Renata Silveira faz história ao narrar Copa do Mundo direto do estádio
Narradora se torna a primeira mulher a narrar um jogo de Mundial in loco na TV aberta
Por Fabiana Sabino – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
Renata Silveira fez história novamente. Aos 36 anos, a narradora da Globo se tornou a primeira mulher a narrar in loco uma partida de Copa do Mundo na TV aberta. O marco aconteceu durante a transmissão de Bélgica x Egito, direto do Lumen Field, em Seattle, nos Estados Unidos.
No Brasil, o futebol ocupa um grande espaço na cultura popular, porém, por muito tempo, esse cenário foi composto majoritariamente por homens. Após anos de resistência, a presença de Renata na narração esportiva representa uma conquista expressiva para todas as mulheres.
Em 2022, a narradora já havia entrado para a história. Na Copa do Mundo do Catar, ela foi a primeira mulher a narrar uma partida de Mundial na TV aberta brasileira, no jogo entre Dinamarca e Tunísia, transmitido pela TV Globo. Depois de quatro anos, Renata deixa o estúdio para trabalhar diretamente do palco do Mundial.
Você pode se questionar: “o que há de diferente nesta experiência?”
Narrar uma Copa in loco significa estar dentro do ambiente do jogo. Isso possibilita que o narrador sinta o estádio e as torcidas, podendo transmitir a emoção de tudo o que está acontecendo em tempo real. Para Renata, estar neste lugar é uma conquista, pois o que antes era negado às mulheres passou a ser mais um sonho realizado.
Trajetória
Sua trajetória ajuda a explicar a dimensão do momento. Renata Silveira nasceu no Rio de Janeiro, se formou em Educação Física e fez pós-graduação em Jornalismo Esportivo. Em 2014, ela começou a narrar jogos da Copa do Mundo no rádio, depois de vencer um concurso da Rádio Globo. Em 2018, participou da cobertura da Copa da Rússia, pela Fox Sports, antes de chegar ao Grupo Globo e se tornar a primeira mulher a narrar futebol da história da empresa.
Desde então, sua voz faz parte de transmissões importantes do futebol brasileiro e internacional. Mas, para chegar até aqui, a narradora precisou ser resistente. Assim como outras mulheres nesse segmento, ela lida diariamente com comentários machistas e ataques nas redes sociais. Sua competência profissional é subestimada pelo fato de ser uma mulher.
É por isso que, para Renata, a Copa do Mundo de 2026 tem um peso maior. Ela não é só uma narradora, é uma mulher que quebrou os tabus impostos por uma sociedade machista dentro do jornalismo esportivo. Em um dos eventos mais assistidos do planeta, sua voz representa todas as mulheres que também sonham em fazer parte de momentos como estes, mas sempre ouviram que o futebol “não era lugar para elas”.
Representatividade
Apesar do crescimento da presença feminina na cobertura esportiva, a narração de futebol ainda enfrentava grande resistência à diversidade. Aos poucos, as mulheres foram aceitas como repórteres, apresentadoras e comentaristas, mas dificilmente como vozes principais de uma transmissão. Como a narração é o principal guia de um jogo para milhões de pessoas, ela sempre foi cercada por uma ideia de autoridade masculina.
Nos últimos anos, mulheres marcam presença nas arquibancadas, redações, programas esportivos, arbitragem, diretorias e nos gramados. Diante disso, ter uma figura como Renata à frente das transmissões é reflexo da transformação de um segmento ainda desigual.
A voz de Renata Silveira ecoa por todas as mulheres que trilham esse caminho e lutam por espaço. Ela é o exemplo para meninas que, hoje, podem ligar a TV e finalmente se enxergar do outro lado da tela.



