Há semanas atrás, Rio Branco foi surpreendida por uma movimentação política de bastidores, tornada pública como uma “grande jogada”, que teve como protagonista o vice-governador, Major Rocha (PSL). O oficial da reserva remunerada da PM acreana e número 2 do Palácio Rio Branco, então dirigente maior do PSDB acreano, abandonou seu partido para tomar de assalto a direção do PSL no Acre, visando se apoderar dos recursos do fundo eleitoral e do tempo de televisão da antiga sigla de Jair Bolsonaro (sem partido), com o objetivo final de fortalecer a pré-candidatura de seu pupilo, Minoru Kinpara (PSDB). O efeito colateral de tal medida foi a retirada, na marreta, da pré-candidatura do pecuarista Fernando Zamora (PSL).

Agora foi a vez do governador realizar mais um de seus movimentos inusitados. Gladson Cameli – que já havia protagonizado a polêmica de anunciar, publicamente, apoio a pré-candidatura da prefeita Socorro Neri (PSB), em detrimento da candidatura de Tião Bocalom (PP), de seu próprio partido – teria abandonado o PROGRESSISTAS para cerrar fileiras com o tucanato acreano. Resta saber se tal movimento fora combinado com o seu vice, no sentido de endossar a pré-candidatura de Minoru; ou se fora mais uma rasteira, típica da direita acreana. Isso porque o governador teria, agora, o poder de decidir se retira a candidatura de Minoru para fortalecer a pré-candidatura de Socorro Neri.

Embora ainda não se tenha certeza sobre isso, ao que tudo indica, GC teria mesmo aplicado um direto bem na ponta do queixo de seu vice-governador. Ao esperar a saída de Rocha do PSDB (para tomar de assalto o PSL), Gladson teria tomado de assalto, ele próprio, a direção do PSDB para si. Antes disso, no período da janela eleitoral, levou aliados para o PP, incluindo atuais prefeitos, no sentido de manter certa influência na sigla que estaria prestes a abandonar. Minoru, Rocha e demais teriam que se contentar com a posição de vice na chapa de Socorro Neri, a quem o ex-reitor odeia de morte e vice-versa (ambos tiveram um desentendimento sério na época em que eram aliados na direção da UFAC).

Se, ao contrário da tese acima exposta, o movimento de Gladson tiver sido combinado com Rocha, aí o cenário ganha uma configuração completamente distinta. Gladson pode negociar com Rocha o apoio a Minoru, condicionado à garantia de que ele, Gladson, poderá ser candidato ao senado com apoio de Rocha, que estaria na condição de governador por 6 meses antes da eleição de 2022. Nessa hipótese, Socorro e Bocalom que lutem. E sozinhos.

Em resumo: se Gladson for para o PSDB, de fato; e se a escolha tiver sido motivada para enfrentar Rocha, ele (Gladson) teria, aparentemente, feito um gol de placa, uma suposta jogada de mestre, ainda que no formato de “molecagem”. Como detém a caneta de governador nas mãos, ele acabaria exercendo, em tese, o controle sobre 3 partidos: PP, PSDB e PSB. Rocha, que se mudou para a casa da viúva e deixou a sua, imaginando que aquela era intocável, não esperava que Gladson fizesse o mesmo, com a diferença de que o governador mandará na antiga casa de Rocha e poderá continuar influindo no PP mais do que Rocha no PSDB, por conta dos caciques que ele levou para o PP e por ter a caneta de governador em suas mãos.

A se valer a primeira hipótese, Gladson confirmaria seu hábito de construir na base da destruição: por onde passa deixa um rastro de ruínas. Conseguiu espatifar o ninho do PP ao boicotar a candidatura do Bocalom e, agora, vai para o PSDB para, supostamente, rifar Minoru. Tudo isso para não ter que fortalecer Rocha que é, ao mesmo tempo, seu vice-governador e um de seus potenciais adversários em 2022.

Talvez o suposto o gol de placa, a tal jogada de mestre não tenha levado em consideração os possíveis efeitos colaterais que dela podem surgir. A depender do grau de azedume, daqui para o final do mandato Rocha pode se dedicar a implodir o governo, com dossiês voando no ventilador para quem quiser. O major se recuperaria do nocaute e poder ia vir com gosto de gás. Outro efeito colateral seria a pouca disposição de Petecão (PSD) e de toda a turma abandonada no PP em apoiar GC, mais uma vez, em 2022, seja para a reeleição ao governo, seja para o senado. É cobra comendo cobra. Quem viver, verá.

Tais movimentos recentes havidos no tabuleiro da política acreana revelam a forma como a direita local opera: pelos interesses individuais e projetos pessoais de poder. Em ambas as hipóteses aqui ventiladas, governador e vice-governador demonstram, mais uma vez, posturas marcadas pela falta de lealdade e transparência, idênticas às de Bolsonaro. São movimentos típicos de quem prefere o golpismo à liderança verdadeira e autêntica. No final das contas, tanto Gladson quanto Rocha querem mandar em todos e não querem cangalha. Deixam transparecer que a política lhes chegou, no caso do governador, como brinquedo de criança; e, no caso do vice, como sanha desmedida pelo poder. E é assim que eles a tratam até hoje.

Do lado de cá, seguimos construindo nossa pré-candidatura. Quem tiver o desejo de nos apoiar, será bem vindo. Quem, do contrário, não quiser, por isso não será mal visto ou mal quisto. Todos são livres para trilhar os caminhos que melhor lhes convier. Uma coisa é certa: não cerraremos fileiras com aqueles que tem, em seu DNA, o gene da deslealdade e da traição.

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