A terceira edição da Feira de Arte dos Povos Indígenas começa nesta quinta-feira (16), a partir das 10h, no Parque Ibirapuera, no Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra), em São Paulo. O evento segue até domingo (19) e reúne mais de 100 expositores de mais de 50 povos indígenas, vindos de diferentes regiões do país. A programação também integra a Bienal de Arquitetura Brasileira 2026. A cerimônia oficial de abertura será realizada às 20h.

Sob curadoria da Mídia Indígena, com colaboração de Marcelo Rosenbaum, a feira destaca a diversidade dos povos originários e reafirma a arte indígena como produção contemporânea. Antes de chegar a São Paulo, o evento passou por Brasília e Belém (PA). Idealizada pela Mídia Indígena, maior coletivo de comunicação e jornalismo indígena do país, a feira conta, nesta edição, com apoio do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), patrocínio institucional do Instituto Socioambiental (ISA), do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé) e do Fundo Amazônia, além de execução do Instituto No Setor e produção da Maraca.pro.

“Realizar essa feira em São Paulo é uma grande incidência da cultura indígena. É a oportunidade de fortalecer a economia nos territórios, com os parentes comercializando diretamente suas produções em um espaço de grande visibilidade, ao mesmo tempo em que compartilham a diversidade e a riqueza dos povos indígenas com a sociedade”, afirma Erisvan Guajajara, coordenador nacional da Mídia Indígena e da feira.

Entre os povos presentes estão Pataxó, Guarani, Yanomami, Xakriabá, Tukano, Kayapó e Karajá, além de Tikuna, Baniwa, Ashaninka, Krahô, Fulni-ô, Terena, Munduruku, Macuxi e Xavante, representando a diversidade cultural dos territórios indígenas no Brasil. Outro destaque é o povo Paiter-Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia, reconhecido pela produção sustentável de café. Ubiratan Paiter-Suruí, representante da iniciativa, ressalta a importância da participação: “Embora o café não faça parte da nossa cultura tradicional, ele se tornou uma das principais fontes de renda e uma nova oportunidade para as famílias do nosso povo”.

Cultivado em sistema agroflorestal dentro das comunidades, o processo alia geração de renda à proteção da floresta. “Não pensamos apenas no lucro, mas também na proteção das nossas florestas. A feira é o momento de apresentar o café Sarikab para outras pessoas, mostrando que ele não é apenas um produto, mas carrega história, cultura e resistência”, afirma. Segundo ele, o evento também amplia possibilidades. “A feira abre portas para novas oportunidades, possibilita parcerias e fortalece a geração de renda para os Paiter-Suruí”.

A feira apresenta produções fotográficas realizadas por fotógrafos indígenas, que utilizam a imagem como instrumento de memória, denúncia e afirmação identitária. Também estão entre os destaques esculturas e máscaras em argila, que expressam dimensões espirituais e cosmológicas, além de bancos indígenas produzidos no Alto Xingu, entre outras expressões artísticas.

Festival Raízes Ancestrais

No dia 19, Dia Nacional dos Povos Indígenas, o encerramento da feira se conecta ao Festival Raízes Ancestrais, que acontece no mesmo dia, a partir das 19h, no Espaço Cultural Elza Soares, na Barra Funda. O festival reúne música, expressões culturais e lideranças indígenas de diferentes regiões do país, reafirmando a presença indígena na cidade e a importância de reconhecer São Paulo como território indígena.