Foto: Mídia NINJA

por Vegano Periférico

Há duas principais formas de propagar o veganismo. Uma delas é através do veganismo de consumo, mais conhecido como veganismo estratégico. Que é um veganismo que deposita esperanças nos produtos industrializados, subprodutos veganos. Apoiando marcas gigantescas que ainda realizam testes em animais, que continuam produzindo produtos de origem animal, sem contar que essas empresas causam impactos extremamente negativos no meio ambiente e na vida de muita gente. A maioria das pessoas que pregam o veganismo estratégico são totalmente despolitizadas, de classe média e nunca precisou se preocupar com política, pois, com tantos privilégios, convênio médico, escola particular, etc… não precisa se preocupar com 85% da população que não tem nada disso. Elas acreditam que através do capitalismo vamos acabar com a exploração animal. Acreditam de fato, que o sistema que criou o problema vai solucionar o mesmo. São pessoas que olham pro veganismo simplesmente como uma opção de consumo sem exploração animal, sem compreender que tudo está ligado dentro de um sistema que é baseado na exploração.

O outro veganismo vem surgindo com muitas mulheres e pessoas periféricas, que compreendem a importância de lutar pelo fim da exploração animal, mas não se encaixam dentro do veganismo de consumo elitista. Essa nova forma de propagar a causa é chamado de veganismo popular.É um veganismo que luta pelo fim da exploração animal, porém não se restringe a isso. É um movimento que está preocupado com a exploração humana, uma vertente que compreende que dentro do sistema capitalista é impossível fazer qualquer tipo de mudança significativa e que tenha um impacto real.

Esse veganismo entende que toda forma de exploração tem algo em comum e está ligada de alguma forma. A principal forma de ativismo é a informação, educação, conscientização e não o estímulo ao “consumo consciente” como o veganismo estratégico propõe.

No veganismo popular acreditamos que seja de extrema importância propagar uma causa focada nos alimentos naturais, valorizando os trabalhadores do campo, apoiando pequenos produtores e movimentos como o MST. Tendo em vista duas coisas, uma é que quem mais sofre com o nutrícidio, com as doenças modernas pelo consumo de ultraprocessados e produtos industrializados e com a destruição do meio ambiente são as pessoas periféricas, os mais vulneráveis, principalmente as negras e os negros. E a outra é que a luta do campo, a luta pela terra está diretamente ligada ao consumo de produtos de origem animal.

O veganismo popular usa o boicote e a informação como armas, enquanto o veganismo estratégico aplaude cada novo subproduto industrializado de grandes empresas como Unilever, Mc Donald’s, BK, entre outras. É um veganismo que não consegue enxergar que a exploração animal é só uma parte de uma cadeia de exploração dentro desse sistema.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Ivana Bentes

Branquitude em Revolta

Juan Manuel P. Domínguez

"Discriminação e racismo se tornaram uma política de Estado", diálogos de quarentena com Adriana Salvatierra

Juliana Cardoso

Lei Maria da Penha: o modo de fazer feminino

Liana Cirne Lins

Paternidade Ativa Feminista

André Barros

Blindador-geral da República

Laryssa Sampaio

Não devemos nos calar, não devemos naturalizar

Boaventura de Sousa Santos

Uma saída para o Brasil

Rachel Daniel

Juventude Evangélica: a aposta do futuro reacionário no país?

Daniel Zen

Palavras soltas ao vento

Eduardo Sá

“A questão da fome é real se houver um impasse e não se encontrar uma saída”

André Barros

Bolsonaro é culpado

Márcio Santilli

Grilagem online só pode aumentar desmatamento

Eduardo Sá

"A população brasileira está comendo cada vez pior", alerta ex-diretor da FAO

André Barros

Negacionismo judicial

Daniel Zen

Um feminicida não pode ser ídolo em nossa sociedade