Arthur do Val, o Mamãe Falei, já rodou. A cassação de seu mandato na Assembleia Legislativa, confirmada no último dia 17, foi um marco importante para o movimento feminista do estado de São Paulo. Agora é a vez do movimento negro e todos os movimentos antirracistas aposentarem compulsoriamente o vereador Camilo Cristófaro da política.

Arthur e Camilo são expressões de fenômenos e gerações distintas, mas com uma ideologia muito semelhante. Camilo orgulha-se de ter na biografia sua participação no Movimento da Juventude Janista, que apoiava o político moralista e populista Jânio Quadros. Arthur, é a expressão do populismo de direita, igualmente moralista, que também prometia, junto com o MBL, varrer a corrupção do país.

Sob conjunturas distintas, ambos se apoiaram em ideias conservadoras do senso comum para serem eleitos. Acontece que, do outro lado, existem movimentos sociais, feministas, antirracistas, antiLGBTQIA+fóbicos e anticapitalistas que conseguiram, através de muita luta, impor que algumas posturas são inadmissíveis.

As frases machistas e misóginas de Arthur no áudio vazado (“as mulheres ucranianas são fáceis porque são pobres”), assim como a frase racista de Camilo durante reunião na Câmara Municipal de São Paulo (“isso é coisa de preto, né?”), expuseram em demasia as casas legislativas, onde reina o corporativismo.

Dominada por parlamentares igualmente conservadores, machistas, racistas e LGBTQIA+fóbicos, vereadores e deputados prezam pela discrição. Ou seja, muitos dos parlamentares que se movem para ajudar na cassação de Camilo Cristófaro o fazem porque ele acabou por jogar muita atenção pública e midiática sobre a Câmara Municipal. E Arthur viveu o mesmo na Alesp. E isso não lhes interessa.

Engana-se quem pensa que seus mandatos estão sendo perdidos só por isso. O que está realmente movimentando a população – e pressionando parlamentares a apoiar essas cassações – é a sua própria consciência de que machismo e o racismo devem ser combatidos. A maioria da população brasileira, formada por mulheres e negros, sofre todos os dias com atos de preconceito, discriminação, violência e intolerância.

A cassação do mandato de Camilo Cristófaro é, portanto, um passo fundamental não só para os movimentos negros, mas para todas as pessoas que não suportam mais o racismo . Se é verdade que a cada eleição um bando de novos políticos conservadores ocupam as vagas nos parlamentos, mostraremos que também é verdade que seguimos vigilantes. Que racistas e machistas não passarão!

A Bancada Feminista do PSOL já conquistou seu espaço na Câmara Municipal de São Paulo. Agora, estamos com tudo construindo uma pré-campanha para ter um novo mandato coletivo, formado por mulheres negras, também na Assembleia Legislativa.

Bancada Feminista do PSOL – mandato coletivo na Câmara Municipal de São Paulo composto pelas covereadoras Silvia Ferraro, Paula Nunes, Carolina Iara, Dafne Sena e Natália Chaves e pré-candidatura coletiva para a Assembleia Legislativa de São Paulo.

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