Estreantes já são protagonistas na Copa do Mundo 2026
De Haaland a Bouaddi, jogadores em sua primeira Copa mostraram que o palco maior não intimida
Por Grace Lima – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
A Copa do Mundo de 2026 tem uma marca inédita: 891 atletas estreiam no Mundial com 48 seleções e recorde de 1.248 jogadores convocados. Para muitos, pisar nesse gramado já seria suficiente. Mas alguns desses estreantes foram além e dominaram a primeira rodada.
Erling Haaland: o cometa finalmente numa Copa

A Noruega estreou com vitória por 4 a 1 sobre o Iraque, em Boston. Haaland foi o grande destaque, com dois gols. A seleção voltava ao Mundial após quase 30 anos, com a última participação em 1998.
Haaland possui mais gols do que jogos pela equipe, estatística que assusta qualquer adversário. Na estreia, ele transformou sua primeira noite de Copa em exatamente o que se esperava: presença de área, frieza e poder de decisão.
Vozinha: o gigante de 40 anos que parou a Espanha

Eleito o melhor jogador da partida, o goleiro Josimar Dias, o Vozinha, realizou sete defesas e impediu a vitória dos espanhóis no empate por 0 a 0, resultado histórico para Cabo Verde em sua estreia absoluta em Copas do Mundo.
Aos 40 anos, Vozinha é o segundo jogador com mais partidas pela seleção cabo-verdiana, com 89 jogos disputados. Mas foi fora do campo que a repercussão tomou proporções inesperadas. Em poucas horas, o perfil do goleiro no Instagram saltou de cerca de 50 mil seguidores para milhões, impulsionado principalmente pelo público brasileiro.
O apelido tem raízes na infância. “O apelido é por causa dos meus avós. Eu nunca vivi com meus pais. Quando nasci, meu pai estava no serviço militar. E minha mãe tinha sempre de trabalhar”, explicou o jogador em entrevista ao site da FIFA. Na biografia do Instagram, ele mantém a frase: “Nunca esqueças quem és, e de onde vieste.”
Yan Diomandé: 19 anos e o mundo inteiro olhando

A joia de 19 anos da Costa do Marfim não desperdiçou sua estreia. Na vitória por 1 a 0 sobre o Equador, em Filadélfia, Diomandé criou cinco chances e completou quatro dribles, mostrando velocidade e técnica, fatores que explicam por que é uma das promessas mais cobiçadas do mercado internacional. A defesa equatoriana, que havia sofrido apenas cinco gols em 18 jogos nas eliminatórias, não tinha resposta para ele.
Nestory Irankunda: um gol para a Austrália que o acolheu

A família de Irankunda deixou Burundi durante uma guerra civil. Ele nasceu num campo de refugiados na Tanzânia e, com três meses de vida, chegou à Austrália. Cresceu, virou jogador profissional e, na estreia da Copa, marcou o gol que ajudou seu país a vencer a Turquia por 2 a 0. Uma história de gratidão escrita no maior palco do futebol mundial.
Michael Olise: o passe que destravou a França

As manchetes ficaram com Mbappé com toda a razão. Mas foi dos pés de Olise que saiu o gol que abriu o placar para a França contra o Senegal, numa partida que estava difícil. O atacante do Bayern de Munique encontrou um passe primoroso para o camisa 10 francês, encerrando a resistência senegalesa e encaminhando a vitória por 3 a 1.
Folarin Balogun: dois gols e um capítulo na história americana

Balogun abriu a lista de goleadores em dose dupla na Copa 2026, com dois gols na vitória dos Estados Unidos por 4 a 1 sobre o Paraguai. Ele se tornou o primeiro jogador a anotar duas vezes numa mesma partida de Mundial pelos EUA desde 1930, há quase um século.
Ayyoub Bouaddi: 18 anos no centro do palco
Num dos jogos mais disputados da primeira rodada, o empate por 1 a 1 entre Brasil e Marrocos em Nova York-Nova Jersey, um jovem de 18 anos ofuscou veteranos de dois lados. Bouaddi percorreu quase 12 quilômetros e completou 59 passes, dominando o meio de campo contra nomes como Casemiro e Bruno Guimarães. Ele transitou entre defesa e ataque como se o maior palco do futebol fosse a rotina.

A primeira rodada ainda reservou outras histórias. Nathaniel Brown marcou um gol e deu uma assistência na goleada alemã por 7 a 1 sobre Curaçao, justificando a confiança do técnico Nagelsmann. Alexander Isak comandou a Suécia com um gol e duas assistências no 5 a 1 sobre a Tunísia numa partida em que Gyokeres e Ayari também estreavam em Copas com atuações decisivas. E Elijah Just deu à Nova Zelândia seus primeiros pontos no Mundial desde 2010, com dois gols no empate por 2 a 2 com o Irã, incluindo um candidato a gol mais bonito do torneio.
A Copa de 2026 ainda está no começo. Mas esses estreantes já deixaram claro: o futuro do futebol não está esperando permissão para chegar.



