Homens que se reúnem por meio de aplicativos de mensagens para trocar informações e dicas sobre como dopar e estuprar suas próprias mulheres. A prática não é nova, o que se intensifica é o grau de organização e circulação. Em grupos de Telegram, alguns com nomes como “Zzzzzzz”, usuários compartilham orientações sobre como cometer o crime, quais substâncias utilizar e até onde assistir a vídeos de outros homens abusando de suas companheiras.

A dinâmica não se limita a conversas privadas. O site pornográfico Motherless reúne cerca de 20 mil vídeos com cenas de estupro e registrou, apenas em fevereiro, 62 milhões de acessos. Nos conteúdos, homens chegam a levantar as pálpebras das vítimas para comprovar que estão sedadas antes de iniciar a violência, segundo relatou a jornalista Milly Lacombe em reportagem para o UOL.

Nos grupos, circulam também instruções sobre como fazer com que os efeitos das drogas desapareçam rapidamente do organismo, dificultando a produção de provas, além de recomendações para evitar a morte das vítimas. Há ainda quem tenha transformado essa prática em negócio: usuários vendem substâncias para sedação, monetizam vídeos e trocam elogios pelas “performances”.

O que mais chama atenção é que muitos desses homens mantêm relações estáveis com as vítimas. São casamentos de 10, 20 ou 30 anos, com filhos e rotinas compartilhadas, o que evidencia o caráter estrutural da violência.

A chamada “Academia do Estupro”, investigada pela CNN, revela não apenas uma rede organizada, mas uma cultura que normaliza o ódio contra mulheres. Organizações como a Women’s March alertam que não se trata apenas de quantificar participantes: um único caso já seria suficiente para provocar indignação e exigir respostas urgentes.

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