Foto: Mídia NINJA

Ansiedade. Esta é a palavra que define o sentimento da maioria dos brasileiros nesta semana. Domingo iremos as urnas escolher um novo destino para nosso país. Alguns de nós guarda aquele sentimento de receio, um pouco de insegurança em saber se seu voto será respeitado dessa vez. Afinal, fomos golpeados recentemente.

Estranho pensar que a pouco tempo vivenciamos um dos períodos mais estranho de nossa história. É como se tivessem pausado nossa vida e desde então permanecemos parados, boquiabertos assistindo tudo sem agir. O céu foi mudando sua tonalidade, anunciou um tempo de escuridão, antigas ameaças foram ganhando espaços e seguidores.

De repente ser contra as diferenças tornou-se piada, o repúdio as mudanças não ocupam mais os espaços televisivos e virtuais nas figuras dos “humoristas”, o riso agora é de raiva. Historicamente, tempos de transição costumam ser turbulentos, caóticos porque nem todos compreendem a necessidade de abandonar velhos costumes e entender a importância de novas configurações.

O embate de ideias é fundamental para democracia, todos apresentam suas ideias, argumentam com informações e após discussões tomam uma decisão que esteja alinhada com a maioria. Contudo, muitos costumam confundir preconceito com opinião, ou até mesmo não entender bem quais são as atitudes que tornam uma ação preconceituosa.

Essa confusão é muito comum quando tratamos do assunto deficiência, especialmente por ser um tema rodeado por estereótipos e poucas pessoas para falar sobre eles de modo direto. Talvez, por esse motivo encontramos pessoas com e sem deficiência repetindo atitudes capacitistas ou até mesmo extremamente preconceituosas com a diversidade do outro.

Quando lidamos com pensamentos esperamos encontrar divergências, mesmo em grupos que compartilham de uma realidade semelhante em alguns pontos. Porém, ainda assim, me assusta ver a quantidade de pessoas com deficiência que defendem atitudes conservadoras e preconceituosas com o outro. Em grupos de pessoas com deficiência no facebook costumamos encontrar muitas postagens e comentários homofóbicos e machistas de todo tipo de pessoa. Não era de se estranhar que a maioria destes perfis estão a favor do coiso.

Muitos pautam suas ideias em palavras bíblicas defendendo pensamentos excludentes como se estivessem denunciando uma infração ou como se ocupassem uma posição de superioridade espiritual não compartilhando da mesma falta com Deus. Os princípios de amor ao próximo são para um segundo momento, aquele em que são vítimas do preconceito ou, quem sabe, quando a sociedade homogeneizar os corpos eliminando as diferenças.

O debate se encerra quando confrontados de sua incoerência, irritam-se, ameaçam e praguejam amparados pelo distanciamento virtual. O ciclo se repete em outros grupos. Confesso não saber direito o que pensar deste tipo de situação, por um lado vejo pessoas desinformadas, a maioria sem acesso a educação sem um estilo de vida ativo participando socialmente de outros grupos. O isolamento proporcionado pela deficiência e o excesso de cuidado da família acaba contribuindo para a formação de pensamento dessas pessoas.

Entretanto, por outro lado, refuto meu próprio raciocínio. Esse tipo de leitura não capacitismo de minha parte? Considerar a incapacidade de alguém como resultado do modo de vida que ela possui? Não será esta pessoa, de fato, incapaz de lidar com o outro por não conseguir lidar com a própria diferença?

Exponho aqui essa reflexão, mas ela vale para qualquer pessoa pertencente a um grupo considerado minoria. Mulheres, negros, LGBTs e pessoas que vivem em periferia estão sujeitas a defender ideias que as excluem, afinal vivemos todos em um sistema que nos aglutina. Desejamos a ele pertencer e para isso nos submetemos as suas regras sem questionar.

Sem pensar ou fundamentados em razões pessoais essas pessoas dizem sim, sem compreender que nessa afirmação abrem mão de muitas coisas. Especialmente, do direito de dizer não quando os seus direitos forem ameaçados. Esquecem que em uma escalada de recessões os mais afetados são os mais vulnerabilizados, no meu caso como pessoa com deficiência já vivi os resultados dessas ações. Um tempo em que não via meus iguais nas ruas, pois eles permaneciam em casa.

Sinceramente, não desejo reviver isso. Aliás, não desejo esta vida para ninguém. A vida está aí, nos pertence e temos o direito de fazer parte dela. Por esse motivo, continuarei a dizer não, mesmo se não for permitido dizer. Porque acredito que amanhã vai ser outro dia.

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