Foto: Agência Brasil

Antes de toda essa tecnologia de celulares com vídeos, mensagens e áudios flagrando crimes, as provas diretas desses fatos eram muito raras. Objetivamente, as provas de um crime são diretas ou indiretas. As formas dessas provas podem ser testemunhais, documentais e agora também por meio de vídeos, mensagens e áudios de celulares e computadores em geral.

Quando uma testemunha diz ter visto fulano desferir três tiros na cara de beltrano e este morrer, trata-se de uma prova direta de um crime. Uma prova que sempre foi muito rara. A grande maioria dos crimes é desvendada através de provas indiretas, como quando uma testemunha vê alguém correndo com uma faca na mão perto de outra morta a facadas. Hoje, temos vídeos, mensagens e áudios que gravam um crime com todas as suas circunstâncias. Daí, a única defesa é provar a falsidade das mensagens.

O juiz Sérgio Moro conversava sobre os processos contra o Lula com o órgão de acusação, o procurador da República Dallagnol. Um juiz não pode ser parcial, ele não pode ter parte. Para ser justo, o juiz precisa julgar com imparcialidade.

O vazamento de mensagens de celulares sem autorização judicial é crime e, o autor, sendo descoberto, deve ser condenado neste crime. Mas as mensagens, que não foram contestadas por seus interlocutores, demonstram que o então juiz Sérgio Moro aconselhava, conversava, discutia decisões de todos os tipos sobre a liberdade de pessoas com o acusador. O juiz atuava como assistente de acusação e o procurador como assistente de condenação.

Moro e Dallagnol tramaram a condenação de Lula, isso está demonstrado nas mensagens.

São provas irrefutáveis e diretas desses fatos, que não podem ser contestados, exceto com a prova da falsidade das mensagens.

Sobre a Lava Jato, a corrupção, ainda mais no capitalismo periférico brasileiro, é uma regra. Com raríssimas exceções, ninguém acumula mais de 50 milhões trabalhando, em toda obra bilionário de engenharia existe comissão, isso faz parte do negócio. A única forma de esconder essa corrupção endêmica do capitalismo é blindando seus crimes sem investigá-los e se, por algum acidente, alguma coisa vier a público, impedindo sua divulgação através da cumplicidade da mídia de mercado. É evidente que todos os presidentes do Brasil na história sempre souberam disso tudo.

Agora, para criminalizá-los como qualquer pessoa, precisamos demonstrar os fatos através de provas. Lula foi condenado por um triplex que nunca foi registrado em seu nome e a reforma da cozinha de um sítio de um antigo amigo dele. Esses são os fatos provados. Esses fatos, data venia, são fracos, como disse o procurador Dallagnol em troca de mensagens com o juiz Sérgio Moro sobre a denúncia que seria oferecida contra Lula. Mais fracos ainda para condenar a 12 anos de cadeia em regime fechado um Presidente da República. Nunca na história desse país foi condenado criminalmente um Presidente da República.

Para finalizar, basta jogar um pouco de xadrez para saber que você precisa derrubar as peças que estão na frente do Rei. O rei nesse tabuleiro é o Lula, que venceria facilmente Bolsonaro. O xeque-mate disso tudo foi a nomeação do ex-juiz Sérgio Moro para Ministro da Justiça e da Segurança Pública da República Federativa do Brasil.

Rio de Janeiro, 14 de junho de 2019

Assista ao programa Fumaça do Bom Direito

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Jorgetânia Ferreira

São Paulo merece Erundina

Bancada Feminista do PSOL

Do #EleNão ao Boulos e Erundina sim!

Fabio Py

Dez motivos para não votar no Crivella: às urnas de luvas!

Dríade Aguiar

Se matarem meu pai no mercado

transpoetas

Mês da Consciência Transnegra

História Oral

O Mitomaníaco e os efeitos eleitorais da Pós-Falsidade

Márcio Santilli

Bolsonaro-Frankenstein: cara de pau, coração de pedra e cabeça-de-bagre

Cleidiana Ramos

O furacão de tristezas que chegou neste 20 de novembro insiste em ficar

Tatiana Barros

Como nasce um hub de inovação que empodera pessoas negras

História Oral

Quando tudo for privatizado, o povo será privado de tudo e o Amapá é prova disso

Colunista NINJA

LGBTI+ de direita: precisamos de representatividade acrítica?

Juan Manuel P. Domínguez

São Paulo poderia ser uma Stalingrado eleitoral

Colunista NINJA

A histórica eleição de uma bancada negra em Porto Alegre

Bancada Feminista do PSOL

Três motivos para votar na Bancada Feminista do PSOL

Carina Vitral da Bancada Feminista

Trump derrotado nos Estados Unidos, agora é derrotar o bolsonarismo na eleição de domingo no Brasil