A volta da amarelinha: a tradicional camisa do Brasil volta a ser usada na Copa de 2026
Após perder espaço nos últimos anos, a camisa amarela recupera força entre os torcedores na Copa de 2026
Por José Castro – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
A Copa do Mundo já está entre nós. Em 2026, o torneio será o maior Mundial da história, reunindo 48 seleções. E todo brasileiro sabe que essa é uma competição diferente. Mesmo após mais de duas décadas de espera, a esperança pela conquista da sexta estrela segue viva. Pode parecer um sonho distante, mas basta a Copa começar para a expectativa tomar conta do país e levar a torcida às alturas.
Mas é nítido que algumas coisas mudaram ao longo dos anos. Embora a Copa do Mundo continue mobilizando milhões de brasileiros, algumas tradições perderam força entre uma edição e outra. Entre elas está um dos maiores símbolos da Seleção Brasileira: a camisa amarelinha.
Na Copa do Catar, em 2022, o uniforme número 1 do Brasil perdeu parte do protagonismo que sempre teve entre os torcedores. A tradicional camisa amarela não deixou de ser usada, mas precisou dividir espaço nas lojas e nas arquibancadas com a camisa azul, igualmente querida pelos brasileiros. Naquele Mundial, porém, o segundo uniforme registrou um aumento significativo na procura, algo incomum na história recente da Seleção.
O crescimento da procura pela camisa azul já havia dado sinais na Copa de 2018, na Rússia. Na ocasião, segundo dados divulgados pela Nike, fornecedora de material esportivo da Seleção Brasileira, foram vendidas cerca de 375 mil unidades do segundo uniforme. Quatro anos depois, no Catar, esse número praticamente dobrou, alcançando 720 mil camisas comercializadas. Os dados consideram apenas os produtos oficiais e não incluem réplicas não licenciadas ou versões piratas, que também circularam em grande escala durante o período.
Motivos para a queda na procura da amarelinha
Alguns fatores colaboraram para a baixa procura da camisa amarelinha, mas o principal, e que ainda faz algumas pessoas evitarem o uniforme número 1 do Brasil, é a questão política.
Assim como a bandeira do Brasil, a camisa da Seleção foi associada a um grupo político, especialmente durante as eleições de 2018, embora o Mundial daquele ano já tivesse sido realizado.
Mas, na Copa seguinte, isso se intensificou, muito em função do cenário atípico do torneio. A competição foi realizada apenas no final do ano, por causa do forte calor no país-sede, o Catar. As eleições aconteceram antes do maior evento esportivo do mundo pela primeira vez, tornando inevitável a associação por parte desse grupo político e também por parte de quem não simpatizava com ele.
E a força que isso teve, principalmente nas redes sociais, foi imensa. Políticos, influenciadores e apoiadores do então presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro, reforçaram essa associação. Isso fez com que muitas pessoas passassem a evitar a camisa amarela pela possibilidade de serem confundidas com apoiadores do ex-presidente, criando um estigma em torno da famosa camisa canarinho.
Mesmo não fazendo sentido associar uma camisa esportiva a uma posição política, o estigma já estava estabelecido. A camisa e a bandeira que foram levadas ao topo por atletas históricos como Ayrton Senna, Gustavo Kuerten, Gabriel Medina, Rebeca Andrade e Rayssa Leal, além dos cinco títulos mundiais da Seleção Brasileira, passaram a ser associadas a uma figura política e seus simpatizantes.
A volta da camisa amarelinha
Quatro anos se passaram e o cenário político não mudou muito. A camisa da Seleção ainda é bastante associada ao grupo que apoia o agora ex-presidente. Mas o fato de a Copa voltar à sua data tradicional ajudou parte da população a deixar de lado o “ranço” da amarelinha.
Aos poucos, voltamos a ver a camisa número 1 da Seleção sendo usada como antes, sem uma associação tão imediata ao bolsonarismo. Claro que o estigma ainda permanece, é difícil desfazer uma associação que se consolidou ao longo dos anos, especialmente para quem não acompanha de perto a política ou o futebol.
Números de venda da camisa canarinho
Os números de vendas da amarelinha aumentaram muito em relação à última Copa. Dados da plataforma de inteligência para o varejo digital Neotrust indicam que foram comercializadas aproximadamente 915 mil camisas oficiais da Seleção Brasileira, gerando cerca de R$ 382 milhões em faturamento em menos de três meses.
Desse total, aproximadamente 750 mil unidades correspondem à tradicional camisa amarela, representando a maior parte das vendas.
Também há relatos de que a nova camisa amarela superou em cerca de 30% as vendas do modelo lançado para a Copa de 2014, embora Nike e CBF ainda não tenham divulgado os números absolutos.



