O 11º Amazônia FiDoc chegou ao fim consolidando mais uma vez sua importância para o fortalecimento do cinema produzido na Amazônia e em territórios historicamente afastados do circuito comercial brasileiro. Realizado entre 28 de abril e 6 de maio, em Belém e cidades ribeirinhas da região, o festival reuniu mais de 5 mil pessoas ao longo de nove dias de programação gratuita, marcada por sessões lotadas, debates, oficinas, laboratórios e encontros entre realizadores, estudantes e o público.

Com mais de mil filmes inscritos de diferentes regiões do Brasil e dos países da Pan-Amazônia, a curadoria selecionou 136 produções distribuídas em mostras competitivas e especiais, reforçando o compromisso do evento com a diversidade estética, política e territorial do audiovisual contemporâneo. Entre os destaques desta edição esteve a valorização de narrativas indígenas, negras, periféricas e experimentais, além de ações voltadas à formação e internacionalização de projetos amazônicos.

O principal prêmio da noite ficou com “Glória & Liberdade”, da diretora Letícia Simões, vencedor do troféu de Melhor Longa da Mostra Pan-Amazônica pelo júri oficial. O longa de animação imagina um Brasil distópico em 2050, dividido após o colapso do país, enquanto revisita episódios históricos como a Cabanagem para refletir sobre memória, revolta e resistência. Conhecida por seus documentários e ensaios poéticos, Letícia constrói uma obra híbrida e política, utilizando diferentes técnicas de animação para acompanhar a trajetória de Azul, personagem encarregada de pesquisar revoluções brasileiras e transmitir seus aprendizados ao povo.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Durante a cerimônia de encerramento, a idealizadora do festival, Zienhe Castro, destacou o papel do evento como espaço de circulação e enunciação para obras frequentemente excluídas do mercado tradicional. Segundo ela, muitos dos filmes exibidos não chegam às plataformas de streaming e encontram no Amazônia FiDoc uma oportunidade real de encontro com o público. A fala reforçou a dimensão política do festival, que há 17 anos trabalha para ampliar a visibilidade do cinema amazônico e fortalecer redes entre realizadores da região.

Além das premiações competitivas, o festival também apostou em iniciativas de formação e desenvolvimento profissional por meio de parcerias nacionais e internacionais. O Prêmio Vivência Conexão Criativa Globo contemplou cinco projetos documentais amazônicos, aproximando realizadores independentes de profissionais dos Estúdios Globo. Já laboratórios, residências e consultorias internacionais abriram caminhos para que produções da região circulem em festivais e mercados europeus.

Outro destaque foi o reconhecimento de projetos voltados ao impacto social e à internacionalização do cinema amazônico. Obras como “Filhos do Boto”, “Tioniza” e “Todo Rio Deságua no Mar” receberam consultorias, residências e prêmios voltados ao desenvolvimento de campanhas, circulação internacional e aprimoramento de roteiro e produção. O festival também fortaleceu parcerias com instituições como a Aliança Francesa de Belém e o Festival Internacional de Cine de Cartagena.

Criado em 2009, o Amazônia FiDoc acumula quase 60 mil espectadores ao longo de sua trajetória e se consolidou como um dos principais espaços de exibição e debate do cinema amazônico contemporâneo.

Mostra Pan-Amazônica – Longas

  • Melhor Longa | Júri Oficial: “Glória & Liberdade” — Direção: Letícia Simões
  • Melhor Longa | Júri Popular: “Dona Onete: Meu Coração Nesse Pedacinho Aqui” — Direção: Mini Kerti
  • Menção Honrosa: “Kueka, Memoria Ancestral” — Direção: María de los Ángeles Peña Fonseca

Mostra Pan-Amazônica – Curtas

  • Melhor Curta | Júri Oficial: “Boiuna” — Direção: Adriana de Faria
  • Melhor Curta | Júri Popular: “Boiuna” — Direção: Adriana de Faria
  • Menção Honrosa: “Sara” — Direção: Ariana Andrade Castro
  • Melhor Longa | Júri Oficial: “A Mulher Sem Chão” — Direção: Auritha Tabajara e Débora McDowell
  • Melhor Longa | Júri Popular: “Xingu, Nosso Rio Sagrado” — Direção: Angela Gomes
  • Menção Honrosa: “Concerto de Quintal” — Direção: Juraci Júnior
  • Melhor Curta | Júri Oficial: “Sukande Kasáká | Terra Doente” — Direção: Kamikia Kisedje e Fred Rahal
  • Melhor Curta | Júri Popular: “Mucura” — Direção: Fabiano Tertuliano Barros
  • Menção Honrosa: “A Ascensão da Cigarra” — Direção: Ana Clara Ribeiro

Mostra As Amazonas do Cinema – Longas

  • Melhor Longa | Júri Oficial: “Mama” — Direção: Ana Cristina Benítez
  • Melhor Longa | Júri Popular: “A Vida Secreta de Meus Três Homens” — Direção: Letícia Simões
  • Menção Honrosa: “Quatro Luas Pantaneiras” — Direção: Ana Carla Loureiro

Mostra As Amazonas do Cinema – Curtas

  • Melhor Curta | Júri Oficial: “Rami Rami Kirani” — Direção: Lira Mawapai Huni Kuin e Luciana Tira Huni Kuin
  • Melhor Curta | Júri Popular: “Quem Quer?” — Direção: Célia Maracajá

Mostra Competitiva Videoarte

  • Melhor Videoarte | Júri Oficial: “Didibuísmos” — Artista: Marise Maués
  • Melhor Videoarte | Júri Popular: “Didibuísmos” — Artista: Marise Maués

Mostra Competitiva Videoclipe

  • Melhor Videoclipe | Júri Oficial: “Corra!” — Direção: Kayke Ryan
  • Melhor Videoclipe | Júri Popular: “Monalisa” — Direção: Lucas Sá
  • Menção Honrosa: “Madalena” — Direção: Ramon Ítalo e Malena

4º Festival Curta Escolas | Mostra Competitiva Primeiro Olhar

  • Melhor Curta | Júri Oficial: “A Fundação de Joanes”
  • Menção Honrosa: “Escola Bosque – 30 anos”