‘Sagrado’ vence o É Tudo Verdade 2026 com retrato da educação pública
Documentário de Alice Riff aborda o cotidiano escolar em Diadema (SP) e transforma a escuta em gesto político
O É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários anunciou, neste sábado (18), os vencedores de sua 31ª edição, consolidando mais um ano de destaque para o documentário contemporâneo. Entre produções nacionais e internacionais, os principais prêmios reafirmam o compromisso do evento com um cinema político, inventivo e atento às transformações sociais. Os filmes vencedores das competições principais recebem o Troféu É Tudo Verdade e tornam-se elegíveis para o Oscar, já que o festival é reconhecido como qualificatório pela Academia de Hollywood desde 2018.
Na Competição Brasileira de Longas ou Médias-Metragens, “Sagrado”, de Alice Riff, foi o grande vencedor. O documentário mergulha no cotidiano de uma escola pública em Diadema (SP) e foi premiado por sua abordagem rigorosa e sensível, que articula forma estética e potência política a partir da observação e da escuta. A menção honrosa ficou com “Apopcalipse Segundo Baby”, de Rafael Saar, que constrói um retrato vibrante da artista Baby do Brasil a partir de materiais de arquivo e forte presença performática.
Entre os curtas brasileiros, o destaque foi “Os Arcos Dourados de Olinda”, de Douglas Henrique, que conquistou o prêmio principal ao propor uma crítica bem-humorada ao imperialismo cultural a partir de um conflito local envolvendo a instalação de uma unidade do McDonald’s. O júri também concedeu menções honrosas a “Filme-Copacabana”, de Sofia Leão, e “Divino: Sua Alma, Sua Lente”, de Clea Torres e Gilson Costta, reconhecendo a inventividade formal e a força de seus personagens.
Na Competição Internacional de Longas ou Médias-Metragens, o grande vencedor foi “Um Filme de Medo”, dirigido por Sergio Oksman. A obra acompanha a estadia do diretor e seu filho em um hotel em Lisboa que remete ao universo de “O Iluminado”, de Stanley Kubrick, explorando as tensões entre memória, paternidade e os fantasmas do passado. O júri destacou a força do filme ao transformar o terror em uma experiência íntima, centrada na relação entre pai e filho. Ainda na competição internacional, “Meu Pai e Gaddafi”, de Jihan, recebeu menção honrosa ao articular dimensões familiares e políticas em um contexto marcado por conflitos.
Entre os curtas internacionais, o prêmio principal foi para “Sonhos de Apagão”, de Gabriele Licchelli, Francesco Lorusso e Andrea Settembrini, que aborda os impactos dos blecautes em Cuba como elemento narrativo e estético. Já a menção honrosa ficou com “Se Não Gosta, Não Olhe”, de Margaux Fournier, que retrata encontros entre mulheres aposentadas com olhar íntimo e político sobre o corpo e o envelhecimento.
Além dos prêmios oficiais, o festival distribuiu diversas premiações paralelas, reforçando o reconhecimento a diferentes aspectos da produção documental. “Os Arcos Dourados de Olinda” recebeu ainda o Prêmio Canal Brasil e o Prêmio Mistika, enquanto “Apocalipse Segundo Baby” foi contemplado pelo prêmio de pesquisa. Já o Prêmio APACI destacou as direções de Douglas Henrique e Alice Riff, reafirmando o protagonismo dessas obras na edição.
Vencedores do 31º É Tudo Verdade
“Um Filme de Medo” – direção de Sergio Oksman
Vencedor da Competição Internacional de Longas ou Médias-Metragens (Troféu É Tudo Verdade)
“Sagrado” – direção de Alice Riff
Vencedor da Competição Brasileira de Longas ou Médias-Metragens (Troféu É Tudo Verdade)
“Sonhos de Apagão” – direção de Gabriele Licchelli, Francesco Lorusso e Andrea Settembrini
Vencedor da Competição Internacional de Curtas-Metragens
“Os Arcos Dourados de Olinda” – direção de Douglas Henrique
Vencedor da Competição Brasileira de Curtas-Metragens
Vencedor do Prêmio Canal Brasil
Vencedor do Prêmio Mistika
Vencedor do Prêmio APACI (direção)
Vencedor do Prêmio edt. (montagem)
“Meu Pai e Gaddafi” – direção de Jihan
Menção honrosa na Competição Internacional de Longas ou Médias-Metragens
“Se Não Gosta, Não Olhe” – direção de Margaux Fournier
Menção honrosa na Competição Internacional de Curtas-Metragens
“Apopcalipse Segundo Baby” – direção de Rafael Saar
Menção honrosa na Competição Brasileira de Longas ou Médias-Metragens
Vencedor do Prêmio edt. (montagem)
Vencedor do Prêmio Maria Rita Galvão (pesquisa)
“Filme-Copacabana” – direção de Sofia Leão
Menção honrosa na Competição Brasileira de Curtas-Metragens
“Divino: Sua Alma, Sua Lente” – direção de Clea Torres e Gilson Costta
Menção honrosa na Competição Brasileira de Curtas-Metragens



