Sabemos que este tem sido um ano muito difícil e confuso para o Brasil – ainda mais quando o papo é política. Se as coisas já estavam bizarras desde a eleição de Bolsonaro e de vários de seus seguidores como governadores, prefeitos, deputados e vereadores, com a pandemia a coisa ficou ainda pior. O coronavírus explanou os perigos do projeto genocida do desgoverno e acirrou os ânimos, aumentando as rachaduras sociais no país. Mas não podemos nos esquecer que 2020 também é um ano decisivo, que pode ser o começo de uma reviravolta. Afinal, daqui a pouco chegam aí as eleições municipais.

É importante lembrar, então, o papel do ativismo pró-legalização da maconha neste contexto. O obscurantismo tomou de assalto o Brasil de tal forma que a nossa pauta tem ficado esquecida desde 2018. E isso não pode acontecer! Não podemos retroceder, porque os fascistas e conservadores de plantão querem exatamente que a gente recue. Mas o que as eleições municipais têm a ver com isso, muita gente deve estar se perguntando? Tudo!

Sim, a legislação sobre drogas do Brasil é de federal e os prefeitos e vereadores não têm o poder de mudar para mudá-la. Mas, para além da reforma legislativa, a atuação desses agentes políticos pode ser muito importante para a causa antiproibicionista. Além de promover o debate dentro dos municípios, eles podem apoiar associações de pacientes e cultivadores, incentivar a pesquisa científica, dar suporte a usuários presos injustamente como traficantes e trabalhar contra a violência policial, o genocídio da juventude negra e outras mazelas sociais causadas pela proibição.

Sem contar que uma carreira política costuma começar pelo âmbito municipal. O vereador ou prefeito que você elege hoje pode vir a ser um futuro deputado estadual, governador, deputado federal e, porque não, presidente do País. O mais importante é pensar que, mesmo não podendo mudar a lei diretamente, a capacidade de gerar o debate que esses agentes políticos têm é gigantesca – e isso, no momento conturbado em que estamos, já é muito valioso para a nossa causa, pois volta a colocá-la em evidência.

Devemos procurar saber quem são os (as) candidatos (as) que defendem uma política de drogas mais racional e humana e nos organizar para colocar essas pessoas para ocupar os espaços do poder público. Precisamos nos inspirar em outras militâncias, como a da causa LGBTQI+, que neste ano registrou recorde de candidatos ativistas.

Da mesma forma, a militância antiproibicionista precisa urgentemente fazer uma articulação nacional em torno das candidaturas canábicas para voltar a pautar a legalização da maconha na política. Só assim a realidade vai começar a mudar não para um ou outro privilegiado, mas para todas as pessoas. Vamos nos unir por todo o Brasil e fazer essa diferença. Em breve vamos divulgar uma lista de representantes da causa de todas as partes do Brasil, que apoiamos.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Andressa Pellanda

Da receita estragada de Bolsonaro ao banquete saboroso da educação libertadora

Observatório das Eleições 2022

Por que o problema da desinformação persiste, quatro anos depois da eleição de Bolsonaro

Observatório das Eleições 2022

A fragilidade do nosso apoio à democracia

Márcio Santilli

Bolsonaro poderá renunciar

Fabio Py

O céu se comoveu no domingo

Márcio Santilli

As presidenciáveis

Juan Espinoza

Defesa dos direitos das mulheres na comunidade pan-amazônica

Observatório das Eleições 2022

Votamos sozinhos, mas fazemos política em grupo: ação coletiva e eleições

FODA

Mulheres negras: potência política em defesa da vida

Márcio Santilli

Bolsonaro confessa ao mundo sua intenção golpista

Rede Justiça Criminal

Você sente segurança com mais prisões e polícia?

Campanha em Defesa do Cerrado

Júri do Tribunal Permanente dos Povos condena estados e empresas por genocídio de povos do Cerrado

Márcio Santilli

Bancada Indígena

Juan Manuel P. Domínguez

Bolsonarismo e satanismo, uma relação estreita

Bancada Feminista do PSOL

Liberdade é não ter medo: um basta à cultura do estupro!