Manifestação de estudantes em Curitiba. Foto: Leandro Taques

Manifestação de estudantes em Curitiba. Foto: Leandro Taques

Esta semana eu estava no contra turno com uma amiga fazendo cartazes para a campanha do grêmio estudantil. Enquanto conversávamos, ela me falou que sentia falta das aulas de artes, pois era o único espaço que podia ser criativa.

Na mesma hora essa pequena frase me fez pensar em algo… Por que não podemos ser criativos na escola?

Durante o ensino médio, aos poucos percebemos que as portas para se trabalhar a criatividade e, até mesmo, aprender mais sobre as diversas culturas, vão se fechando. Ao mesmo tempo em que nos cobram por mais e mais conhecimento.

Exemplo disso são os vestibulares, que muitas vezes abordam questões com aspectos que nunca tivemos acesso antes.

Acredito que seja um sentimento quase unânime dos estudantes esse esvaziamento da criatividade dentro da escola.

O que não é de comemoração.

Fiquei pensando.. Que outro espaço nós estudantes teríamos para trabalhar as mais diversas formas de arte em nosso cotidiano?

Cheguei a conclusão que já encontramos a resposta e, até mesmo, o plano de ação para colocá-la em prática.

Sem mais e nem menos, apresento a vocês o espaço em que tivemos a nossa criatividade rolando solta: AS OCUPAÇÕES ESCOLARES SECUNDARISTAS!

Ah, as ocupas… Um espaço lindo em que nos divertíamos, aprendíamos e éramos criativos.

É difícil acreditar, mas as ocupas, que são sinônimos de tanta coisa boa, vem de um ambiente que lutamos muito para mudar. Ela é, por si própria, a mudança que tanto procuramos.

A luta por qualidade de ensino nas escolas públicas aborda diretamente a busca por conhecer na integralidade o ser humano. Poder trabalhar todas as suas formas de diversidades e áreas.

As escolas não trabalham com esses quesitos, como deveria ser feito. Em muitos casos, os estudantes de Ensino Médio sequer têm aulas de artes. O que é o meu caso: meu colégio não oferece a disciplina de artes para os 1º e 3º anos do Ensino Médio.

Sabendo de casos como esse ou semelhantes, e tantos outros problemas, o Ministério da Educação (MEC) teve a audácia de propor tirar o pouco que nós temos por meio de uma medida provisória horrenda, que dizia trazer o Novo Ensino Médio, mas que de novo só tem o nome.

Alguns ainda acharam que deveríamos ter ficado de braços cruzados com os ataques a nossa tão frágil educação.

No máximo, ter feito protestos que não atrapalhassem ninguém!

Queridos colegas de luta… Que bom que não demos bola a esses dizeres. Imaginem o tanto de coisas boas que teríamos perdido se os tivéssemos escutado.

Aos estudantes secundaristas, aos que vão ser e até mesmo aos que já foram e sabem como é a nossa realidade, eu tenho dois recados:

  Não é de interesse do governo que sejamos criativos e que façamos criticas a eles. Então, não tenham medo de lutar pela educação pública de qualidade e emancipatória. Que trabalhe a nossa espontaneidade e cidadania, antes de querer vender a nossa força de trabalho.

2º Se você quer na sua escola mais criatividade por parte sua e de seus colegas, mais autonomia, os estudantes que participaram das ocupações tem a solução para você.

Ocupe também a sua escola!

Leve até ela a união entre a vontade de aprender com o desejo de inovar. Transforme a sede por mudança em um espaço onde todos constroem o novo.

Esse espaço é a sua própria escola. Ela só precisa ter mais de você dentro dela. Ela só precisa ser ocupada!

Estudantes do Brasil, uni-vos!

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Manifestação estudantil em 2015. Foto: Mídia NINJA

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