Fenômeno da noite curitibana, PECI lança DVD autoral
Artista lança “AO VIVO E A CORES” no dia 15 de maio
Por Gabriel Dias
PECI é um movimento em Curitiba. Aos 24 anos, o artista independente tem feito dos bares da cidade pontos de encontro recorrentes, com noites cheias, público fiel e um repertório autoral que cresce junto à sua audiência. É desse palco — quente, próximo e coletivo — que nasce “AO VIVO E A CORES”, DVD que chega às plataformas no dia 15 de maio e registra a força de quem constrói público na unha, transformando cada show em carnaval.
O projeto reúne oito faixas que traduzem a identidade do artista: um pop tropical marcado pela brasilidade, pelo exagero performático e pela energia do ao vivo. O repertório combina músicas autorais já conhecidas do público, como “Coisa Pouca (EXAGERADO)”, “fugi do rolê” e “Cacilda”, com três inéditas — “8 ou 80”, “Semáforo” e “Começa na Maçã, Termina na Banana”.
O DVD também abre espaço para releituras à sua maneira. Em “Ex Mai Love/Palpite”, o artista funde dois clássicos da música brasileira em uma versão pulsante e afetiva. Já em “Amar Às Vezes Dói”, apresenta uma leitura em português de “The Winner Takes It All”, do ABBA, trazendo o hit internacional para a realidade brasileira.
Para a SOM.VC, o artista respondeu algumas perguntas sobre sua carreira e o novo projeto:
1. Como a música entrou na sua vida?
Eu não lembro de um momento específico, mas sim de vários que colocaram a música na minha vida. Uma amiga minha, uma vez, cantarolou uma música na aula e eu fiquei curioso pra saber qual era. Era “New York, New York”, do Frank Sinatra, e eu amei. Tempos depois, fui viajar pra praia com meus avós e, como eu tinha contado que gostava dessa música, eles disseram que ela ia tocar no pendrive. Acho que foi a primeira vez que eu realmente parei pra prestar atenção em música.
Nesse caminho, descobri James Brown, Chubby Checker, Celly Campello e Elba Ramalho. Ali comecei a ficar muito curioso sobre todo tipo de música. Eu tinha uns 11, 12 anos e escutava de tudo — principalmente músicas “antigas” (antigas na data de lançamento, porque são atemporais). Cada vez fui descobrindo mais e mais, principalmente a música brasileira. E eu me apaixonei.
A diversidade e o fato de ela vir do mesmo lugar de onde eu vim me deram um orgulho, uma vontade doida de fazer parte, de pertencer. E daí comecei a sonhar e trabalhar pra fazer esse sonho virar realidade.

2. Teve algum momento em que virou a chave e você entendeu que queria fazer disso um projeto autoral?
Na pandemia, durante o isolamento, um dia eu escutei algum vizinho tocando saxofone pra galera do prédio. Eu ainda era um aspirante a cantor; os contatos que eu tinha tido com palco eram poucos, em apresentações de escola e coisas assim. Mas, quando ouvi aquilo, junto daquela ansiedade acumulada de ver gente, fiquei com uma vontade enorme de cantar pras pessoas.
Um dia peguei uma caixinha de som que eu tinha, montei um palquinho na minha sacada, peguei meu violão e fui. Deixei a luz apagada porque tava morrendo de vergonha e pedi pra minha mãe ficar a postos pra acender depois. Cantei a primeira música — acho que foi algo do Tim Maia — e escutei alguns aplausos do prédio vizinho. Pedi pra minha mãe acender a luz porque o show tinha, de fato, começado.
Ali eu soube. Eu tava onde queria estar. Não importa onde fosse — numa sacada, num teatro ou no meio da rua — era e é o palco o meu lugar.
3. Você cresceu muito nesse contato direto com o público, nos bares. O que o ao vivo te ensinou que você levou pra esse DVD?
Como eu disse, eu me encontrei como artista no palco. É a parte do trabalho que eu mais gosto de fazer. Acho que o ao vivo tem uma adrenalina muito grande, porque não dá pra voltar atrás. Fez e pronto.
Com isso vem uma responsabilidade ainda maior, porque além de você não poder parar e refazer, refazer, refazer até chegar no “ideal”, o público já tá ali vendo. Eles vão sentir, na hora, o que você quer passar. E por isso — e acho que essa é a melhor coisa do palco — você tem que ter total liberdade pra ser você. Se entregar.
Porque é na autenticidade, na humildade de ser quem você é, que as pessoas se conectam de verdade. E o palco te dá essa liberdade de se entregar por inteiro. O DVD é o ápice de tudo isso. Tudo o que cada show e cada público me ensinaram. É a minha maneira de agradecer.
4. Você define seu som como pop tropical. O que isso significa?
Pop tropical é algo que sempre existiu. Acho que a raiz do pop tropical é o Tropicalismo. Talvez até antes disso.
Pra mim, pop tropical é a junção do pop contemporâneo global com a regionalidade e a singularidade da música latino-americana e brasileira.

5. Tem uma presença forte de carnaval no seu trabalho, mesmo você estando no Sul. Você acha que seu trabalho rompe com alguns estereótipos a respeito do Sul?
Com certeza. Muita gente tem esse estereótipo de que o Sul é um lugar frio, com pessoas frias, e de que não tem Carnaval. O clima realmente é frio em alguns momentos do ano. Mas as pessoas, não. Tem gente e gente.
Aqui em Curitiba tem surgido um movimento cada vez mais forte de valorização do Carnaval e também da música brasileira num geral. Muita gente massa veio daqui — gente que não tem nada a ver com esse estereótipo.
A questão é entender que somos todos brasileiros. E eu tenho muito orgulho disso. Cada região, cada lugar tem seus costumes e particularidades, e é isso que faz o Brasil ser tão lindo do jeito que é. Mas, no fim, é todo mundo do mesmo lugar. No final do dia, se começa a tocar “Evidências” no bar, todo mundo canta junto.
6. O que esse DVD representa pra você? E por que chamá-lo de DVD e não de audiovisual?
Esse projeto é o ápice da minha carreira até aqui. Um marco. Levando em conta tudo o que tenho vivido nesses primeiros anos de carreira e, principalmente, a minha alegria de estar num palco sentindo o público cantar comigo, ele representa exatamente o artista que eu sou hoje.
E é por isso que eu chamo de DVD. Eu cresci ouvindo e vendo os DVDs de grandes artistas como Ivete Sangalo, Ney Matogrosso, Elba Ramalho e Sidney Magal. Eles me formaram como artista.
A vibe que os DVDs trazem é indescritível. E até hoje a galera do pagode, do sertanejo e do forró — que também são grandes referências pra mim — faz muito isso: grava músicas inéditas ao vivo e lança nas plataformas digitais. Até porque, como artista independente, é muito caro produzir a mídia física. Mas o sentimento do DVD, essa aura, tá lá. Pode não existir fisicamente ainda, mas tá lá.



