Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O governo Bolsonaro incluiu na lista de privatizações a Casa da Moeda, histórica estatal responsável pela fabricação do dinheiro brasileiro. Milhões de mercadorias circulam através do dinheiro e, num processo evidente de sucateamento, a instituição vem comprando papel moeda brasileiro produzido no exterior. Uma verdadeira “desnacionalização” do dinheiro por um governo que se vangloria de ser “nacionalista”.

Em regra, a venda de drogas não é realizada por meio de cartão de crédito nem por cheque, inclusive nas favelas. Milhões de reais são lavados em moedas estrangeiras, em outras aplicações, na corrupção do sistema penal e no mercado de armas e munições. Portanto, além de não ter sentido remeter dólares para comprar dinheiro brasileiro no exterior, vejo com preocupação essa produção pelo fato da mesma vir a facilitar a lavagem do dinheiro. No Brasil, o dinheiro produzido é submetido a regras criminais rígidas que punem seus falsificadores com penas de 5 a 15 anos de reclusão. Essas punições não poderão ser aplicadas em crimes praticados no exterior.

A privatização da CEDAE é a venda de um bem público da humanidade que será o mais disputado em pouquíssimo tempo: a ÁGUA. Se o Golfo Pérsico é palco de guerras em razão da disputa por petróleo, imagine quando a água ficar ainda mais escassa no planeta.

O Brasil detém quase 20% da água potável do mundo e o Rio de Janeiro é um dos lugares com melhor tratamento. Isso, excluindo-se os últimos dias, quando a água deve ter sido contaminada num processo de sucateamento da empresa, que demitiu engenheiros com mais de 30 anos de casa, especialistas na apuração da qualidade da água. Os governos federal e estadual querem vender uma estatal altamente rentável pela bagatela de 7 a 11 bilhões de reais.

Por outro lado, a maconha vem sendo vendida legalmente no Canadá e em vários estados da América do Norte, gerando bilhões em receitas, já tendo sido apelidada de “ouro verde”. Neste caso, além da ilegalidade nos levar a perder bilhões em tributos, vamos precisar comprar maconha do exterior para produzir óleos e medicamentos no Brasil, já que a plantação continuará a ser proibida em nosso país. Enquanto isso, óleos e medicamentos da planta serão vendidos a preços astronômicos em farmácias brasileiras, como decidiu a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, em duas recentes resoluções de sua diretoria.

Trata-se de uma verdadeira panaceia que de nacionalista não tem nada nem possui qualquer lógica. O dinheiro nacional será produzido fora do país, a água brasileira será entregue para o capital estrangeiro e a maconha terá que ser comprada do exterior para serem produzidos óleo e medicamentos no Brasil. Na realidade, trata-se de um governo completamente entreguista!

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Bruno Ramos

Um ano do massacre de Paraisópolis

NINJA

Para Ver a Luz do Sol. 40 anos de reexistência cosmopolítica no Bixiga

Jorgetânia Ferreira

São Paulo merece Erundina

Bancada Feminista do PSOL

Do #EleNão ao Boulos e Erundina sim!

Fabio Py

Dez motivos para não votar no Crivella: às urnas de luvas!

História Oral

O Mitomaníaco e os efeitos eleitorais da Pós-Falsidade

Márcio Santilli

Bolsonaro-Frankenstein: cara de pau, coração de pedra e cabeça-de-bagre

Cleidiana Ramos

O furacão de tristezas que chegou neste 20 de novembro insiste em ficar

Tatiana Barros

Como nasce um hub de inovação que empodera pessoas negras

História Oral

Quando tudo for privatizado, o povo será privado de tudo e o Amapá é prova disso

Colunista NINJA

LGBTI+ de direita: precisamos de representatividade acrítica?

Juan Manuel P. Domínguez

São Paulo poderia ser uma Stalingrado eleitoral

Colunista NINJA

A histórica eleição de uma bancada negra em Porto Alegre

Bancada Feminista do PSOL

Três motivos para votar na Bancada Feminista do PSOL

Carina Vitral da Bancada Feminista

Trump derrotado nos Estados Unidos, agora é derrotar o bolsonarismo na eleição de domingo no Brasil