“Fator Endrick” mexe com a Seleção Brasileira
Treinador administra a pressão de milhões de torcedores sob o jovem talento
Por José Castro – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
Até o momento, as partidas da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 foram marcadas por um pedido da torcida: a entrada do jovem atacante Endrick.
Apesar dos gritos dos torcedores, o jogador não entrou no primeiro duelo do Mundial, contra Marrocos. Sua estreia aconteceu na rodada seguinte, contra o Haiti, quando foi chamado no segundo tempo, chegou a marcar um gol, mas foi anulado por impedimento. Na terceira rodada, diante Escócia, novamente, o jovem teve a oportunidade de entrar na etapa final, ganhando mais alguns minutos. Já no primeiro desafio do mata-mata, o atacante foi acionado no intervalo, ficando mais tempo em campo.
Apesar das recentes aparições, a resistência do treinador em dar oportunidades a Endrick provocou uma interrogação na cabeça do torcedor: por que a jovem promessa não ganha mais minutagem?
Antes de mais nada, é válido lembrar que Endrick e Ancelotti trabalharam juntos no Real Madrid, e por lá o cenário não foi muito diferente. Durante a passagem pelo time merengue, sob comando do técnico italiano, o atacante marcou 37 gols em sete partidas e ficou em campo por 847 minutos, atuando somente em três jogos como titular.
Apesar da pouca minutagem, o jovem mostrou grande eficiência ofensiva. Seu aproveitamento de gols por minuto foi um dos melhores entre os reservas do elenco, e Carlo Ancelotti, frequentemente, destacava sua coragem e capacidade de finalização, embora também tenha apontado a necessidade de evoluir na participação coletiva e na construção das jogadas.
Na Seleção Brasileira, Endrick tem quatro gols marcados em 17 jogos, sendo uma média de 0,24 gol por partida. O que chama atenção é que a maior parte das atuações ocorreram com ele saindo do banco de reservas. Mesmo assim, o atacante mantém uma média de gols considerada boa em relação ao pouco tempo em campo.
Relação entre jogador e treinador
Na frente das câmeras, a relação entre Acelotti e Endrick é boa. Em todas as entrevistas, há trocas de elogios, tanto na época de Real Madrid como agora, na Seleção.
O próprio Endrick já definiu Ancelotti como um “grande paizão”, afirmando que o treinador entende os jogadores também no aspecto humano e sabe exatamente o que cada um precisa fazer em campo.
Mesmo tendo recebido poucas oportunidades no Real Madrid, o atacante nunca demonstrou publicamente insatisfação com Ancelotti. Pelo contrário, disse que a relação entre os dois “é ótima, sempre foi” e destacou a capacidade do italiano de extrair o melhor de cada atleta.
Já o treinador italiano em entrevista coletiva após a partida contra Marrocos, fez diversos elogios públicos a Endrick durante sua passagem pelo time espanhol. “É um garoto muito humilde, que fala pouco e trabalha muito. Gosto muito disso”, declarou o treinador em entrevista.
Cautela
O treinador sempre é sucinto quando é perguntado sobre o atacante, e essa questão é bastante levantada desde o início da Copa. Ancelotti adotou um discurso cauteloso ao responder sobre a ausência de Endrick no jogo contra o Marrocos. “Não estou aqui para falar individualmente de jogadores, falo do time”, afirmou em entrevista coletiva.
O italiano também ressaltou que o atacante tem características especiais e que seu desenvolvimento deve ocorrer sem precipitação: “Endrick é um jogador muito talentoso e muito maduro para a idade que tem. Jogará no momento adequado.”
O que define a ausência de Endrick?
Alguns fatores podem pesar para a ausência de Endrick em campo. Ao longo das partidas, o treinador tem preferido trabalhar com atacantes que participem mais da construção das jogadas e ofereçam mais pressão defensiva. Ao comparar seus centroavantes, Ancelotti destacou características específicas de Matheus Cunha e Igor Thiago, enquanto definiu Endrick como um “talento extraordinário”.
A gestão da pressão sobre um jogador de 19 anos também é pode ser determinante. Ancelotti já afirmou que colocará Endrick “no momento correto” e pediu paciência. Muitos analistas entendem que ele tenta proteger o atacante do peso de ser apontado como salvador da Seleção em sua primeira Copa do Mundo.
A hierarquia também explica, em partes, a ausência do jovem atacante. Reportagens que relembram outros trabalhos do treinador ressaltam que Ancelotti não costuma alterar a ordem dos jogadores apenas pela pressão externa. Mesmo com pedidos da torcida e da imprensa, ele parece manter uma hierarquia definida internamente.
Independentemente do motivo, o técnico italiano sabe administrar a pressão da torcida brasileira e entende o peso de treinar uma seleção que joga por 213 milhões de pessoas que clamam por seus jovens talentos.



