Por Beatriz Porto

Por muito tempo, pessoas LGBTQIA+ foram mantidas à margem das decisões políticas do país. Hoje, cada mandato representa toda uma trajetória de luta coletiva por visibilidade, direitos e participação nos espaços de poder.

Vindos dos movimentos sociais, das salas de aula e das periferias, esses parlamentares levam para as instituições pautas historicamente invisibilizadas. E, ao contrário do que muitas vezes se imagina, sua atuação vai muito além das questões identitárias.

A luta por direitos e inclusão caminha lado a lado com propostas que dizem respeito a toda a população.

Conheça algumas dessas vozes que ampliam a diversidade e fortalecem a representatividade nesses espaços.

Duda Salabert

Crédito da imagem: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados

Professora, ambientalista e ativista, Duda Salabert se tornou, em 2022, a primeira deputada federal trans da história de Minas Gerais.

Na Câmara, apresentou pautas voltadas à promoção da cidadania de pessoas trans, como a criação do Dia Nacional da Visibilidade Trans. Duda também é autora do projeto que tornou obrigatório o acesso à água potável nas escolas públicas.

A proposta foi transformada em lei em 2025 e surgiu a partir de dados do Censo Escolar, que apontavam que mais de 1 milhão de estudantes estavam matriculados em escolas sem acesso adequado à água potável.

Daiana Santos

Crédito da imagem: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados

Primeira mulher negra e lésbica eleita deputada federal pelo Rio Grande do Sul, Daiana Santos construiu sua atuação política a partir das lutas populares, do movimento negro e da defesa dos direitos dos trabalhadores.

Em 2025, Daiana assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados. No mesmo ano, apresentou um projeto para reduzir a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso por semana.

Também se consolidou como uma das principais vozes no debate pelo fim da escala 6×1 no Congresso.

Guilherme Cortez

Crédito da imagem: Rodrigo Costa/ Alesp

Deputado estadual em São Paulo, Guilherme Cortez representa uma nova geração de parlamentares. Advogado e ativista, ganhou projeção por sua atuação em pautas ligadas à juventude e ao enfrentamento das desigualdades.

Entre suas principais iniciativas estão o projeto que incluiu a educação climática no currículo das escolas estaduais de São Paulo e a ampliação de direitos para alunos com deficiência. Guilherme também coordenou a reabertura da Frente Parlamentar em Defesa da Unesp e propôs leis para garantir meia-entrada e transporte a estudantes de cursinhos populares.

Bella Gonçalves

Crédito da imagem: Marcelo Santanna/ ALMG

Cientista política e deputada estadual por Minas Gerais, Bella Gonçalves tem uma trajetória marcada pela atuação junto aos movimentos populares. Ela é a primeira parlamentar estadual lésbica da Assembleia Legislativa mineira.

Bella é autora da Lei Estadual das Cozinhas Solidárias em Minas Gerais e atuou na articulação de R$ 250 milhões para a urbanização da Izidora, uma das maiores ocupações urbanas da América Latina.

Thabatta Pimenta

Crédito da imagem: Divulgação/ PSOL

A radialista e ativista Thabatta Pimenta fez história ao se tornar a primeira vereadora trans de Natal e, anteriormente, a primeira vereadora trans do Rio Grande do Norte. Em 2024, foi eleita como a mulher mais votada da capital potiguar. 

   Mãe atípica e responsável pelo irmão com paralisia cerebral, ela transformou essa experiência em uma de suas principais bandeiras. É responsável pelo projeto que institui a política municipal de combate ao capacitismo em Natal, além de propostas voltadas à acessibilidade, como a garantia de intérpretes de Libras em maternidades e hospitais do município.

   A presença de pessoas LGBTQIA+ na política é fundamental para ampliar quem participa das decisões sobre o presente e o futuro do país. Ao contrário do que sugere uma visão apressada da política, esses mandatos mostram que a luta vai muito além das pautas identitárias. 

  Essas lideranças trazem vivências e olhares historicamente ausentes dos espaços de poder, mas quando passam a integrar o debate público, constrói uma política mais plural, mais conectada à realidade do país e mais capaz de refletir a diversidade da população brasileira.