Pela Estudante NINJA Jessica Ferreira, 19 anos, Unesp Bauru

A história do Brasil em momento algum reconheceu a importância dos negros para a estruturação do país e nem o sofrimento negro que ao longo dos anos. O processo de abolição da escravatura não garantiu uma vida paritária entre as raças, visto que as diferenças políticas, sociais e econômicas permanecem presentes.

#15M Salvador/BA | Foto: Felipe Iruatã / Mídia NINJA

Cotas raciais na História

O pedido de políticas públicas que priorizem a inserção do negro na universidade é antigo, o MNU (Movimento Negro Unificado) pauta as cotas raciais desde sua fundação em 1978, já baseado em movimentos mais antigos que faziam o mesmo pedido.

Um marco para a aprovação das cotas raciais em universidades públicas foi a III Conferência Mundial Contra o Racismo, convocada pela ONU em 1997. O evento ocorreu nos anos 2000, e cada país deveria levar propostas concretas para o progresso da equidade racial, a proposta brasileira chamou atenção da mídia, levantando o tema das cotas raciais nas universidades.

O evento que aconteceu em Durban na África do Sul, foi importante para escancarar o racismo no Brasil e fomentar o debate sobre o progresso na paridade racial, onde também foi possível perceber que políticas de inclusão e diversidade seriam mais efetivas do que punição dos racistas.

O estado do Rio de Janeiro foi o primeiro a colocar a reserva de vagas para alunos oriundos de escolas públicas e pretos, pardos e indígenas na lei. Em 2003, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) foi a primeira no país a estabelecer cotas em seu vestibular, seguida pela Universidade de Brasília (UNB), primeira federal a fazer isso.

Em agosto de 2012 foi aprovada a lei de cotas no Brasil, a medida obriga as universidades, institutos e centros federais reservem metade de suas vagas para alunos de escola pública e uma porcentagem para pretos, pardos e indígenas. A aprovação da política pública veio depois de muitos anos de discussão e pressão de diversos lados.

Acesso a educação, mobilidade e direitos humanos

A educação tem como objetivo, o desenvolvimento do sujeito, garantindo o exercício da cidadania, além de ser um meio para progredir no trabalho e em estudos posteriores o que influencia as gerações futuras.

A presença de negros no ensino formal não é importante só para a democratização universidades, mas também para o próprio povo negro se reconhecer na cultura nacional e ser capaz de proporcionar debates e pesquisas no progresso da equidade racial e a qualificação no profissional que é um pilar na mobilidade social e determinante para o crescimento do país.

Vale lembrar que a política de cotas é uma ação afirmativa para a redução de danos, é uma medida de caráter emergencial e transitório, que deve sempre ser moldada conforme alteração no contexto histórico social.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Juan Manuel P. Domínguez

“Não é apenas a religião que nos manipula”. Entrevista com a filósofa Viviane Mosé.

Daniel Zen

12 perguntas - sobre verdades inconvenientes - ao ministro e ex-juiz federal Sérgio Moro

Gabriel RG

Mitocracia: o cinismo como método de controle

Daniel Zen

Jair Bolsonaro e Gladson Cameli: o tiozão do churrasco e seu sobrinho dileto

Felipe Milanez

Assassinato de indigenista da Funai na Amazônia precisa de investigação federal

Daniel Zen

O que há em comum entre a Lava-jato e as milícias digitais de Bolsonaro

Eduardo Sá

Gabrielzinho do Irajá: talento da nova geração do samba no partido alto

Daniel Zen

Os 340 [que não são] de Esparta

NINJA

Projeto de lei torna o licenciamento ambiental exceção em vez de regra

Eduardo Sá

Toninho Geraes: “Sou a favor do grito de liberdade contra essa tirania que assola o país”

Estudantes NINJA

Um (quase) final de ano de tantos retrocessos

Eduardo Sá

“Não colem em mim esse discurso da meritocracia”, diz Conceição Evaristo

Preta Rara

A senzala moderna é o quartinho da empregada

NINJA

A criminalização do aborto e o feminicídio de Estado

Eduardo Sá

“O samba é a coisa mais importante na cultura brasileira”, ressalta Zé Luiz do Império