Curta brasileiro ‘Laser-Gato’ vence mostra La Cinef no Festival de Cannes 2026
Lucas Acher foi o único diretor brasileiro nas mostras competitivas de Cannes neste ano
O curta-metragem brasileiro “Laser-Gato”, dirigido pelo cineasta paulistano Lucas Acher, conquistou o primeiro lugar da mostra La Cinef no Festival de Cannes 2026. O anúncio foi realizado nesta quinta-feira, 21 de maio, consolidando o filme como um dos principais destaques brasileiros da atual edição do evento francês.
Aos 30 anos, Lucas Acher foi o único diretor brasileiro selecionado para as mostras competitivas do festival neste ano. O prêmio principal da categoria garantiu ao cineasta uma gratificação de 15 mil euros, cerca de R$ 87 mil na cotação atual.
Voltada à descoberta de novos talentos do cinema internacional, a mostra La Cinef reúne produções realizadas por estudantes de escolas de cinema de diversos países. Em 2026, apenas 19 filmes foram selecionados entre mais de 2.700 inscrições vindas de instituições do mundo inteiro. “Laser-Gato” representou a Universidade de Nova York (NYU), onde Lucas Acher estudou cinema.
A escolha dos vencedores foi feita por um júri presidido pela diretora espanhola Carla Simón, vencedora do Urso de Ouro de Berlim por “Alcarràs”. Segundo informações divulgadas pela revista Variety, a seleção deste ano contou com cineastas de 15 países, sendo 12 mulheres e nove homens na direção dos projetos escolhidos.
Misturando suspense, humor e atmosfera urbana, “Laser-Gato” acompanha Theo, um adolescente ansioso de 14 anos que, durante uma noite de tédio em São Paulo, faz uma brincadeira com um ponteiro laser apontado para a rua. A situação foge do controle quando o gato de sua vizinha — por quem o garoto nutre uma paixão — tenta perseguir a luz, cai e acaba gravemente ferido.
A partir do acidente, Theo inicia uma jornada noturna pelo centro da capital paulista em busca de ajuda para salvar o animal. O filme transforma a madrugada paulistana em um espaço de tensão, paranoia e estranhamento, utilizando a iluminação artificial, os sons urbanos e a paisagem da cidade como elementos centrais da narrativa.
Produzido com orçamento enxuto, o curta aposta em uma construção estética sensorial para mergulhar na ansiedade e na culpa do protagonista. O elenco reúne Gabriel Brennecke e Gilda Nomacce, com produção assinada pela Bruto Films.
Além da vitória brasileira, o segundo lugar da mostra La Cinef ficou com “Silent Voices”, dirigido por Nadine Misong Jin e produzido pela Universidade Columbia. O terceiro lugar foi dividido entre “Never Enough”, de Julius Lagoutte Larsen, representante da escola francesa La Fémis, e “Growing Stones, Flying Papers”, dirigido por Roozbeh Gezerseh e Soraya Shamsi, da Filmuniversität Babelsberg Konrad Wolf.
A conquista de “Laser-Gato” amplia a presença do cinema brasileiro no circuito internacional e reforça a relevância de uma nova geração de realizadores nacionais em festivais de prestígio. Historicamente, a mostra La Cinef funciona como vitrine para cineastas em início de carreira que posteriormente ganham espaço nos principais eventos e premiações do audiovisual mundial.





