas e que, se esses homens olharem através de suas redomas de vidro e das janelas de seus castelos, ainda poderão nos ver ali, ao longe. Estamos em tudo o que é canto, porque eles mesmos corroboram com essa noção de que somos a própria vida acontecendo. Acho que é isso.

Uma vez ouvi que dizemos muito “sim” para instituições. Elas deixariam tão fácil assim serem desestabilizadas? Tolas, pois, se não fossem os artistas, se sustentariam a fazer esse trabalho apenas por choque? É de arte que estamos falando, não é? Entendo que, para regimes complexos de legitimidade, há pouca vontade dessas normas, por agência dos seus atores, de serem tão desviantes. Seguir reto? O caminho mais fácil? Pelo medo à mínima curva — e mesmo antes que nos percebamos — “eles” (sujeitos e suas normas, que me põem ao “Outro”) já perceberam, mas não esperavam que tivéssemos a vontade e o desejo de dilatar e manipular os caminhos. Aquilo dissidente assusta mesmo, mais que o bicho-papão, mais que qualquer horror cósmico.

Hoje, quais são os nossos monstros? Quando criança, lembro de pensar que não há por que ter tanto medo. Recuso a falácia de selvagem que é colocada ao fantasiar o inconsciente. Nos meus tempos pueris, lembro de, após ver a adaptação de Spike Jonze, ter cada vez mais familiaridade com tudo aquilo que é torto e pouca simpatia para compreender algo tão rígido quanto os altos e baixos do “caminho certo”. É para os monstros tortos, desviantes, incompreensíveis, mas nada selvagens, que eu vou correr.

Fazendo a visita da exposição, acho que meu caminho foi traçado no inconsciente para me encontrar com a obra. Repeti a “Oração” algumas vezes; algumas vezes, quando sou invadido por alguma memória, lembro de repeti-la, e toda vez que faço isso penso em tudo aquilo que é torto, vejo as coisas de outra perspectiva, abraço o que vem do meu inconsciente, desestabilizo essas cartografias que já são apenas repetições pouco convincentes para mim.

Com o trabalho de Insiranomeaqui percebo que uma vida assustada por qualquer curva é tão artificial. Esses monstros retos não são meus. Foi esse o sentimento que guardei: não sou eu que tenho que ter medo. Deixo o caminho reto para eles, retomo a percepção da posição do “Outro” e, tendo a “Oração” como farol, reconfiguro o caminho a cada curva que teço andando ou que é inscrita no meu corpo. E aí eu digo sim.

Em meio à tortuosidade do dia a dia, percamos o medo. Insiranomeaqui retoma, na sua linguagem, a preciosidade inconsciente que é ser corajoso e fiel a cada curva.