É direito delas dizer não: como o carnaval de Brasília enfrentou o assédio em proteção às mulheres
Brasília encerra Carnaval 2026 com balanço positivo em segurança para mulheres e combate à importunação sexual nos blocos
Por Leandro Jones Carvalho dos Santos
O Carnaval de 2026 em Brasília chegou ao fim com uma marca importante: a ocupação das ruas pelo debate sobre o consentimento. Por meio da campanha “É Direito Delas Dizer Não”, o Distrito Federal buscou enfrentar o histórico de importunação sexual que, ano após ano, compromete a folia.
A iniciativa concentrou esforços na conscientização direta nos blocos de maior público, especialmente no Plano Piloto e em Taguatinga. Com a atuação de equipes capacitadas, o objetivo foi transformar o ambiente festivo em um espaço no qual a liberdade das mulheres fosse prioridade.


Estratégias de prevenção e o Protocolo “Por Todas Elas”
A campanha foi articulada pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF) em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM). As ações tiveram como base o Protocolo Por Todas Elas, instituído pela Lei nº 7.241/2023.
A legislação estabelece diretrizes para que estabelecimentos e eventos saibam como agir diante de casos de violência. Durante os dias de folia, o foco esteve na distribuição de materiais informativos e no uso das “melequinhas” (adesivos), reforçando a mensagem de que o corpo da mulher não é público.

Para a subsecretária de Apoio a Vítimas de Violência, Uiara Couto de Mendonça, a ação preventiva é o que fortalece a rede de proteção. “Nosso foco foi agir de forma organizada para acolher e orientar. O protocolo garante que a resposta em ambientes festivos seja humanizada”, explica.
Responsabilidade coletiva: o exemplo que vem das ruas
A segurança das mulheres no Carnaval não depende apenas do Estado, mas também da postura dos organizadores de blocos. O Concentra Mas Não Sai se consolidou neste ano como uma referência ao aliar a tradição da festa ao compromisso social.
Com o tema “Salve Todas as Mulheres”, o bloco aplicou protocolos de acolhimento para vítimas de violência e discriminação. A iniciativa mostrou que é possível manter a alegria contagiante enquanto se combate o machismo e a LGBTQIAP+fobia.
Marconi Mendes, fundador do bloco, defende que o Carnaval deve ser um território de proteção. “O nosso tema reforça que a festa é um espaço de respeito e liberdade. Todas as mulheres precisam se sentir seguras para celebrar”, destaca o organizador.


O desafio da cultura do respeito
A mobilização de 2026 em Brasília evidenciou que o enfrentamento à violência de gênero exige presença constante. Servidores identificados atuaram em regiões como Águas Claras e Planaltina, levando informações sobre como reconhecer abusos e onde buscar ajuda.
A secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, reforça que a diversão deve caminhar junto com a segurança. “O recado foi claro: diversão não combina com violência. O papel da campanha é garantir que as mulheres aproveitem o carnaval com liberdade”, afirma.
O esforço conjunto entre o poder público e os blocos de rua sinaliza um caminho para as próximas edições. Mais do que números, o que se buscou em 2026 foi a construção de uma cultura em que o “não” seja, de fato, respeitado.



