O 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba anunciou os vencedores de sua edição de 2026, encerrando uma programação que reuniu 80 filmes de diferentes países e consolidou mais uma vez o evento como um dos principais espaços de difusão e valorização do cinema autoral contemporâneo. As produções premiadas foram escolhidas pelos júris das mostras competitivas brasileira e internacional, além de premiações concedidas por entidades parceiras, crítica especializada e público.

Entre os destaques da Mostra Competitiva Brasileira, o longa-metragem “Olhe Para Mim”, dirigido por Rafhael Barbosa, foi o filme mais premiado da competição nacional, conquistando três troféus: Melhor Direção, Melhor Direção de Arte e Melhor Som. A produção alagoana apresenta uma fantasia alegórica inspirada no imaginário popular do Rio São Francisco e acompanha Marcelo, um jovem que ainda convive com as marcas do desaparecimento da mãe durante uma tradicional festa religiosa da cidade.

Na trama, o encontro com dois viajantes misteriosos desencadeia uma jornada marcada por experiências transcendentes, figuras míticas e a travessia de fronteiras físicas e simbólicas. O reconhecimento do júri reforça a força estética e narrativa da obra dentro da produção brasileira contemporânea.

Outro grande vencedor da noite foi “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, de Janaína Marques, que recebeu o Prêmio Olhar de Melhor Filme e o prêmio de Melhor Atuação, concedido ao elenco. O longa acompanha Rosa, que durante um exame de ressonância magnética mergulha em uma viagem subconsciente na qual revisita lembranças reais e imaginadas ao lado da mãe.

O prêmio de Melhor Roteiro ficou com “Adulto/Homem”, dirigido por Pedro Diógenes. Construído em plano-sequência, o filme acompanha um grupo de 20 atores que aguardam a realização de um teste de elenco, refletindo sobre expectativas, inseguranças e os bastidores da profissão.

“A Noite e os Dias de Miguel Burnier”, de João Dumans, foi reconhecido nas categorias de Melhor Fotografia e Melhor Montagem. Ambientado em um distrito minerador do interior brasileiro, o filme retrata um grupo de amigos que enfrenta o tédio, a falta de perspectivas e o impacto das transformações sociais em uma pequena comunidade.

Na competição de curtas brasileiros, o Prêmio Olhar de Melhor Filme foi concedido a “Pirexia”, de Nico da Costa. A obra acompanha um astro do rock atormentado por uma febre criativa que o impede de compor novas músicas e que reencontra um antigo parceiro para criar uma última canção de cura e renascimento.

O Prêmio Especial do Júri foi para “Pinguim de Doce de Leite”, de Ana Vitória Miotto Tahan, enquanto o Prêmio do Público de curta-metragem ficou com “Duwid Tuminkiz – Makunaima é Duwid?”, de Gustavo Caboco Wapichana. O documentário propõe uma reflexão sobre a figura de Macunaíma e suas relações com as origens indígenas do personagem criado por Mário de Andrade.

Na Mostra Competitiva Internacional, o principal prêmio da categoria foi para “Um Calendário Incompleto”, da diretora Sanaz Sohrabi. A coprodução entre Canadá, Irã, Turquia, Vanuatu e Venezuela parte de um raro disco comemorativo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para revisitar movimentos de solidariedade política e processos de libertação nacional relacionados ao mundo árabe e à Palestina.

O Prêmio Especial do Júri foi entregue à animação “Bouchra”, dirigida por Orian Barki e Meriem Bennani. A coprodução entre Itália, Marrocos e Estados Unidos acompanha uma mulher marroquina vivendo em Nova York que registra a relação à distância com sua mãe em Casablanca, explorando memórias, afetos e segredos familiares.

Entre os curtas internacionais, o vencedor foi “Dragão”, de Yashira Jordán. A produção, realizada entre Bolívia e México, retrata dois adolescentes que encontram em um videogame retrô uma forma de escapar das dificuldades e da monotonia do cotidiano.

