Olá, caros leitores! Se você já veio aqui antes, sabe que estou buscando pessoas autênticas que criam conexões por meio de histórias e experiências.

E hoje, eu quero te apresentar o Daniel Quadros. Ele é jornalista, escritor e estrategista apaixonado pela comunicação. Acredita que é possível promover pequenas mudanças no mundo com narrativas que ressoem em nossos corações e mentes.

Durante a nossa conversa, me apaixonei pela forma como ele constrói as suas narrativas: com intencionalidade, genuinidade e empatia.

Quadros afirma que, para criar uma narrativa com sentido, é preciso entender o público, suas dores e necessidades, e isso requer dedicação e esforço. Além disso, é fundamental ser autêntico e coerente com o que se está falando, para que a mensagem transmitida faça sentido e seja percebida como verdadeira.

Afinal, nós, como público, sabemos e identificamos quando marcas ou influenciadores não vivem ou entendem a realidade que pregam em suas campanhas de marketing.

Daniel Quadros é graduado em Jornalismo e Escrita Criativa, e possui pós-graduação em MBA em Marketing, Branding e Growth pela PUCRS. Ele também atua em gestão de projetos, diversidade e inclusão, pautas de inovação, ciência, tecnologia e educação, além de mediar e palestrar sobre essas áreas. Atualmente, trabalha com marketing de conteúdo e como People Dev na Cora.

Em todos as redes você pode achá-lo como @eudanielquadros (Instagram, LinkedIn e site).

Então, vamos para o que interessa:

Como criar narrativas com sentido e que se conectem com as pessoas

Daniel Quadros. Foto: Acervo pessoal

Por Daniel Quadros 

Recentemente fui convidado pela Tati para escrever sobre como criar narrativas que promovem mudanças de comportamento. A primeira coisa que pensei é que, para isso, as ideias que estamos tentando materializar precisam carregar intencionalidade, ser genuínas em seu discurso e, principalmente, contar uma história.

A intencionalidade é importante porque requer dedicação. Não é possível se conectar com essa grande massa abstrata chamada “público” com uma abordagem genérica. É necessário entender o comportamento do público, como essas pessoas pensam, qual é a sua dor e como o que você tem a oferecer age nisso.

Genuinidade, porque nós, produtores de conteúdo e quem mais tem algo a dizer, na prática e no nosso dia a dia, também somos “público”, certo? Então, com um distanciamento da sua própria “obra”, pense: o que faria você, como pessoa que recebe informações de todos os lados e ao fim do dia só quer ver algo divertido para passar o tempo, parar para se conectar com algo? O que merece a sua atenção? O que você quer ver?

Essa virada de chave é importante, pois é muito comum nos depararmos com marcas e figuras que estão mais preocupadas em vender do que em atender às necessidades e interesses do público.

E, finalmente, a história. Criar narrativas nada mais é do que contar uma história. Texto por texto, até um robô sabe fazer. As novas ferramentas de Inteligência Artificial (IA) estão aí e não nos deixam mentir, criando textos completos automaticamente, indicando produtos de acordo com o seu perfil, facilitando a rotina e, inclusive, assustando algumas pessoas. Mas, essa conversa eu vou deixar para outra hora. Voltaremos nela mais tarde ou em um outro artigo, tá?

Independentemente se você produz conteúdo, é influenciador digital, repórter, redator, amante da literatura, roteirista, apresentador e por aí vai, tudo é texto. Mas, o texto por si não diz muita coisa. O que diz é a narrativa. Ela é o fio condutor da história, do começo ao fim. Essa é a diferença de uma receita de bolo ou de uma bula de remédios para uma reportagem bem escrita ou um livro de 300 páginas com a letra miúda que você lê rápido sem se dar conta de como o tempo passou.

Essa também é, muitas vezes, a diferença entre uma marca ou personalidade que consegue se conectar com pessoas de forma próxima, criar uma comunidade e ter um ótimo engajamento e desempenho no que se propõe a apresentar.

E, aqui, quero focar em alguns tópicos importantes para entendermos a importância das narrativas:

Boas narrativas carregam sentido e são genuínas

Daniel Quadros. Foto: Acervo pessoal

Provavelmente você já se deparou com algo e pensou “mas isso não faz sentido!”. E por quê? Porque aquilo estava fora de contexto, não era condizente com o restante, não era a sua realidade ou, até, não fazia sentido mesmo.

