Cria da Praça Seca na comunidade do Loteamento, Zona Oeste do Rio de Janeiro, Tainá de Paula é candidata a vereadora e traz consigo todo o acúmulo de lutas e a trajetória social no chão da favela. Mulher preta, mãe, arquiteta, urbanista e ativista das lutas urbanas, atuou em diversos projetos urbanos na Rocinha, Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Rio das Pedras e na favela da Hípica em Niterói. Participou da coordenação do Plano de Habitação do Rio e contribuiu para o PAC das Favelas Manguinhos e Jacarezinho.

Com o nascimento da filha Aurora, passou a fazer o que milhares de mães fazem diariamente: conciliar a maternidade com as atividades profissionais e de militância junto a lideranças populares e políticas. Com a pandemia teve de remodelar todo o planejamento de campanha, que estava sendo sonhada coletivamente desde sua última candidatura. Foi aí que Tainá percebeu a importância de seu trabalho junto à comunidade na produção de conteúdo e conhecimento sobre estes tempos complicados de Covid.

“Quem é que tá sofrendo com arroz de 40 reais? Quem é que tá sofrendo com o preço da passagem, o preço do pão, o preço do leite? Não dá mais pra gente passar procuração pra quem não passa na pele o que a maioria da população tá passando. Quem é que tá morrendo de Covid, quais são e quem são os representantes da população mais vulnerável hoje?”

O incômodo compartilhado com a maioria da população, trabalhadora e de periferia, dá razão ao pensamento de Tainá, que vê nas dificuldades de parto, acesso a creche e principalmente em relação ao orçamento público, questões que devem ser debatidas por toda a população e não apenas pelos ‘detentores do poder’. O poder de decidir como serão investidos os recursos, como a cidade será gerenciada e quais são as principais necessidades da gente deve partir de quem entende no dia a dia, em seu contexto social, quais são essas prioridades.

 

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Quando jovem Tainá revela que não pensava sobre política. Foi então que percebeu que precisava fazer parte dos processos de transformação. Entrou para a Pastoral de Favelas bem cedo e foi a partir da igreja e da identificação das demandas locais, das reivindicações que passam pela favela e pelo debate sobre moradia, que seus impulsos sociais e políticos foram se intensificando.

A candidata carioca conta que seus próximos passos na política foram responsáveis por sua tomada de decisões. A partir de 2013 se juntou aos milhões que ocuparam as ruas e as instâncias do poder e se entregou de corpo e alma no movimento de mulheres organizadas. O desencantamento da população com as mesmas figuras e os mesmos personagens na política acenderam a luz: as mulheres pretas, mães, de favela, precisam de representação. O que fica ainda mais evidente com a morte de Marielle Franco que virou semente e inspira milhares de candidaturas.

“Não vejo como a gente vai reestabelecer o retrocesso, onde mulheres não estejam inseridas nesse debate amplo da política, na construção ampla da agenda de país. Quero ter a tranquilidade de ser da geração que reconstruiu, a partir da perspectiva das mulheres, com chão na periferia, com chão na negritude. Pra mim isso é inegociável.”

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