Colômbia vota: a esquerda de Iván Cepeda chega ao dia decisivo como favorita
A disputa eleitoral é vista como um plebiscito sobre o legado do presidente Gustavo Petro e as transformações impulsionadas pelo Pacto Histórico.
A Colômbia realiza neste domingo uma eleição presidencial decisiva para definir os rumos políticos do país no período de 2026 a 2030. Mais de 40 milhões de eleitores estão aptos a votar entre 11 candidaturas em uma jornada que contará com a presença de 1.200 observadores internacionais, pertencentes a 26 organizações e missões, que acompanharão o processo em coordenação com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
As urnas permanecem abertas das 8h às 16h. Caso nenhum candidato alcance mais de 50% dos votos válidos, o país realizará um segundo turno no próximo dia 21 de junho.
Iván Cepeda e a aposta no aprofundamento das reformas
A disputa eleitoral é vista como um plebiscito sobre o legado do presidente Gustavo Petro e as transformações impulsionadas pelo Pacto Histórico nos últimos quatro anos. Liderando as pesquisas aparece o senador Iván Cepeda, acompanhado pela líder indígena nasa Aida Quilcué como candidata à vice-presidência.
A chapa representa a continuidade das reformas trabalhistas, sociais e ambientais promovidas pelo atual governo, com foco na redução das desigualdades e na ampliação de direitos para os setores populares.
Nos bairros populares de Bogotá, como El Paraíso, em Ciudad Bolívar, o apoio a Cepeda está fortemente associado a medidas como o aumento do salário mínimo, a reforma trabalhista e a melhoria das condições de trabalho. “Cepeda está mais ao lado dos pobres”, afirma Nicole Dayana, jovem trabalhadora e estudante de engenharia industrial que vota pela primeira vez.
A candidatura de Cepeda também simboliza a consolidação de uma agenda progressista que busca ampliar a participação política de setores historicamente excluídos. A presença de Aida Quilcué, uma das principais lideranças indígenas e sociais do país, reforça essa mensagem de diversidade, justiça social e protagonismo dos territórios.
Sua presença na chapa é vista por amplos setores como um sinal de continuidade do projeto político que levou Francia Márquez à vice-presidência em 2022 e que busca ampliar a presença de mulheres, povos indígenas e comunidades historicamente marginalizadas nos espaços de decisão.

Abelardo de la Espriella e a ascensão da nova direita
A principal ameaça ao campo governista vem de Abelardo de la Espriella, advogado e empresário de perfil ultraconservador que se apresenta como outsider da política tradicional. Com uma campanha centrada nas redes sociais, em discursos de linha dura contra a insegurança e em promessas de ampliar a exploração petrolífera por meio do fracking, ele se tornou a principal referência da direita radical colombiana.
O candidato já manifestou admiração por Nayib Bukele e Javier Milei, enquanto defende o fortalecimento das forças de segurança e a atração de investimentos internacionais por meio de uma agenda econômica favorável aos combustíveis fósseis e ao setor privado.
Seu crescimento nas pesquisas acabou ofuscando nomes tradicionais da direita, como a senadora uribista Paloma Valencia, que chega enfraquecida à reta final da campanha.
Um resultado com impacto em toda a América Latina
Embora Cepeda lidere as intenções de voto, as pesquisas indicam que conquistar a vitória já no primeiro turno será uma tarefa difícil. Tudo aponta para uma disputa polarizada entre dois projetos antagônicos: o aprofundamento das reformas progressistas iniciadas por Petro ou uma guinada conservadora impulsionada pela nova ultradireita colombiana.
A votação deste domingo não definirá apenas o futuro imediato da Colômbia. O resultado também será acompanhado com atenção em toda a América Latina, onde diferentes setores avaliam que a eleição poderá influenciar a continuidade e o fortalecimento dos projetos progressistas na região.