Fazer sentido é sobre ser coerente, genuíno. Um exemplo prático é quando marcas se apropriam de um discurso de diversidade e isso não reflete o que acontece internamente na empresa. Não precisa de muito esforço para encontrar publicações dessas empresas sobre as suas novas contratações, em que as fotos parecem um copia e cola, cheias de pessoas iguais. E a diversidade, cadê? Tá no discurso, e receio que só.

Ou, ainda, quando você é muito fã de um artista ou personalidade pelo seu trabalho e posicionamento em suas criações, mas descobre que, na realidade, ela é uma pessoa preconceituosa e com falas que muitas vezes ferem a sua existência. Aposto que só aqui nesse exemplo você lembrou de vários casos.

E tudo isso foi uma contextualização apenas para dizer que as outras pessoas, assim como você, percebem as incoerências quando elas estão presentes. Se você é uma empresa e promete uma cultura organizacional que respeita a individualidade das pessoas e se preocupa com o bem-estar delas, mas nas redes sociais só se fala sobre a última demissão em massa surpresa que aconteceu por falta de planejamento… Bom, o seu RH terá problemas para convencer possíveis candidatos e candidatas a se candidatarem às suas vagas sobre isso.

Pois essas são narrativas que, devido aos acontecimentos, não fazem sentido e, muito menos, são genuínas ou coerentes com as práticas.

Aqui, eu trouxe exemplos de empresas e pessoas famosas apenas para ilustrar. É algo próximo e com o qual a maioria das pessoas se identifica. No entanto, essa questão se aplica a quase tudo, é só trocar o contexto.

As comunidades mudaram a forma de influenciar

Quando começou a se falar sobre marketing de influência, influenciadores digitais e criadores de conteúdo, se olhava principalmente para os números expressivos: seguidores, curtidas, interações nas redes, acessos, entre outros. Porém, se apoiar somente nisso não é garantia de resultados, seja na conversão em vendas, engajamento ou divulgação para conhecimento de uma marca.

Hoje em dia é possível até comprar esses “números” por valores bem acessíveis e é uma prática muito comum, mesmo que não seja recomendada.

Atualmente se fala muito na construção de comunidades, que são grupos de pessoas que acompanham e são fiéis a marcas ou figuras públicas, por exemplo. Ambas coexistem, e os bons influenciadores de hoje são aqueles que sabem criar comunidades.

Isso está diretamente ligado ao tópico anterior. As pessoas são fiéis porque acreditam no que essas figuras dizem, inclusive quando elas indicam um produto e prometem que ele é bom ou fará alguma diferença na vida delas. Elas percebem sentido e genuinidade no discurso.

Por isso é tão importante, antes de aceitar representar algo ou alguém, conhecer de fato o produto ou serviço oferecido. É comum encontrar casos de pessoas que levaram golpes ao fazer uma compra por indicação de pessoas com muita visibilidade, e depois, essa pessoa precisar se retratar por não conhecer direito o que estava promovendo.

Comunidades fortes são capazes de trazer resultados muito mais interessantes em relação a engajamento para figuras que têm menos alcance (seguidores, curtidas, etc.), do que aquelas que possuem perfis muito maiores, mas ainda não souberam utilizar essa estratégia de construção de comunidades.

Não há certezas ou fórmulas prontas

Tendências, cases de sucesso, padrões de comportamento dos usuários, indicações dos melhores horários para publicar nas redes e muitos outras ferramentas de comunicação e marketing podem nos dar um ótimo direcionamento ao formular hipóteses sobre quais caminhos seguir.

Porém, na prática, a experimentação conta muito. Ela permite ter ideias e validá-las, entender o que funciona no seu contexto, como fazer ou o que evitar.

Vale lembrar que esse não é um conteúdo técnico, com referências acadêmicas sobre as teorias de reputação de marca, gestão de crise, ou os conceitos do papel do jornalismo, da escrita, da produção de conteúdo e outras áreas.

E sim uma reflexão sobre como nós, que nos comunicamos com nossos nichos diariamente, também somos consumidores e precisamos nos colocar nesse lugar. Antes de partirmos da ideia de que dominamos todos os recursos linguísticos e sabemos replicar fórmulas de sucesso, precisamos considerar que talvez essas fórmulas não funcionariam nem conosco.

Aceitei esse convite não para trazer certezas, mas sim para dar luz a uma das grandes dores de quem se propõe a criar narrativas, independentemente do objetivo ou formato, que é como se conectar com os públicos e criar espaços de diálogo com as pessoas.

E isso começa por contar o que acreditamos, mas principalmente por fazer. Histórias genuínas que fazem sentido nascem a partir disso. Assim, talvez nem seja preciso contar nada, as pessoas vão fazer isso por você.

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