A Copa de 2026 será mais inclusiva ou mais lucrativa?
Com 48 seleções, 104 jogos e três países-sede, o Mundial de 2026 será o maior da história até então
Por Graziela Guedes – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
A Copa do Mundo de 2026, iniciada na última quinta-feira (11), entrou para a história antes mesmo do apito inicial. Pela primeira vez, o principal torneio de futebol do planeta conta com 48 seleções, sendo sediado por três países, com o maior número de partidas disputadas em uma edição do Mundial.
Organizada conjuntamente por Canadá, México e Estados Unidos, a competição representa uma transformação significativa no formato da Copa do Mundo. Até a edição de 2022, realizada no Catar, a Copa contava com 32 equipes participantes. A ampliação aprovada pela FIFA sobe para 48 equipes. O objetivo, segundo a entidade, é democratizar o acesso e aumentar a representatividade das diferentes confederações ao torneio. Com a mudança, países que historicamente encontravam dificuldades para se classificar passam a ter mais chances de disputar o campeonato. Continentes como África e Ásia passaram a contar com mais representantes, aumentando as chances de países estrearem na competição ou retornarem após longos períodos de ausência. Ao mesmo tempo, a expansão também significa mais partidas, mais ingressos vendidos, mais direitos de transmissão negociados e mais exposição de patrocinadores.
Os números ajudam a dimensionar isso. O Mundial passou de 64 à 104 partidas, sendo 40 jogos a mais que a Copa do Catar. A ampliação cria um calendário mais longo e aumenta o tempo de exposição comercial do evento. Em reportagem publicada durante a Copa de 2026, o jornal The Guardian mostrou que emissoras de televisão já projetavam receitas publicitárias maiores que as registradas em competições anteriores. Isso acontece graças ao aumento dos jogos.
Outro aspecto pouco discutido é a logística. Pela primeira vez, a Copa está sendo sediada por 3 países. Segundo a FIFA, 78 jogos ocorrerão nos Estados Unidos, Canadá e México receberão 13 partidas cada. O formato amplia a capacidade de receber torcedores, mas também gera deslocamentos maiores que os vistos anteriormente.
A expansão da Copa revela uma contradição que acompanha o futebol contemporâneo. De um lado, o torneio se torna mais acessível, tanto para torcedores quanto para seleções que estavam à margem da competição. De outro, a estrutura comercial cresce, transformando a Copa em um produto cada vez maior.
A questão que fica é se o futebol está sendo inclusivo ou apenas mais rentável, e talvez, as duas coisas ao mesmo tempo.