O público da competição internacional escolheu “Se Pombos Virassem Ouro”, de Pepa Lubojacki, como Melhor Longa-Metragem. O documentário mistura imagens documentais, textos e recursos de inteligência artificial para abordar os impactos do alcoolismo em uma família ao longo de diferentes gerações.

Na Mostra Novos Olhares, dedicada a propostas cinematográficas inovadoras e experimentais, o vencedor foi “Como Todo Mortal”, de Maria Molina Peiro. A coprodução entre Espanha e Países Baixos constrói uma narrativa que conecta exploração mineral, ecossistemas subterrâneos e ficção científica, transitando entre a Andaluzia e paisagens que remetem ao planeta Marte.

A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) concedeu seu prêmio de Melhor Longa Brasileiro a “Reparação”, dirigido por Marcus Curvelo. O filme acompanha um homem que, ao completar 35 anos, busca cumprir um ritual de despedida relacionado à memória do pai enquanto enfrenta mudanças profundas em sua própria vida. A produção também recebeu Menção Honrosa no festival.

Entre as premiações paralelas, o Prêmio AVEC-PR – Lu Rufalco foi para “Tornar-se Ciborgue no Interior”, de Louisa Sauvignon, vencedor também de R$ 5 mil oferecidos pela Sanepar. Já o Prêmio Itaú Cultural Play foi entregue a “Estrelas Terrestres”, de Rafael Neri M. Ferreira, garantindo licenciamento da obra na plataforma de streaming e premiação de R$ 15 mil.

O Prêmio Cardume de Curtas foi concedido a “Marimbã Está Acontecendo”, de Maryn Marynho, enquanto “O Segredo Sagrado”, de Everlane Moraes, recebeu o Prêmio Canal Brasil de Curtas.

Foto: Sé Souza/Cine Ninja

Lista completa dos premiados

Mostra Competitiva Brasileira – Longas

  • Melhor Filme: “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” – Janaína Marques
  • Melhor Direção: Rafhael Barbosa (“Olhe Para Mim”)
  • Melhor Roteiro: “Adulto/Homem” – Pedro Diógenes
  • Melhor Atuação: Elenco de “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”
  • Melhor Direção de Arte: Nina Magalhães (“Olhe Para Mim”)
  • Melhor Fotografia: João Dumans (“A Noite e os Dias de Miguel Burnier”)
  • Melhor Som: Lucas Coelho (“Olhe Para Mim”)
  • Melhor Montagem: Affonso Uchoa (“A Noite e os Dias de Miguel Burnier”)

Mostra Competitiva Brasileira – Curtas

  • Melhor Filme: “Pirexia” – Nico da Costa
  • Prêmio Especial do Júri: “Pinguim de Doce de Leite” – Ana Vitória Miotto Tahan
  • Prêmio do Público: “Duwid Tuminkiz – Makunaima é Duwid?” – Gustavo Caboco Wapichana
  • Prêmio Canal Brasil: “O Segredo Sagrado” – Everlane Moraes
  • Prêmio Cardume de Curtas: “Marimbã Está Acontecendo” – Maryn Marynho

Mostra Competitiva Internacional

  • Melhor Longa-Metragem: “Um Calendário Incompleto” – Sanaz Sohrabi
  • Prêmio Especial do Júri: “Bouchra” – Orian Barki e Meriem Bennani
  • Melhor Curta-Metragem: “Dragão” – Yashira Jordán
  • Prêmio do Público (Longa): “Se Pombos Virassem Ouro” – Pepa Lubojacki

Mostra Novos Olhares

  • Melhor Filme: “Como Todo Mortal” – Maria Molina Peiro

Premiações Especiais

  • Prêmio Abraccine: “Reparação” – Marcus Curvelo
  • Menção Honrosa: “Reparação” – Marcus Curvelo
  • Prêmio AVEC-PR – Lu Rufalco: “Tornar-se Ciborgue no Interior” – Louisa Sauvignon
  • Prêmio Itaú Cultural Play: “Estrelas Terrestres” – Rafael Neri M. Ferreira