Uma drag, uma cantora oriunda do movimento funk e uma garota de 15 anos que rejeitou o machismo entranhado na televisão para se posicionar publicamente. Haja brilho (e memes).

Maísa, Pabllo Vittar e Anitta.

“Hoje resolvi fazer algo diferente”, já diria a histórica musa da lacração audiovisual, no pré-Youtube, Luiza Marilac. Hoje deixarei Eduardo Cunha no cercadinho das lembranças ruins e falarei de três importantes mulheres que marcaram a semana. Nos últimos dias, Pabllo Vittar, Anitta e Maisa deram o tom do choro das inimigas. Fala-se bem ou fala-se melhor ainda, as duas cantoras e a atriz mirim fizeram do Twitter e outras redes sociais suas bases de repercussão.

Estamos falando de uma drag, de uma cantora oriunda do movimento funk e uma garota de 15 anos que rejeitou o machismo entranhado na televisão para se posicionar publicamente. Haja brilho (e memes).

Você pode odiar o estilo musical, a letra ou o laquê da Anitta, mas ela, junto de Pabllo Vittar, rompeu o limite da indústria nacional e criou junto do grupo de música eletrônica Major Lazer um hino bafônico. Uma maravilha dançante. Um tiro, senhores – da gíria, não da expressão literal (Segura essa arma aí, bolsominion). A boa produção musical passou por cima do preconceito alheio e isolou para dentro das cavernas de Greyskull o fã-clube do conservadorismo.

Não há quem não rebole na sua cara fantasiada de Feiticeira do Luciano Huck. As inimigas choram.

Estamos em 2017 e ter uma cantora drag e uma de funk no topo máximo das canções ‘bombantes’ do cenário brasileiro revela muito do que se pode dizer do nosso futuro. Cabe ressaltar aqui, em plena semana do Dia Internacional do Orgulho LGBT, o espaço conquistado por Pabllo e como sua figura ajuda no combate ao preconceito enraizado. E Anitta? A menina do pre-pa-ra antes da buzina de navio? Essa aí atropelou a ignorância e fez do sangue do ódio o drink da vitória. Depois de gravar “Paradinha” e fazer dueto com a rapper australiana Iggy Azalea, a morena ultrapassou nada mais, nada menos, que Rihanna do Umbrella e se firmou na 15ª posição da Billboard. Segura, Brasil!

E a pequena Maisa, você sabe, topou de frente com o entretenimento esdrúxulo e fez questão de não afundar na piscina de vergonha alheia que lhe é oferecida sempre.

Vi um de seus posts no Instagram em que dizia: “Estou aqui para trazer reflexão: até quando as mulheres vão viver precisando aceitar tudo? Não, é não!”. Cara, é uma menina de 15 anos recém completados, que cresceu dentro da indústria da televisão, esfregando na sua cara mais sabedoria que Simone de Beauvoir podia um dia suspeitar ocorrer. Sabe o impacto disso? Sabe que – graças a deus – influência ela pode ter em outras centenas de meninas que ainda acham que feminismo é uma bizarrice? Ou, talvez, que nem saibam o que é feminismo? Beijo, Maisa, te amo.

O Brasil tá diferente, eu sei. Um pouco pro lado ruim do jogo, em que a intolerância parece a história do ‘Caverna do Dragão’ (nunca tem fim) e pro lado bom da coisa, onde a diversidade e pluralidade, assim como o empoderamento, estão mais firmes e fortes do que nunca. A gente tem que desejar um país em que Anittas, Pabllos e Maísas sejam cada vez mais, mesmo que com seus defeitos. Suas mensagens e simbologias são importantes para a sociedade que às vezes parece ter saído do século XV. E teve boatos de que estávamos na pior, né?

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